Como a CazéTV revolucionou o mercado esportivo e agitou bastidores da Globo?

Canal de Casimiro Miguel foi criado em 2022

PorFábia Anselmo PessoaRio de Janeiro (RJ)
18/06/2026 07:10

Supervisionado porLeonardo Damico,
CazéTV e Globo
CazéTV revolucionou o mercado esportivo desde 2022 (Foto: Reprodução)

Poucos projetos provocaram uma transformação tão rápida no mercado esportivo brasileiro quanto a CazéTV. Em apenas quatro anos, o canal criado a partir da popularidade de Casimiro Miguel deixou de ser uma experiência digital para se tornar um dos principais protagonistas da disputa por audiência, direitos de transmissão e talentos da mídia esportiva nacional.

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O crescimento da plataforma ajudou a acelerar mudanças que já estavam em curso no setor, abriu espaço para novos modelos de negócio e obrigou empresas tradicionais, como a Globo, a reforçarem suas estratégias digitais para dialogar com uma nova geração de consumidores de conteúdo esportivo.

Antes da CazéTV, a LiveMode

Embora tenha sido lançada apenas em 2022, a história da CazéTV começou anos antes.

Os responsáveis pela criação do projeto são Sérgio Lopes e Edgar Diniz, fundador também do Esporte Interativo, em 2007. A emissora se destacou justamente por apostar em uma comunicação mais próxima do público e por enxergar o potencial das plataformas digitais antes de boa parte dos concorrentes.

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Após deixarem o projeto, os executivos fundaram a LiveMode, empresa voltada para direitos esportivos, distribuição de conteúdo e desenvolvimento de negócios no setor.

A oportunidade de criar algo novo surgiu durante a pandemia, quando Casimiro Miguel se consolidou como um dos maiores fenômenos da internet brasileira. A combinação entre o alcance do influenciador e a experiência da LiveMode no mercado esportivo deu origem à CazéTV.

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Copa do Mundo 2022

O primeiro grande teste aconteceu na Copa do Mundo do Catar.

Naquele momento, a CazéTV ainda era uma novidade e possuía um pacote reduzido de partidas. Mesmo assim, conseguiu chamar atenção ao apresentar uma proposta diferente da televisão tradicional.

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As transmissões apostavam em uma linguagem mais informal, forte interação com o público e uma cobertura voltada especialmente para espectadores acostumados ao ambiente digital.

O resultado foi imediato. A audiência cresceu ao longo do torneio e alcançou seu ponto máximo na eliminação da Seleção Brasileira para a Croácia, quando a transmissão registrou cerca de 6,9 milhões de usuários simultâneos.

Casimiro Miguel, Luis Felipe Freitas e Serginho, ex-jogador de vôlei (Foto: Instagram/LiveMode)

Copa do Mundo 2026

A plataforma acumulou novos direitos esportivos, aumentou sua equipe de produção e consolidou uma estrutura capaz de competir com empresas tradicionais do setor.

Nos bastidores, a LiveMode também ganhou relevância. A empresa passou a participar de negociações envolvendo clubes, federações e competições nacionais e internacionais, fortalecendo sua posição em um mercado que passou por profundas mudanças após a aprovação da Lei do Mandante.

Ao mesmo tempo, a companhia esteve entre os agentes envolvidos na construção da Liga Forte União (LFU), grupo criado para negociar coletivamente direitos comerciais e de mídia de dezenas de clubes brasileiros.

O crescimento da operação rapidamente passou a ser percebido fora das transmissões. Nos últimos anos, a CazéTV contratou profissionais que construíram suas carreiras em empresas tradicionais da comunicação esportiva. Nomes como Bárbara Coelho, ex-Globo, Fred Caldeira, ex-TNT Sports, e Fernando Nardini, ex-ESPN, foram alguns dos exemplos mais conhecidos de uma movimentação que chamou atenção do mercado.

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A disputa deixou de acontecer apenas pelos direitos de transmissão. Ela passou a envolver narradores, repórteres, comentaristas e novos formatos de cobertura.

Se a Copa do Mundo de 2022 apresentou a CazéTV ao grande público, a edição de 2026 consolidou a plataforma entre os principais grupos de mídia esportiva do país.

A diferença entre os dois Mundiais ajuda a dimensionar a velocidade dessa evolução. No Catar, o canal possuía um pacote limitado de jogos. Quatro anos depois, passou a transmitir os 104 confrontos da competição.

Antes mesmo da estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, a plataforma já havia registrado o maior pico de audiência de sua história. Durante a transmissão, a marca ultrapassou os 12 milhões de usuários simultâneos.

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O crescimento também foi sentido por quem acompanhou a evolução do projeto desde o início.

Em entrevista ao Lance!, na série "Vozes da Copa", o repórter Guilherme Beltrão destacou a dimensão da cobertura realizada pela emissora.

— Parece que a ficha ainda não caiu muito do que vai ser a Copa do Mundo, o tamanho da responsabilidade que está nas nossas mãos. Mas, ao mesmo tempo, também é um privilégio. A gente nasceu na Copa do Mundo, então temos uma relação muito especial com essa competição.

Beltrão também comparou a experiência da edição atual com o trabalho realizado em 2022.

— É diferente cobrir a Seleção in loco, que vai ser a minha função nessa Copa, do que foi na passada, em que a gente fez do estúdio. Já tive a oportunidade de cobrir eventos assim no campo, mas uma Copa do Mundo é outra parada. É um privilégio muito grande estar transmitindo os 104 jogos.

Beltrão (à esquerda) se destacou na última Copa do Mundo (Foto: Reprodução/Instagram)

O efeito sobre a Globo

A ascensão da CazéTV teve impacto direto sobre o mercado e também sobre seus concorrentes. Durante décadas, a Globo liderou praticamente sem rivais relevantes as grandes transmissões esportivas do país. O avanço das plataformas digitais, porém, criou um novo cenário.

Com capacidade de reunir milhões de espectadores simultaneamente no YouTube e forte identificação com o público jovem, a CazéTV passou a disputar atenção em um território que antes pertencia quase exclusivamente às emissoras tradicionais.

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A resposta veio por meio de investimentos cada vez maiores no ambiente digital. Além da integração entre TV Globo, SporTV, Globoplay e ge.globo, o grupo lançou a GeTV antes da Copa de 2026, ampliando sua presença em plataformas voltadas para o consumo online.

A competição entre os dois modelos também ficou evidente na discussão sobre o delay das transmissões. Enquanto a Globo destaca a velocidade da TV aberta e incentivava o uso de antenas digitais, a CazéTV reforçava o acesso a todos os 104 jogos do torneio em ambiente digital.

A Getv, fez questão de chamar atenção para o delay na transmissão da Cazé durante a Copa do Mundo. O canal da Globo publicou um vídeo após o jogo da Seleção Brasileira e provocou a rival, reforçando o atraso da transmissão do canal de Casimiro em relação ao da emissora líder de audiência.

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