Atlanta 30: vexame galático? O bronze amargo do futebol brasileiro
Time estrelado sofreu derrota para a Nigéria e decepcionou nas Olimpíadas

Dois anos após o tetra da Copa do Mundo de futebol, o Brasil tinha a chance de fazer história e ampliar o domínio nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996. O time cheio de estrelas e comandado por Zagallo chegava como um dos favoritos para conquistar a então inédita medalha de ouro. Porém, uma derrota para a Nigéria na semifinal acabou com o sonho e deixou a campanha com um gosto amargo.
O elenco contava com três atletas remanescentes do tetra: Aldair, Bebeto e Ronaldo. Outros quatro, já consagrados e que anos mais tarde participariam da conquista do penta, também foram convocados: Rivaldo, Roberto Carlos, Luizão e Dida.

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Vale lembrar que, 30 anos atrás, o Brasil estava longe de ser um protagonista em Olimpíadas e, até os Jogos de Atlanta, havia conquistado no máximo duas medalhas de ouro em uma mesma edição. O futebol era, então, uma das grandes esperanças do torcedor para mudar esse cenário. A Seleção já havia batido na trave em duas ocasiões, com a prata em Los Angeles 1984 e Seul 1988.
Na fase de grupos, a campanha começou balançando as expectativas, com uma derrota por 1 a 0 para o Japão. Mas o time embalou na sequência, ao vencer Hungria, por 3 a 1, e Nigéria, por 1 a 0. Bastou uma vitória por 4 a 2 sobre Gana para garantir a vaga na semifinal.
Decepção na semifinal
O rival por uma vaga na final olímpica de futebol era a Nigéria e, após a vitória na fase de grupos, o Brasil parecia conhecer o caminho para levar a melhor. O gol de Flávio Conceição, em cobrança de falta logo no primeiro minuto de jogo, aumentou a confiança. Nem mesmo o gol contra de Roberto Carlos, que deixou o placar empatado, parecia ter alterado os rumos da partida. Com gol de Bebeto e mais um de Flávio Conceição, o Brasil foi para o intervalo vencendo por 3 a 1.
No segundo tempo, o goleiro Dida defendeu um pênalti cobrado por Okocha, e o roteiro para a final se desenhava perfeitamente. A jornada heroica estava apenas começando, mas a favor da Nigéria. Aos 35 minutos, um contra-ataque certeiro terminou nos pés de Ikpeba, que fez o segundo gol dos africanos. Nos acréscimos, Kanu deixou tudo igual e levou o jogo para a prorrogação.
O empate era um balde de água fria nos brasileiros, que tiveram a vitória nas mãos. Mas o drama não durou muito a aumentar, já que, naquela época, valia a regra do gol de ouro, que encerrava a prorrogação assim que o primeiro gol fosse marcado. Foram precisos apenas quatro minutos para que o atacante Kanu balançasse as redes, confirmasse a vitória da Nigéria por 4 a 3 e a eliminação brasileira.
Porém, o Brasil não foi o único país com tradição no futebol a sofrer com a Nigéria. Na final, a equipe venceu a Argentina por 3 a 2 e se tornou a primeira nação africana a conquistar uma medalha de ouro olímpica na modalidade.

Goleada pelo bronze
Apesar da decepção, a Seleção Brasileira não podia voltar para casa de mãos vazias. No duelo pela medalha de bronze e pela honra, a equipe enfrentaria Portugal. No dia 2 de agosto de 1996, o time entrou no Sanford Stadium e garantiu seu lugar no pódio com uma goleada por 5 a 0. Foram três gols de Bebeto, o artilheiro do torneio, um de Ronaldo e um de Flávio Conceição.
Pódio solitário do futebol
Além da decepção, a campanha do Brasil nas Olimpíadas de Atlanta terminou com uma imagem inusitada. A cerimônia de entrega das medalhas foi feita imediatamente após o fim do jogo contra Portugal, quebrando o protocolo olímpico. A Seleção foi premiada em um pódio solitário, que também impactou no cenário da grande final. No dia seguinte, Nigéria e Argentina subiram em um pódio curioso de apenas dois degraus.

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