As maiores decepções dos 16 avos de final da Copa do Mundo

O novo formato da Copa fez duas potências europeias caírem precocemente

PorLucas Moreira GomesRio de Janeiro (RJ)
04/07/2026 12:39
Joshua Kimmich esconde o rosto com a camisa em decepção após eliminação da Alemanha para o Paraguai na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Jewel Samad / AFP)
Joshua Kimmich esconde o rosto com a camisa em decepção após eliminação da Alemanha para o Paraguai na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Jewel Samad / AFP)

A inédita fase de 16 avos de final da Copa do Mundo fez suas primeiras vítimas de peso. Em um formato que aumentou os riscos para as seleções tradicionais, Alemanha e Holanda deram adeus ao torneio logo no primeiro confronto eliminatório, o que frustrou torcedores e amantes dos grandes clássicos. O impacto das eliminações foi imediato: provocou a demissão de Ronald Koeman do comando holandês e o fim do ciclo de Julian Nagelsmann na seleção alemã.

O drama alemão diante do paredão paraguaio


A Alemanha desembarcou no Mundial respaldada por uma sólida campanha nas Eliminatórias Europeias. Líder do Grupo A com 15 pontos, a equipe se recuperou de um tropeço na estreia contra a Eslováquia e emendou cinco vitórias consecutivas, o que dissipou as desconfianças antes do torneio.

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Na fase de grupos da Copa, os alemães confirmaram o favoritismo no Grupo E. Estrearam com uma goleada avassaladora por 7 a 1 sobre Curaçao, sob o brilho de Kai Havertz. Na sequência, garantiram a vaga em um duelo equilibrado contra a Costa do Marfim, decidido com um gol de Deniz Undav aos 49 minutos do segundo tempo. A derrota para o Equador na última rodada, quando a classificação já estava assegurada, foi vista apenas como um deslize.

O atacante da Alemanha Undav (e) é festejado ao marcar o gol da virada sobre a Costa do Marfim na Copa do Mundo (Foto: Cole Burston / AFP)
O atacante da Alemanha Undav (e) é festejado ao marcar o gol da virada sobre a Costa do Marfim na Copa do Mundo (Foto: Cole Burston / AFP)

O destino, contudo, guardava uma armadilha no sorteio dos 16 avos de final: o Paraguai. Os sul-americanos abriram o placar aos 42 minutos da etapa inicial, com um gol de cabeça de Julio Enciso, e fecharam os caminhos com uma estratégia defensiva compacta.

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Embora Havertz tenha empatado o jogo aos nove minutos do segundo tempo, a Alemanha parou no goleiro Orlando Gill. O arqueiro de 26 anos realizou seis defesas difíceis entre o tempo regulamentar e a prorrogação, coroou sua atuação com dois pênaltis defendidos na disputa alternada e garantiu o triunfo paraguaio por 4 a 3. Pelo desempenho histórico, Gill recebeu nota 9,9 no SofaScore, a maior do jogo.

Orlando Gill do Paraguai
Orlando Gill comemora classificação do Paraguai na Copa (Imagem: FRANCK FIFE / AFP)

Fim de ciclo e novos rumos

O revés em solo norte-americano reascendeu o alerta na tetracampeã mundial. Após as quedas na fase de grupos em 2018 e 2022, a Alemanha voltou a decepcionar, embora tenha liderado sua chave desta vez. A equipe segue distante do protagonismo internacional e presa às memórias do título de 2014.

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Em comunicado oficial, a Federação Alemã confirmou o encerramento do trabalho de Julian Nagelsmann e revelou que Jürgen Klopp é o principal alvo para assumir o cargo.

Holanda cai diante de Marrocos em noite de fortes emoções

A Holanda também chegou à Copa do Mundo cercada de expectativas. A "Laranja Mecânica" dominou o Grupo G das Eliminatórias com 20 pontos, fruto de seis vitórias e dois empates contra Finlândia, Malta e Lituânia.

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No Mundial, o início no Grupo F guardou fortes emoções. Apesar do tropeço na estreia diante do Japão — que garantiu a vitória por 2 a 1 com um gol de Kamada aos 44 minutos da etapa final —, os holandeses reagiram rápido. Aplicaram um sonoro 5 a 1 na Suécia, com exibições de gala de Brian Brobbey e Cody Gakpo, e fecharam a primeira fase com um triunfo por 3 a 1 sobre a Tunísia, assegurando a liderança.

Jogadores da Holanda comemoram gol marcado contra a Tunísia
Holanda vai enfrentar Marrocos na segunda fase da Copa do Mundo (Foto: Richard Pelham/Getty Images/AFP)

Nos 16 avos de final, o desafio foi contra o Marrocos, semifinalista do último Mundial. O confronto dramático ganhou contornos ainda mais intensos quando Cody Gakpo abriu o placar na reta final da partida. O atacante foi às lágrimas na comemoração; ele entrou em campo poucos dias após a perda do filho que sua esposa esperava, no momento mais comovente da competição.

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A vantagem holandesa, no entanto, ruiu aos 46 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro Diop subiu mais alto e empatou o jogo de cabeça, sem chances para o goleiro Verbruggen. Após uma prorrogação sem gols, os marroquinos levaram a melhor nos pênaltis por 3 a 2 e carimbaram o passaporte para as oitavas de final.

Gakpo e De Jong lamentam queda da Holanda para Marrocos nos pênaltis
Holanda cai para Marrocos nos pênaltis e amplia jejum pelo título mundial (Foto: Alfredo Estrella/AFP)

A exemplo da Alemanha, a 12ª participação da Holanda em Mundiais terminou antes do esperado. O revés da três vezes vice-campeã mundial motivou o pedido de demissão do técnico Ronald Koeman, o que força a federação holandesa a antecipar o planejamento para o próximo ciclo de seleções.

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