Varane defende veto ao cabeceio no sub-10 do Como: 'Já falei'

Projeto prevê uso de bolas de borracha e restrições graduais

PorLucas Moreira GomesRio de Janeiro (RJ)
25/07/2026 16:08
Varane - França Copa do Mundo
Rapahael Varane, ex-jogador da seleção francesa (Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP)

O Como 1907, clube da primeira divisão do futebol italiano, proibiu o uso do cabeceio nos treinamentos e partidas da categoria sub-10. A medida estipula a eliminação de jogadas aéreas para atletas com menos de 11 anos. O objetivo da gestão é mitigar os impactos na cabeça considerados evitáveis e priorizar a integridade física dos jogadores.

Segundo o comunicado oficial da instituição, as diretrizes buscam proteger os atletas na infância e adiar o ensino técnico da cabeçada para o momento em que apresentarem maturidade física. O documento destaca que as categorias de base passarão a focar no aumento do tempo de bola no pé, na tomada de decisões e no desenvolvimento técnico progressivo.

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O plano de transição prevê que atletas menores de 11 anos iniciem o contato com a jogada aérea apenas no fim da temporada, com o uso exclusivo de bolas de borracha. Nas categorias superiores, o clube aplicará restrições graduais por sessão de treino para adaptar os jogadores à nova política.

A iniciativa conta com o suporte do ex-zagueiro da seleção francesa Raphael Varane, que integra o Conselho de Educação do Como 1907 e atua publicamente na conscientização sobre lesões na cabeça no esporte.

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— Já falei diversas vezes sobre a necessidade de levarmos a sério os impactos na cabeça no futebol e a importância absoluta de protegermos nossas crianças. Para os jovens jogadores, a melhor abordagem é ter regras claras, um bom treinamento, compreensão e uma cultura onde o bem-estar e a segurança vêm em primeiro lugar. Esse caminho reduz o contato desnecessário nas idades mais jovens, quando o cérebro ainda está em desenvolvimento, e então ensina a habilidade corretamente, passo a passo, com o controle adequado — declarou Varane.

Varane - França Copa do Mundo
O zagueiro francês Raphael Varane durante entrevista em Doha, no Qatar (Foto: Franck Fife/AFP)

A decisão do clube italiano alinha-se a diretrizes já adotadas em países como Inglaterra, Irlanda, País de Gales e Escócia, que restringem o cabeceio para menores de 12 anos. A discussão sobre o tema ganhou força após ações judiciais movidas por ex-atletas e familiares contra federações britânicas, sob a alegação de omissão frente aos riscos de traumas cranianos e doenças neurodegenerativas decorrentes do esporte.

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Posicionamento da Ifab

A preocupação com concussões e lesões cerebrais recorrentes também levou a International Football Association Board (Ifab), órgão que regulamenta as regras do futebol mundial, a proibir o cabeceio intencional nas categorias até sub-12. A determinação da Ifab apoia-se em pesquisas médicas sobre danos neurológicos de longo prazo e estabelece a infração de forma análoga ao toque de mão intencional, com previsão de sanções disciplinares conforme o contexto da jogada.

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