Análise – Brasil não ganha mais Copa, mas ensina ao mundo que a bola pune
Seleção inicia fila de maior jejum na história dos Mundiais

EAST RUTHERFORD, NJ (EUA) - Em um esporte tão imprevisível quanto o futebol, há poucas certezas. Uma delas é que a bola pune, sobretudo em uma Copa do Mundo. Há pouco espaço para erros, e o Brasil decidiu abusar deles neste domingo (5), diante da Noruega. Não mereceu vencer, mas mereceu encerrar com a pior campanha desde a Copa do Mundo de 1990.
➡️Brasil erra demais, se curva a Haaland e dá adeus à Copa do Mundo
A diferença é que há 36 anos o Brasil caiu nas oitavas de final para a Argentina de Maradona e Caniggia, então campeã mundial, não para a Noruega de Haaland.
A derrota por 2 a 1 no MetLife Stadium começou a ser construída ainda no primeiro tempo, em que o Brasil passou 50 minutos correndo atrás da bola, e em momento algum teve a posse ou o domínio da partida.
Num jogo assim, em que é o adversário que propõe o jogo, é imperativo que se aproveitem as raras oportunidades. E nenhuma foi melhor no primeiro tempo do que o pênalti sofrido por Matheus Cunha, desperdiçado por Bruno Guimarães.
Perder pênalti é do jogo, acontece. Não acontecia para o Brasil em uma Copa do Mundo desde 1986, mas acontece. O problema é que Bruno Guimarães telegrafou a cobrança e perdeu força na perna no momento em que diminuiu a corrida para a bola. O volante, diga-se, foi um dos melhores jogadores da Seleção Brasileira neste Mundial. Mas errou, e no futebol moderno, assim como no antigo, há pouco espaço para erros.
Quase tão inaceitável quanto desperdiçar um pênalti em um jogo eliminatório de Copa do Mundo é perder o gol que perdeu Endrick pouco depois de entrar em campo no segundo tempo.
Novamente, errar é humano e do jogo. Perder e dar adeus a um torneio, também.
Deste domingo até a Seleção Brasileira pousar no Aeroporto do Galeão, serão feitas as mais distintas análises e todas elas estarão certas. Vai ter razão quem questionar as escolhas de Carlo Ancelotti para o jogo e para a própria Copa do Mundo. Vai ter razão quem criticar a demora para colocar Neymar e quem criticar o fato de ele ter entrado em campo. E vai ter razão quem afirmar que a culpa toda é da CBF e do ciclo totalmente bagunçado que culminou na eliminação deste domingo.
Mas no fim, nada disso importa. O que importa é que a outrora Seleção mais temida do planeta está há 24 anos sem vencer uma equipe europeia em mata-mata de Copa do Mundo, mesmo as médias. E que chegará a 2030 com o maior jejum em um século de Mundiais.
Ou algo muda de verdade, ou o que acontecerá com o Brasil numa Copa do Mundo será outra das raras coisas previsíveis no futebol.

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