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Pedro Emanuel explica mudança do desempenho do Vasco: 'Zeramos tudo'

Treinador destacou a atuação do Cruz-Maltino, principalmente no primeiro tempo

PorPedro CobaleaRio de Janeiro (RJ)
06/08/2026 00:31
Atualizado em 14/08/2026 00:26
Pedro Emanuel na coletiva do Vasco após a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil
Pedro Emanuel na coletiva do Vasco após a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil (Foto: Pedro Cobalea/Lance!)

Após a classificação do Vasco para as quartas de final da Copa do Brasil, o treinador Pedro Emanuel foi perguntado sobre qual foi a chave para a melhora do desempenho do Cruz-Maltino dentro das quatro linhas. Para o treinador português, ele conquistou melhorar os jogadores individualmente.

- O grande mérito desta mudança (de postura) é deles (jogadores). Pela forma como receberam as ideias que trouxemos para melhorar a equipe. Só poderíamos melhorar a equipe melhorando aspectos individuais. Zeramos tudo, apesar do que vinha sendo feito, algumas coisas boas. Hoje fizemos algumas alterações na equipe e todos estão preparados. É um mérito dos jogadores pela forma como trabalham diariamente. A primeira parte foi quase perfeita, pela forma como encaramos o jogo ofensiva e defensivamente. Um dos grandes predicados que a equipe teve, principalmente na primeira parte na segunda, o desgaste foi grande. Quero realçar a forma como a equipe encarou o jogo. Particularizo o Brenner e o Tchê Tchê mas temos outros exemplos de evolução individual que fazem a equipe ficar mais forte.

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Brenner comemora gol em Fluminense x Vasco pelas oitavas de final da Copa do Brasil
Brenner comemora gol em Fluminense x Vasco pelas oitavas de final da Copa do Brasil (Foto: Nayra Halm /Fotoarena/Folhapress)

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Retorno do Jair

- Não é fácil darmos uma indicação. O jogador, hoje em dia tem que ser mais maleável. Quanto mais capacidade tiver de entender o jogo, mais rapidamente consegue ter importância na equipe. O Jair é esse caso. Por vezes, está na linha de 5, por vezes pressiona. Contra uma equipe muito versátil, com o Lucho jogando entre linhas, por vezes, na linha defensiva, tem o Canobbio. Só um jogador com essa capacidade de equilibrar atrás, no meio e à frente, nos permite estar mais equilibrados. É o grande predicado do Jair, para além da qualidade na saída de bola, a tranquilidade. O jogador fica satisfeito porque a confiança que deposita no treinador é retribuída em dobro.

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Entrada do Barros

- O Barros nos dá coisas muito diferentes, que também fazem muita falta à equipe, mas em uma parte mais física. Na parte técnica e na parte tática, o Jair consegue contribuir naturalmente pela experiência que tem. O Barros vai chegar lá, mas vai precisar do tempo e da evolução dele. Neste momento, o Jair é um excelente exemplo de alguém que não jogava há 11 meses e que começa a ter uma importância muito grande na equipe. E ainda bem, porque nós ganhamos.

Equilíbrio entre Brasileirão e as Copas

- Não vamos abdicar de nenhuma competição. Eu disse a vocês, quando chegamos, na primeira coletiva que tivemos, que não abriria mão de nenhuma competição. Acho que isso não seria justo com a história do Vasco e com a minha forma de trabalhar. Temos um elenco que, naturalmente, precisa de alguns ajustes. Vamos tentar fazê-los em função disso, porque todas essas competições nos levam a ter jogos consecutivos. Temos um exemplo concreto no próximo domingo: a equipe adversária terá mais tempo de descanso do que nós. Isso pode ser determinante.

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- Mas nós não vamos abrir mão de nada, porque, se podemos conquistar um título, e foi para isso que eu vim para o Vasco, não vamos abdicar. Concordo perfeitamente, e também já disse que a importância do campeonato (Brasileirão) é fundamental para nós. Temos essa noção, temos essa consciência, mas vamos tentar não abrir mão de nada.

Copa do Brasil

- Isso é, sem dúvida, mérito deste grupo, que voltou a acreditar, voltou a se unir em torno de um objetivo. E hoje era um objetivo muito importante. A Copa do Brasil é uma competição histórica. Ainda no ano passado, estivemos em uma final, não conseguimos vencer. E não vou mentir que o nosso objetivo, chegando a uma fase destas da competição, é ganhar a competição. Vamos já para o próximo passo, mas o mais importante agora é olharmos para o próximo domingo, que, sim, será novamente um desafio bastante exigente para nós.

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A equipe recuperou a confiança?

- Você está dizendo que a torcida sente, e eu, como treinador, também sinto. E isso é fundamental para mim. Sentir que, quando preparamos cada treino e cada jogo, os jogadores estão receptivos e sentem que só temos a melhorar. E concordo também com o que vocês estão dizendo. A cada jogo que passa, estamos sentindo a equipe melhor, mais confortável, com comportamentos diferentes e ajustados à necessidade do jogo, mas nunca perdendo a nossa identidade e nunca perdendo aquilo que o nosso torcedor também procura, que é a entrega total em cada lance, em cada metro, em cada conquista que nós temos no jogo.

Rodízio e oportunidades

- Por isso mesmo, sinto que o grupo está 90% preparado para disputar as três competições, com rodízio. Eu não chamo tanto de rodízio. Chamo mais de dar oportunidades a quem precisa delas e está demonstrando que pode ser importante para a equipe. Temos aqui dois bons exemplos. E temos muitos outros que, tenho certeza absoluta, vão crescer. Mas só podem crescer jogando. Por isso, isso vai envolver todos. Quando tiverem a oportunidade, terão que mostrar serviço. Senão, outro entra no lugar. Acho que essa é a competitividade das várias competições que temos, e é isso que vamos tentar fazer.

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Questão física

- Outra questão muito importante para nós é a condição física. Sabemos que temos vários jogadores com uma sequência grande de jogos, que têm sido muito importantes para nós. Precisamos ponderar para que eles possam estar nas melhores condições. E também para que depois vocês não tenham a possibilidade de criticá-los por não terem uma atuação tão boa. Digo isso brincando, porque os jogadores não são máquinas. O corpo humano sofre desgaste. Por isso, se queremos ter todo o elenco disponível para dar o seu melhor, temos que fazer essa gestão.

Equilíbrio nas laterais

- Um bom exemplo da nossa capacidade ofensiva, e o que eles vão ter que melhorar lá atrás. Hoje eles fizeram um bom jogo com e sem bola. É muito importante que eles percebam que são muito importantes no processo defensivo, principalmente com equipe com essas características, de jogo envolvente. Muitas vezes, o Lucho estava na zona do Cuiabano, outras, o Canobbio. E eles não perderem o foco e terem a capacidade e intensidade de pressionar a bola. Tentamos não dar espaço nem tempo aos jogadores do Fluminense para decidirem com tranquilidade. Quando sofremos 2 a 1, a tendência natural e recuarmos. Não. Tentamos fazer o contrário, manter o foco na primeira pressão, dando frescor com quem entrou. Isso permitiu que não cedêssemos oportunidades ao Fluminense. É necessário coragem e os jogadores demonstraram. Conseguimos puxar o jogo para o nosso lado, com grande mérito dos jogadores.

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- Vim para o Brasil e, de fato, isso me apaixona. A essência do futebol é fazer a torcida feliz. Hoje, não só a torcida sai feliz, mas todos nós, por todo o nosso trabalho. É a satisfação que tenho. Estou apaixonado. Tivemos esse ambiente em nossos jogos, seja no Maracanã ou em São Januário, que faz parte da essência do Vasco. Essa atmosfera do torcedor que sente que a equipe está dando a vida a cada lance. É como um jogador falou no nosso vestiário. Com esse espírito e determinação, vamos ganhar mais vezes do que perdemos.

Até onde esse Vasco pode ir?

- Acho que essa é a pergunta mais difícil que existe no futebol. Até onde nós podemos chegar, o futuro dirá. Eu não posso prever as coisas. Seria como prever hoje como o Bahia vai jogar no próximo domingo e, depois, chegar lá e as coisas não serem assim. Eu tenho uma paixão muito grande por aquilo que faço e por aquilo que sinto. Essencialmente, é assim que funciono na minha vida. E tento passar essa paixão aos jogadores de uma forma natural. Agora, a minha forma é apaixonada. E vocês me veem ali, às vezes, na beira do campo. Só falta entrar em campo, pegar o jogador e empurrá-lo, porque é realmente isso que eu sinto. Eu gosto de poder ter os jogadores motivados e de senti-los motivados. Mais do que ver, porque às vezes vemos, mas não vemos tudo, é sentir que os jogadores estão motivados para aquilo que estão fazendo. E não tenho dúvida nenhuma de que o desempenho deles tem muito a ver com isso, com a motivação que têm demonstrado e colocado no dia a dia. Porque trabalhar, todos trabalhamos. Agora, depende da forma como trabalhamos. Acho que eles têm demonstrado que estão se dedicando bem, que têm esse compromisso e essa responsabilidade com a equipe. E merecem essa classificação. Foi apenas uma vitória em uma competição importante, que nós vamos tentar vencer. Mas o próximo jogo, no domingo, é o mais importante para nós. É aquilo que pode nos dar novamente o ânimo para sairmos de uma zona muito perigosa.

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