Como o PSG virou peça-chave na campanha da França na Copa do Mundo?
Seleção francesa tem reproduzido estilo de jogo de clube parisiense

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Bicampeão da Champions League e principal força do futebol europeu na atualidade, o sucesso do PSG ultrapassou o ambiente dos clubes e chegou às seleções. Semifinalista e uma das favoritas ao título da Copa do Mundo, a França vem apresentando diversos comportamentos inspirados na equipe comandada por Luis Enrique, desde o pontapé inicial até as cobranças de pênaltis, passando pela pressão sem a bola e pelas jogadas de bola parada.
A adoção desses mecanismos chama atenção porque Deschamps e Luis Enrique, técnico do PSG, nunca mantiveram uma relação próxima. Ainda assim, a comissão técnica francesa passou a utilizar princípios semelhantes aos desenvolvidos pelo espanhol, aproveitando também a presença de jogadores que convivem diariamente com esse modelo em Paris. Dembélé, Doué e Barcola, titulares da seleção, estão entre os atletas que ajudam a transportar esses conceitos para os Bleus.
Segundo o "L'Équipe", as adaptações foram feitas respeitando a realidade das seleções, que dispõem de poucos dias de treinamento antes das competições. Ainda assim, a França conseguiu reproduzir movimentos coletivos que normalmente exigem meses de trabalho em um clube.
Pressão alta virou marca da França
A principal característica herdada do PSG aparece quando a França perde a posse de bola. Em vez de recuar imediatamente, os Bleus procuram recuperar a bola nos primeiros segundos após a perda, pressionando o portador com dois ou até três jogadores. A movimentação é coordenada e exige que todos os atletas participem da ação defensiva.
Quando essa primeira tentativa não funciona, a equipe recompõe rapidamente um bloco intermediário para reduzir os espaços e impedir a progressão do adversário. A troca de posições e os deslocamentos acontecem de forma sincronizada, comportamento que chamou atenção durante a vitória por 2 a 0 sobre o Marrocos, pelas quartas de final. Após a partida, o técnico marroquino Mohamed Ouahbi destacou justamente a capacidade coletiva da França sem a bola.
– A seleção da França nunca teve tantos jogadores capazes de correr juntos. Agora eles têm atletas que trabalham para a equipe e fazem o esforço coletivo. Mesmo quando perdiam a bola, sabíamos que continuariam muito fortes – afirmou.

O jornal francês destaca que esse tipo de organização costuma ser mais difícil de ser reproduzido em seleções nacionais, justamente pelo pouco tempo disponível para treinamentos. No entanto, a convivência diária de parte do elenco no PSG facilitou a assimilação desses comportamentos, permitindo que Deschamps adaptasse o sistema ao ambiente da equipe nacional.
Outro aspecto em que o clube parisiense serviu de referência foi o início das partidas. Assim como acontece frequentemente sob o comando de Luis Enrique, a França passou a utilizar lançamentos longos logo após o pontapé inicial. A estratégia busca instalar a equipe rapidamente no campo ofensivo e iniciar a pressão já nos primeiros segundos do jogo, obrigando o adversário a disputar a posse em uma zona mais distante de seu próprio gol.
Bolas paradas também seguem conceitos utilizados no PSG
A influência do PSG também aparece nas situações de bola parada. Nos escanteios ofensivos, a França tem recorrido com frequência às cobranças em dois tempos, normalmente envolvendo Dembélé e jogadores como Mbappé, Olise ou Doué. O objetivo é movimentar a defesa adversária antes do cruzamento e criar espaços para a finalização.
Segundo o L'Équipe, há uma diferença importante em relação ao trabalho desenvolvido em Paris. No clube, o auxiliar Rafel Pol dispõe de uma temporada inteira para elaborar diferentes variações de jogadas ensaiadas, enquanto a seleção trabalha com um repertório mais reduzido em razão do calendário internacional. Ainda assim, a ideia central permanece semelhante: evitar cruzamentos previsíveis e acelerar a circulação da bola para desorganizar a marcação.
O mesmo acontece nas cobranças de pênalti. Durante a Copa, a França repetiu uma estratégia utilizada pelo PSG na última Champions League para diminuir a pressão sobre o cobrador.
Nas partidas contra Paraguai e Marrocos, Dembélé permaneceu com a bola por vários segundos antes de entregá-la a Mbappé, responsável pela cobrança. Enquanto as atenções dos adversários se concentravam em Dembélé, o capitão francês permanecia isolado, preparando-se para a batida sem interferências.
O procedimento lembra uma jogada executada pelo PSG na decisão da Champions League. Na ocasião, Vitinha assumiu a posse da bola após a marcação do pênalti e atraiu a atenção dos jogadores do Arsenal. Somente no momento da cobrança entregou a bola para Dembélé, que converteu a penalidade.
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