CBF debate liga com os clubes e projeta implantação apenas em 2030
Entidade reuniu dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B

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A CBF decidiu, de vez, tomar à frente para que a liga de clubes saia do papel. A entidade reuniu representantes de 38 dos 40 clubes das Séries A e B — Mirassol e Chapecoense não foram — nesta segunda-feira (6), no Rio, para apresentar o que definiu como "um grande diagnóstico" do futebol brasileiro. A intenção é propor e ouvir os clubes sobre medidas para transformar a liga brasileira em uma das três maiores do mundo. Mas isso não será para tão cedo: a nova previsão é de que a liga passe a existir efetivamente apenas em 2030, e com a CBF entre as lideranças.
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São basicamente dois os motivos para a espera, que já se arrasta há quase cinco anos. O primeiro é que Libra e FFU, os dois grupos de clubes que se dividiram basicamente para negociar direitos de transmissão, fecharam contratos com as emissoras até 2029. O segundo é que a CBF quer fazer o caminho oposto ao feito pelos dois grupos até aqui, que simplesmente saíram negociando direitos de transmissão sem efetivamente discutir o futebol. E já se sabe que há uma série de mudanças a se fazer no Brasileirão para que ele tenha atrativo parecido ao das grandes ligas europeias.
No diagnóstico traçado pela CBF e apresentado aos dirigentes de clubes nesta segunda-feira, a entidade comparou dez aspectos do Brasileirão com a Premier League (Inglaterra), a La Liga (Espanha) e a Bundesliga (Alemanha). Individualmente, o Campeonato Brasileiro não atingiu nota máxima em nenhum dos dez aspectos, e em comparação às ligas europeias ficou atrás em todos eles — para ser preciso, empatou em "tempo de jogo" com a La Liga, que está abaixo do esperado pela Fifa.
Além do tempo de bola rolando, a CBF mostrou que o Brasileirão precisa evoluir no calendário; público e segurança nos estádios; infraestrutura das arenas; transmissão; comunicação e redes sociais; marketing; jovens talentos; governança do regulamento e sustentabilidade financeira.
Para a CBF, são esses pontos que fazem hoje o Brasileirão ser tão pouco atrativo mundo afora. Enquanto o campeonato nacional tem seus jogos transmitidos para 20 países, a Premier League chega a 200. E isso obviamente tem reflexos na receita.
Estudos realizados pela entidade mostram que a receita dos clubes da Premier League na última temporada chegou a 7,5 bilhões de euros (R$ 44,56 bilhões), número quatro vezes maior do que aquela vista no Brasil, de 1,8 bi (R$ 10,69 bilhões). Na Espanha, os clubes arrecadaram 5,5 bilhões de euros (3x mais que no Brasil), e na Alemanha, 5,1 bilhão de euros.
CBF sugere rever horários dos jogos e quer que clubes tenham mais participação na segurança
Pesquisas qualitativas e quantitativas encomendadas pela CBF no último ano também trouxeram dados preocupantes sobre a presença de público nos estádios. Ainda que a média venha crescendo, a taxa de ocupação nos estádios da elite nacional é inferior às europeias, e isso num contexto de arenas de tamanhos semelhantes.
Uma das pesquisas perguntou aos entrevistados o motivo de não irem aos estádios, e a resposta mais comum foi a preocupação com a violência. Um quarto dos entrevistados afirmou que os estádios não são espaços seguros para levar as famílias.
Historicamente, clubes e federações costumam alegar que segurança é uma atribuição do poder público, mas a CBF quer que os clubes passem a trabalhar juntos — algo que o presidente da La Liga, Javier Tebas, comentou no encontro que teve com dirigentes brasileiros no início do ano.
Outro ponto que a entidade pretende propor aos clubes diz respeito aos horários dos jogos. Em comparação às principais ligas europeias, o Brasileirão tem muitas partidas à noite e um número excessivo de horários distintos, o que confunde o torcedor. Além disso, há excesso de partidas no mesmo horário, o que muitas impede que se assista a alguns jogos da rodada.
CBF fala em 'mediar' liga, mas quer papel também de liderança
Logo no discurso de abertura, o presidente da CBF, Samir Xaud, deixou claro aos dirigentes que a entidade vai fazer parte da liga, uma posição que ele vem adotando desde que assumiu o cargo, há dez meses, mas contrária à ideia que se vislumbrou há alguns anos, de que ela seria tocada integralmente pelos clubes.
— A CBF atuaria como mediadora, como responsável pelo futebol brasileiro, e nada mais justo do que fazer isso com união, diálogo e trabalho — discursou Xaud.
Depois, dez diretores da entidade apresentaram aos dirigentes os nós que precisam ser desatados para que uma liga efetivamente saia do papel.
A proposta da CBF é que todos os temas sejam debatidos em três fases. A primeira, prevista para ser concluída ainda este ano, trata do que a entidade chama de "produto" e engloba calendário, estádios, transmissão, marketing, infraestrutura comercial e governança da competição. Um dos temas a serem abordados é o "novo regulamento" do Brasileirão.
A segunda fase deve ser debatida ao longo de 2027 e vai tratar da comercialização do campeonato, o que o que inclui direitos de transmissão a partir de 2030. Por fim, a Fase 3 vai tratar de questões administrativas e de governança.
Apesar da projeção de que a liga passe a existir de fato apenas daqui a quatro anos, o entendimento é de que as melhorias poderão serão implantadas antes disso, até como período de transição.

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