Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Apesar de recuo da Fifa, Uefa se prepara para tentar forçar saída de Infantino

Plano de venda de direitos da Copa provoca racha até no círculo próximo do dirigente

Rio de Janeiro (RJ)
02/08/2026 09:37
Atualizado há 1 hora
Gianni Infantino, presidente da Fifa, se manifestou sobre jogo do Fortaleza (Foto: Luke Hales/Getty Images/AFP)
Infantino sofre forte pressão após divulgação desastrada de projeto com investidores privados (Foto: Luke Hales/Getty Images/AFP)

Desde o seu círculo mais próximo até a base eleitoral nas federações nacionais, o ambiente político de Gianni Infantino na Fifa coloca em xeque não somente sua antes muito provável reeleição em 2027, mas até mesmo a sua permanência no cargo até lá. A Uefa já prepara plano para forçar a destituição ou renúncia do suíço, enquanto surgem novas informações sobre bônus milionários para o dirigente caso o projeto da Fifa Forward Enterprise, que venderia direitos da Copa do Mundo para investidores privados, fosse adiante.

- A proposta se foi. Mas a tarefa de reconstruir a confiança na Fifa só começou - disse a confederação europeia em seu comunicado neste sábado (1).

A situação vem escalando em progressão geométrica. A condução de Infantino na apresentação da proposta de comercializar parte dos direitos do maior torneio se provou um tiro no pé. Mas, apesar do véu de defesa de valores do esporte, toda a situação se resume a uma disputa política que antecede os incidentes na Copa do Mundo, como a revogação do cartão vermelho do atacante americano Balogun. A Uefa vem buscando espaço para lançar um candidato capaz de derrubar o suíço do poder, e Infantino lhes deu toda munição de que precisavam.

➡️Opinião: Infantino tentou usar a ganância, mas acabou engolido por ela

Carlos Cordeiro, Gianni Infantino e Donald Trump
Carlos Cordeiro, Gianni Infantino e Donald Trump em evento na Casa Branca (Foto: Doug Mills/AFP)

Foram diversas polêmicas. O prêmio da paz para Donald Trump iniciou a fritura em âmbito internacional. Uma enxurrada de críticas de todos os lados e uma investigação pelo Comitê de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) que, ainda que não tenha levado a nenhum resultado prático, serviu para desgastar a imagem de Infantino. Depois, o obscuro acordo de patrocínio na Copa do Mundo com a ADI Predicstreet, empresa de previsões com sede em Gibraltar, criada semanas antes do contrato de US$ 150 milhões com a Fifa sem que tivessem sequer um negócio operacional.

Na Copa do Mundo, a submissão às políticas de Trump que afetavam até a isonomia esportiva da competição também contribuíram para a erosão da imagem do dirigente. De tratamentos diferenciados a delegações à proibição do melhor árbitro da África em participar. Tudo foi capitalizado pela Uefa, que prontamente convidou o somali Omar Artan para apitar a final de sua Supercopa, entre PSG e Aston Villa, no próximo dia 12. A Fifa ainda tentou amenizar a situação, garantindo o pagamento integral do cachê do árbitro, mas o estrago já estava feito.

continua após a publicidade

Terminada a Copa do Mundo, a situação estava sob controle. A habitual divulgação dos lucros encheu os olhos dos afiliados, Infantino, apesar das críticas, trocou a protocolar coletiva de encerramento por um pronunciamento ao lado de Trump, amparados pelos US$ 15 bilhões de dólares angariados na competição. Estava tão confiante que emitiu um comunicado atacando os críticos, aconselhando que meditassem e orassem. E aí surgiu a informação do jornal inglês "The Times" do plano de vender parte dos direitos da competição. Para agravar a situação, surgiu a informação de que o empresário Joshua Kushner, que é irmão do cunhado de Trump, Jared Kushner, lideraria a distribuição de 20% das ações do empreendimento.

A Uefa, que perseguia uma oportunidade de contestar a liderança do suíço e alçar um candidato, aproveitou. Sob a bandeira de defesa dos valores do esporte, começou o seu ataque nos bastidores. E conseguiu atingir até mesmo o círculo mais próximo de Infantino. Carlos Cordeiro, o principal conselheiro do dirigente e representante da Fifa na força-tarefa da Casa Branca, pediu demissão alegando que a entidade já dispunha de grandes reservas e não precisaria hipotecar o esporte recorrendo ao mercado financeiro. O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, criticou o que chamou de projeto de uma pessoa só.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino em coletiva durante o Mundial de Clubes
Presidente da Fifa, Gianni Infantino em coletiva durante o Mundial de Clubes (Foto: Juan Mabromata/AFP)

As confederações, até as aliadas, se viram na parede, obrigadas a tomarem posição. E, com a crise de imagem, se juntaram à Uefa nas críticas. Concacaf, AFC, parte da base política do suíço, emitiram comunicados reclamando de só terem sido informadas do projeto pela imprensa. CAF, OFC e Conmebol adotaram posturas mais neutras marcando reuniões para analisar a proposta. Nem deu tempo. Com a pressão imposta pela Uefa ao afirmar, após decisão unânime de seus afiliados, que não participaria das competições da Fifa até que a projeto da Fifa Forward Enterprise fosse abandonado, a entidade máxima se viu obrigada a recuar.

E a Uefa, de novo, aproveitou. Na manhã deste sábado (1), emitiu um comunicado dizendo ter perdido a confiança em Infantino e acenando já abertamente com um movimento para renúncia do dirigente. A próxima eleição da Fifa será no Congresso de 2027, em março, e a percepção da proposta da Fifa Forward Enterprise é de que seria uma tentativa de distribuir dinheiro para garantir um novo mandato. Só que, ao ignorar os próprios protocolos e impor uma data para os afiliados aceitarem ou ficarem sem acesso à verba, Infantino se sabotou.

continua após a publicidade

Infantino teria salário 6 vezes maior com proposta da FFE

O presidente da Fifa passou a se pronunciar nas redes sociais afirmando que foi um mal-entendido e o processo seria democrático, mas o dano já era tal que os pronunciamentos foram inócuos. Restou desistir do projeto. Mas nem isso, agora, foi suficiente. As críticas continuam, e as denúncias também. O "The Times", neste sábado, publicou que Infantino lucraria milhões caso o projeto da Fifa Forward Enterprise (FFE) fosse adiante.

"Fontes a par do esquema afirmam que a intenção era que Infantino se tornasse diretor-executivo ou comissário após sua presidência, com um salário base — antes de quaisquer bônus — de 30 milhões de dólares (cerca de 22,2 milhões de libras) por ano. A Fifa insiste que essa ideia jamais foi discutida", diz um trecho da reportagem de Martyn Ziegler. O salário atual de Infantino é de US$ 4,8 milhões anuais, ou seja: o valor seria mais de seis vezes maior.

Aleksander Ceferin - Uefa
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa;. maior rival político de infantino (Foto: Predrag Milosavljevic / AFP)

Se escolherem ir ao pleito em bloco contra Infantino em 2027, AFC, Concacaf e Uefa têm ampla maioria, com 143 dos 211 votos. O apoio de Conmebol, CAF e OFC não seriam suficientes para manter o suíço no cargo. E os ataques, apesar do recuo da Fifa, parecem longe de acabar. Também neste sábado, o presidente da La Liga, Javier Tebas, deu o tom em suas redes sociais. Em post com o título "Infantino não deve continuar", escreveu:

— Confederações, associações, ligas e jogadores não devem se contentar com essa retirada e considerar o assunto encerrado. A questão é muito mais profunda. (...) Retirar uma proposta não apaga tudo o que aconteceu. É apenas a ponta do iceberg.

continua após a publicidade

O que acontece se Infantino cair?

Há informações de que membros do Conselho da Fifa, órgão com maior poder de decisão na entidade, tentam forçar uma reunião extraordinária para discutir a permanência de Infantino. Pelo estatuto da Fifa, caso o presidente seja afastado do cargo, quem assume a função é o vice-presidente mais antigo em exercício. Atualmente, trata-se de Shaikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa. Ele é presidente da Confederação Asiática de Futebol e membro da família real do Bahrein. Figura com extrema influência nos bastidores da Fifa.

Se assumisse interinamente o posto, o dirigente ficaria no comando da entidade até o 77º Congresso da Fifa, marcado para março do próximo ano, no Marrocos. Com interino ou com Infantino, já está definido que somente neste evento será escolhido o presidente da Fifa para o próximo quadriênio.

A escolha é relativamente simples. As 211 associações membro participam da eleição, com voto secreto. Se houver apenas dois candidatos, vence quem tiver maioria simples — no caso, a partir de 106 votos, se todas estiverem presentes no dia da votação; se forem mais de dois, é preciso alcançar 2/3 (141 votos) para levar no primeiro turno.

continua após a publicidade

Se o número não for atingido, é feita uma nova rodada de votação, com o menos votado ficando fora da disputa. No fim, a concorrência necessariamente fica entre os dois mais votados, que buscarão a maioria simples.

🔥 Ganhe R$100 de volta se sua aposta perder na Esportivabet — aposte R$100 e confira as regras
18+ | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento | Conteúdo comercial | Aplicam-se termos e condições.

continua após a publicidade





Sugerida para você!

Mais LANCE!