Entre Vasco e Boca: Jorginho Paulista viveu os dois lados do confronto e projeta semifinal
Ex-jogador esteve em campo nos quatro confrontos anteriores entre as equipes
Vasco e Boca Juniors se enfrentam nesta terça-feira (13), às 21h30 (de Brasília), na La Bombonera, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana. O confronto marca o reencontro entre os clubes após 25 anos e traz à memória uma história que Jorginho Paulista conhece de perto. O ex-lateral esteve em campo nos quatro duelos anteriores entre as equipes: três vezes com a camisa cruz-maltina e uma pelo time argentino.
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Em entrevista exclusiva ao Lance!, Jorginho relembrou os confrontos, contou detalhes de sua transferência para o Boca Juniors e analisou a pressão de atuar diante da torcida argentina. Mesmo reconhecendo a força do adversário em seus domínios, o ex-jogador demonstrou confiança no Vasco para o duelo decisivo.
A história de Jorginho Paulista com os dois clubes começou a ganhar novos capítulos no segundo semestre de 2000, quando o lateral chegou ao Vasco após enfrentar dificuldades para atuar na Itália em meio ao escândalo dos passaportes falsos.
O ex-jogador contou que a negociação foi conduzida com a participação do então dirigente vascaíno Eurico Miranda e de seu empresário na época, Mino Raiola.
— O Eurico Miranda entrou em contato com o meu agente na época, o falecido Mino Raiola — revelou.
Segundo Jorginho, o Vasco viabilizou seu retorno ao futebol brasileiro por empréstimo. A passagem pelo clube carioca, porém, abriu caminho para uma transferência inesperada: a ida para o Boca Juniors.
O desempenho do lateral em uma partida contra o River Plate chamou a atenção de Carlos Bianchi, treinador do clube argentino naquele período.
— O Vasco jogou contra o River Plate no Monumental de Núñez. O Carlos Bianchi disse que me contratou naquela partida. Ganhamos por 4 a 1 — recordou.

De acordo com Jorginho, o Boca procurava um substituto para Arruabarrena, que atualmete é o treinador da equipe, e sua atuação diante do River foi determinante para despertar o interesse da equipe argentina.
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A experiência, entretanto, durou cerca de oito meses. O ex-lateral explicou que questões financeiras motivaram sua saída, especialmente a crise no país.
— O meu contrato era em dólares e, com a desvalorização do peso, o valor passou a ser em pesos, o que me fez perder muito dinheiro — explicou.
Após deixar o Boca Juniors, Jorginho retornou ao Brasil para defender o Cruzeiro.
Jorginho compara a pressão da Bombonera com São Januário
Com experiência nos dois lados do confronto, o ex-lateral também analisou a atmosfera dos estádios. Para ele, La Bombonera e São Januário compartilham a característica de exercer forte pressão sobre os adversários, mas o estádio argentino leva vantagem pela estrutura.
Jorginho destacou a influência da torcida organizada La Doce, conhecida pelo apoio intenso ao Boca Juniors, e alertou para o impacto psicológico que o ambiente pode provocar nos jogadores visitantes.
— Eles conseguem desequilibrar psicologicamente os jogadores brasileiros, que acabam por entrar na pilha — afirmou.
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Na comparação entre as duas casas, o ex-jogador explicou que o formato da Bombonera contribui para intensificar o barulho e a sensação de pressão dentro de campo.
— La Bombonera leva vantagem por ser totalmente fechada. A estrutura acústica faz com que a fervura seja maior e sufocante — avaliou.

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Apesar disso, Jorginho também valorizou São Januário, estádio que considera fundamental para o Vasco aproveitar o fator casa. Questionado sobre a necessidade de o clube disputar partidas no Estádio Nilton Santos, em vez de utilizar São Januário ou o Maracanã, ele foi enfático.
— Perde total. Por experiência própria, tinha que ser em São Januário — disse.
O ex-lateral ainda apontou o gramado sintético e o ambiente do Nilton Santos como fatores que podem dificultar a adaptação dos jogadores vascaínos.
— O Engenhão tem um relvado sintético a que os jogadores do Vasco não estão acostumados. É um estádio mais frio — acrescentou.
Amizades na Argentina e apoio a Pedrinho
Mesmo após deixar o Boca Juniors, Jorginho manteve boas relações com ex-companheiros do clube argentino. Entre elas, destacou Juan Román Riquelme, atual presidente do Boca, e Marcelo Delgado, diretor de futebol, que, segundo ele, o receberam muito bem durante sua passagem pela equipe.
O ex-jogador contou que os dois chegaram a convidá-lo para passar datas festivas com suas famílias, demonstrando que os laços construídos no período em que atuou na Argentina permaneceram após sua saída.

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Jorginho também comentou sua relação com Pedrinho, atual presidente do Vasco. Apesar de terem sido companheiros de equipe, os dois perderam o contato depois que Pedrinho passou a trabalhar como comentarista. Ainda assim, o ex-lateral manifestou apoio à atual gestão cruz-maltina e desejou sucesso ao dirigente no comando do clube.
— Desejo muito sucesso ao Pedrinho nesta nova gestão, tentando lutar contra muita coisa errada que aconteceu no clube — declarou.
Palpite de Jorginho para a semifinal
Atualmente, Jorginho trabalha na prospecção de jovens talentos no Brasil. Mesmo longe dos gramados como jogador, ele segue acompanhando o futebol e mantém uma ligação especial com os dois clubes que marcaram sua trajetória. Com o retrospecto histórico desfavorável ao Vasco e a pressão de jogar na Bombonera, o ex-lateral acredita que a equipe brasileira pode surpreender os argentinos no primeiro duelo da semifinal. Sua previsão é de dois resultados positivos para o Cruz-Maltino, tanto na Argentina quanto na partida de volta.
— Acho que o Vasco ganha lá na La Bombonera e ganha em casa — reforçou.
O Vasco vai enfrentar o Boca Juniors pela quinta vez em sua história e ainda busca a primeira vitória no confronto direto. Nos quatro encontros anteriores, disputados em 2001 pela Libertadores e pela Copa Mercosul, os argentinos somaram duas vitórias, enquanto os outros dois jogos terminaram empatados.
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