Do corredor ao campo inteiro: entenda como o papel dos alas no futebol mudou
Posição exige cada vez mais versatilidade para cumprir diferentes funções ao longo da partida

O futebol ampliou as exigências sobre os jogadores que atuam pelos lados do campo. Se antes a principal função dos alas era oferecer amplitude, chegar à linha de fundo e cruzar para os atacantes, hoje a posição reúne responsabilidades ofensivas e defensivas, além de participação na construção das jogadas. A evolução dos sistemas táticos fez com que laterais e pontas precisassem desenvolver maior capacidade de adaptação, leitura de jogo e versatilidade para cumprir diferentes funções ao longo de uma mesma partida.
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A transformação acompanha mudanças mais amplas no futebol moderno. Assim como goleiros passaram a participar da saída de bola e atacantes ganharam funções sem a posse, os jogadores de lado deixaram de atuar apenas pelo corredor. Em muitos momentos, passam a ocupar o meio-campo, pressionar a saída adversária, recompor a linha defensiva e participar da circulação da bola.
A popularização de esquemas com três zagueiros contribuiu para essa mudança. Nesse modelo, os alas alternam funções constantemente: quando a equipe defende, recuam para formar uma linha de cinco jogadores; quando ataca, avançam para atuar próximos aos pontas e centroavantes, dando profundidade e superioridade numérica pelos lados.
Essa mudança também alterou o perfil dos atletas que ocupam a posição. Arthur Augusto, de 23 anos, que atua no Bayer Leverkusen desde 2023, afirma que a experiência no futebol europeu ampliou sua compreensão tática.
— A posição mudou muito nos últimos anos. Antes, o jogador de lado tinha uma função mais definida, mas hoje é importante identificar o que a jogada pede em cada momento, seja para atacar o espaço, apoiar um companheiro ou ajudar na marcação. Essa capacidade de interpretar o jogo e tomar a decisão certa faz muita diferença. Evoluí bastante nesse aspecto desde quando cheguei à Europa e agora consigo atuar facilmente como ala e lateral, dependendo de como é a composição tática do time. Além disso, por ser ambidestro, também consigo jogar tanto na direita quanto na esquerda — afirma Arthur, que já defendeu a Seleção Brasileira.

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A mudança também atingiu jogadores formados como atacantes. Revelado pelo Botafogo como ponta, Luís Henrique precisou incorporar novas atribuições após chegar ao futebol europeu. Atualmente na Inter de Milão, alterna funções ofensivas e defensivas durante as partidas.
— O jogador que atua pelo lado do campo precisa estar preparado para fazer várias funções durante o jogo. Em alguns momentos, você precisa atacar como ponta, mas, quando perde a bola, tem que ter a capacidade de recompor e ajudar a equipe defensivamente. Hoje me sinto um jogador mais completo justamente por ter vivido essas experiências — comentou.

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Versatilidade passou a ser requisito
Para os treinadores, a evolução dos sistemas também modificou os critérios de escolha para a posição. Mais do que velocidade ou capacidade ofensiva, a leitura de jogo passou a ser determinante para os atletas que atuam pelos lados.
O treinador Roger Machado, ex-São Paulo, Internacional e Grêmio, explica que o ala moderno precisa participar de todas as etapas da construção da equipe.
— O futebol atual exige que o jogador de lado participe de todas as fases do jogo. Ele pode iniciar a construção desde a saída de bola com o goleiro, participar da criação ao lado dos meio-campistas e chegar à última fase para definir a jogada junto dos atacantes. Essa variedade de funções torna a posição muito mais complexa, porque exige não apenas capacidade física para percorrer todo o corredor, mas também entendimento dos diferentes momentos da partida, leitura dos espaços e rapidez na tomada de decisão. Hoje, os treinadores procuram atletas versáteis, capazes de desempenhar essas funções sem comprometer o equilíbrio coletivo da equipe — analisou.
A tendência é que essa transformação continue acompanhando a evolução dos modelos de jogo. Com equipes cada vez mais flexíveis taticamente, a capacidade de alternar funções durante a partida deixou de ser uma característica desejável e passou a fazer parte das exigências para quem atua pelos lados do campo.
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