Lúcio de Castro: a última dança de Léo Messi
Craque argentino vai anunciando sua despedida dos gramados lenta e gradualmente

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Um remédio amargo servido em pequenas doses.
Talvez seja a melhor solução para amenizar o imenso buraco.
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É assim que Lionel Messi tem feito: vai anunciando sua despedida dos gramados lenta e gradualmente.
Até que chegue a última dança.
Na última segunda, foi a vez de avisar que seu tempo na seleção da Argentina acabou.
A bem da verdade, o aviso é a confirmação do que sabemos: o melhor já passou. Restam amostras pelo Inter Miami, o que, afinal, são apenas amostras mesmo de algo parecido com futebol quando pensarmos nos anos de Barcelona e seleção.
Lá se vão mais de duas décadas de relação. Para sermos mais exatos, 22 anos.
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E é essa estreia de azul e branco um dos momentos que mais gosto de me debruçar nessa trajetória.
Não foi nada normal e ao acaso. Era um 29 de junho de 2004. Um 8 x 0 pela sub-20 argentina diante do Paraguai.
Uma invenção. Um jogo inventado do nada.
Por coincidência quase divina, jogado no estádio Diego Armando Maradona, do Argentino Juniors.
Com 17 anos, jogando na turma de 20, veio do banco no segundo tempo e entrou no lugar de Ezequiel Lavezzi.
Aos 35 fez seu primeiro gol no que os mais antigos chamavam de "escrete".
Mas isso nem é o mais relevante.
A grande história desse jogo é que ele mudou a própria história da seleção argentina.
Ocorre que, e todos irão se lembrar, Messi foi cedo para o Barcelona.
Um moleque de 13 anos, saindo do Newell's Old Boys e desembarcando em La Masia.
Era fracote fisicamente, o Barcelona podia pagar a transformação em atleta, ao contrário do outro. Encantava nos treinamentos e jogos da base.
Já cidadão espanhol, o caminho para a Fúria seria natural. E se desenhou ao longo desses anos adolescentes.
Até que, em 2004, a AFA (Asociación del Fútbol Argentino) arrumou um amistoso mequetrefe.
Uma terça-feira morta na agenda do futebol.
Mas que tem um lugar no altar das grandes efemérides da bola.
A razão?
O menino Messi era, como dissemos, alvo da seleção espanhola.
Então Júlio Grondona inventou um amistoso com uma única função: fazer Messi jogar pela seleção oficialmente.
E assim amarrar o prodígio para sempre com a Argentina, de acordo com a regra da FIFA então em vigor.
Um pequeno passo. Definitivo para a história da seleção daquele país.
Mas o mais espetacular disso tudo para esse escriba aqui é que uma jogada tão necessária tenha sido feita nos tempos de alguém tão desnecessário para o futebol.
Júlio Grondona era o presidente da AFA.
Esse mesmo. O que tinha assumido essa cadeira em 1979 e lá ficou até a morte, em 2014.
Cumpriu a nada gloriosa travessia um ano antes do FIFAGATE, o maior escândalo de corrupção da história do esporte mundial, que explodiu em 2015.
Escapou.
Salvo pela morte. Pode parecer mórbido falar isso, mas assim foi.
Porque certamente estaria entre os presos.
Não escapou de estar nos autos.
Qualquer um sabe que o Co-Conspirador 1 da trama é ele, Júlio Grondona.
Estava em todas.
Falou em propina, lá estava o Co-Conspirador 1.
Esquema da Copa América.
Esquema da Copa América Centenário.
Esquema da Copa Libertadores.
Mas é a vida como ela é…
Quis o destino que o dono desse prontuário também tenha sido o mesmo que teve uma ideia lá em 29 de junho de 2004.
Que mudou a história do futebol argentino.

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