Brasileirão tem só 25% da receita da poderosa Premier League
Internacionalização diferencia os ingleses das outras ligas de futebol do mundo

- Matéria
- Mais Notícias
O futebol brasileiro vem crescendo nos últimos anos, tanto em poderio financeiro quanto em interesse internacional. O Flamengo surpreendeu ingleses e rivais locais ao pagar 42 milhões de euros para contratar um titular de um time da Premier League: Lucas Paquetá, do West Ham, principal reforço para o Brasileirão. Mas, em termos financeiros, competir ainda não é uma realidade. E o maior abismo que se enxerga entre a Inglaterra e demais países é o poder de internacionalização do seu produto.
No Brasil, o Flamengo é o clube que persegue com mais afinco a estratégia de aumentar a projeção da marca pelo planeta. Foram diversas iniciativas nesse sentido, desde a tentativa, ainda não descartada, de aquisição de uma filial na Europa — o clube chegou a cogitar, por exemplo, a compra do Tondela, de Portugal — até a mais recente criação de equipe de narração de jogos em inglês, espanhol e chinês, com transmissão gratuita via streaming para fora do Brasil.
Em 2025, a Fla TV se tornou o primeiro canal de clubes fora da Europa a atingir mais de um bilhão de visualizações. Os rubro-negros fecharam também acordos com agências globais, como a americana SportFive, para produção de conteúdo em outros idiomas, com foco em atrair engajamento e patrocinadores em outros mercados. Hoje o clube tem acordos com marcas como Shoppee e a montadora automotiva chinesa GAC.
Relacionadas
Receita das principais ligas de futebol do mundo (em bilhões)

Na avaliação do relatório da Galápagos Capital, somente o Flamengo e o Palmeiras superam R$ 1 bilhão em valor de marca. E a constante presença de ambos em competições internacionais colabora com o crescimento. O Brasileirão já começa a se aproximar da liga francesa em receita líquida: são 2,26 bilhões de euros contra 2,9 bilhões de euros. Mas, quando se fala de Premier League, há de fato uma distância enorme; a receita chega a 9,18 bilhões de euros, e uma das principais razões é o patamar de internacionalização do campeonato.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Estima-se que a Premier League entre em 643 milhões de residências pelo mundo, com potencial de atingir 4,7 bilhões de pessoas em uma transmissão. O relatório da Galápagos Capital mostra os valores dos contratos de transmissão das principais ligas europeias. O gráfico deixa claro que a distância da Premier League também existe no recorte local do Velho Continente. Até a temporada 2024/25, a competição inglesa faturava 1,8 bilhão de euros com transmissão local e 2,1 bilhões com cessão de direitos para fora do país. Além de os valores terem aumentado consideravelmente para a temporada 2025/26 até 2028/29, a fatia do valor para transmissões internacionais se tornou ainda maior.
Neste período, os direitos na Inglaterra rendem 1,97 bilhão de euros, enquanto a receita para outras localidades soma 2,56 bilhão de euros. Para efeito de comparação, a segunda liga mais valiosa da Europa, a La Liga, da Espanha, arrecada 1,19 bilhão de euros com transmissões locais e 835 milhões de euros por temporada com a venda de direitos para o exterior, mesmo o Real Madrid e o Barcelona sendo clubes com notório alcance mundial. Ou seja, o total arrecadado pela La Liga com direitos de transmissão é inferior ao montante obtido pela Premier League somente com a fatia internacional dessa receita.

Mesmo sendo a terceira colocada nessa lista de direitos de transmissão, a Bundesliga, por exemplo, já fica muito mais longe das duas principais em apelo mundial: os contratos internacionais do Campeonato Alemão somam, mesmo com o reajuste para período até a temporada 2028/29, somente 218 milhões de euros. Fica claro, com o 1,12 bilhão em acordos locais de transmissão por ano, que a liga ainda é totalmente dependente da arrecadação em território alemão.
Brasileirão tem espaço para ampliar monetização
De acordo com o relatório da Galápagos Capital, o Brasil caminha na direção da implementação de medidas já existentes nas principais ligas do mundo, como profissionalização da arbitragem e acompanhamento mais rígido da sustentabilidade financeira das instituições, o Fair Play Financeiro. A análise é de que ainda há amplo espaço no país para ganho de escala e monetização. O documento lista cinco itens que impulsionam financeiramente as principais ligas do futebol:
- Internacionalização - distribuição global e expansão de audiência
- Centralização de mídia - maior poder de negociação e padronização
- Matchday Experience (experiência de dia de jogo) - estádios como ativos de entretenimento recorrente
- Governança e Financeiro - regras de sustentabilidade e maior previsibilidade
- Competitividade esportiva - equilíbrio esportivo aumenta engajamento, audiência e valor do produto
Ainda segundo o relatório, os próximos passos para um crescimento consistente dos clubes na área financeira, além de avançar na criação de uma liga unificada, envolvem aprimorar as ações relacionadas diretamente aos jogos e transformar o dia da partida em uma experiência mais atrativa, que amplie o engajamento. A taxa de ocupação dos estádios no Brasil evidencia esse gargalo.

Alemães são exemplo na ocupação de estádios
Nenhum dos clubes da Série A de 2025 figura entre as 20 maiores taxas de ocupação do mundo. E, neste caso, não há relação com internacionalização das equipes. Mostra disso é que, na Alemanha, por exemplo, três clubes operam com uma taxa próxima a 100%: Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Hamburgo, mesmo com estádios com capacidade superior à média brasileira. Em termos de público, o Brasil teve 25.542 pagantes de média por jogo do Campeonato Brasileiro.

La Liga é líder em participação no bolo publicitário
Além do maior conforto e serviços nos jogos, programas robustos de sócio-torcedor também colaboram para esse distanciamento. O Bayern, por exemplo, conta com cerca de 400 mil associados. Por aqui, as duas maiores torcidas, de Flamengo e Corinthians, tinham 118 mil associados, cada, em 2025. Palmeiras e Atlético-MG lideram a lista dos clubes com maior adesão, com 168 mil e 144 mil associados, respectivamente.

Nas receitas comerciais, os clubes brasileiros também ainda têm muito a importar das principais ligas europeias. Apesar de apresentar um crescimento relevante no somatório geral de aportes dessa natureza, o percentual do mercado publicitário do país atrelado ao futebol é muito inferior aos principais centros europeus. O futebol inglês, por exemplo, tem 4,5% do total do mercado publicitário nacional, enquanto a Alemanha tem 4,2%, a Itália, 6%, a França, 3,5%, e a líder Espanha,10,4%. O Brasil, como já acontece nas receitas totais, começa a se aproximar da França, com 2,7%.
⚽ Aposte nos jogos do Brasil e pelo Mundo!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















