Lúcio de Castro: 'Ih, Libertadores qualquer dia tamo aí!'
A vitória contra o Cruzeiro fez um grito saltar na memória do torcedor rubro-negro

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Paquetá, Bruno Henrique, Carrascal, Danilo, Varela, Saul, Luís Araújo… Dos tempos em que a Libertadores era um cerimonioso e bissexto ocasional visitante até o Flamengo entrar em decisão de oitavas de final com esse naipe de jogadores no banco, muitas lágrimas rolaram nas arquibancadas atrás do gol do Viaduto Oduvaldo Cozzi.
A vitória contra o Cruzeiro na noite de anteontem, no Maracanã, garantindo presença em mais uma quartas de final, fez um grito saltar na memória do torcedor rubro-negro:
"Ih, Libertadores qualquer dia tamo aí!"
Era por natureza um grito meio fora de padrão dos cânticos normalmente entoados.
Meio esquisito até.
Mas tinha muita sinceridade e exprimia fielmente o tamanho do desejo do cidadão Flamengo.
O desejo de estar de novo na tal da Glória Eterna, aquela saudade de 81… Mesmo para quem não tinha vivido os anos de ouro.
Por ser algo meio ocasional, não garantido, quase excepcional.
Corta para esse 19 de agosto de 2026, o tal anteontem, e o tal banco já citado: Paquetá, Bruno Henrique, Carrascal, Danilo, Varela, Saul, Luís Araújo.
Não representa nenhuma garantia de vitória. O 2 x 1 apertado, com direito a emoção no começo do segundo tempo, depois de um primeiro tempo avassalador porém mais uma vez sem matar o jogo, nos lembra o chavão monótono de que futebol é dentro do campo.
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Mas a turma que ao fim do jogo descia a rampa da Uerj apressada, correndo para o último metrô ou para o último trem, entre um passo apertado e outro, lembrava disso com alguma graça.
Ao Flamengo de hoje não cabe mais o canto do "qualquer dia tamo aí".
Hoje, lembrar desse grito representa o tamanho da mudança de perspectiva do Flamengo de bem pouco tempo atrás com o de hoje.
Quem viveu o dia a dia do Flamengo em coberturas ou reportagens sabe do que está se falando.
Ficar fora de uma Libertadores seria total tragédia
Era um caos de gestão, o mesmo sucedendo o igual na presidência, contas transformadas em uma espécie de Triângulo das Bermudas, a festa do jabá, como diria um atento à cena de então que gostava de usar a expressão para qualificar os bastidores da Gávea.
Hoje em dia, ficar fora de uma Libertadores seria total tragédia, fracasso esportivo e de gestão.
Muito mais do que isso: a simples ideia de ficar fora de semifinal de Libertadores hoje em dia já gera quase indignação no torcedor.
No entanto, ao torcedor deve caber sempre a lembrança: é preciso estar atento e forte.
Vibrar, festejar, exaltar o que há para ser exaltado.
Sem jamais esquecer que, como lembrava João Saldanha, cartolas são cartolas. E tem alma de cartolas.
Gente que muitas vezes sabe de gestão mas não tem a menor ideia do que é a alma rubro-negra.
Do que é a arquibancada.
Teve um até que há pouco tempo blasfemou contra Zico.
O cartola que blasfema contra Zico no Flamengo não tem sequer noção de onde está.
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Ao torcedor cabe não cometer o pecado de virar um adorador de cartola, essa tragédia cada dia mais presente no tipo de torcedor atual.
Afinal, é da natureza da cartolagem a arrogância que bota a perder seus próprios êxitos.
Quando a bola entra, fica para trás até a arrogância da estúpida demissão de Filipe Luís que só mesmo essa arrogância explica.
Que o rubro-negro curta e se divirta. Mas atento e forte.
O 'qualé' do elenco no treinador
Há outro ponto fundamental a ser lembrado: por tudo o que se sabe, e estamos falando de bastidores, tivemos nos últimos dias um "qualé' no treinador. Definitivo.
A coisa tava desandada.
Pois sim, esse elenco, e vamos repetir, capaz de ter Paquetá, Bruno Henrique, Carrascal, Danilo, Varela, Saul, Luís Araújo no banco, vinha jogando atrás, recuado, "reativo", como tanto se fala hoje.
Um tanto quanto surreal. E inacreditável.
Rezam os fantasmas que os jogadores enquadraram Leonardo Jardim.
Não tinha nada de razoável um time desses, que tem alma de protagonista pelos próprios nomes, jogar entrincheirado, aguardando o contra-ataque.
De lá para cá, depois do tal "qualé", sem tirar o mérito do português, pelo contrário, as coisas mudaram.
O caminho é árduo, que ninguém se engane.
Mas se não houver uma derrapada forte, repetindo o impactante futebol do primeiro tempo da quarta-feira, a possibilidade de Montevidéu ser logo ali em novembro é grande para o torcedor rubro-negro.
E "Libertadores qualquer dia tamo aí" será cada vez um grito mais longínquo.

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