Molecada do Náutico revela: 'Falta até água'

Os garotos do Náutico estão sofrendo com um problema que assombra muitos clubes brasileiros: o descaso com a base. Quartos superlotados e falta de estrutura configuram a realidade dos jogadores mais jovens do Timbu.
Alojados sob a arquibancada do Estádio dos Aflitos, os garotos revelaram ao L! as dificuldades que enfrentam até chegar ao profissional.
No total, são cerca de 40 jovens de todo o Brasil, de 14 a 19 anos, que moram no clube. São três categorias: infantil, juvenil e juniores.
De acordo com os próprios garotos, o alojamento da equipe junior é o pior. O local sofre com superlotação e falta de limpeza, além de não possuir armários e água potável.
O atacante Philip, de 19 anos, promovido à equipe profissional, apontou outra limitação.
– Deveríamos ter uma pessoa mais velha para dormir conosco. Alguém para falar mais alto, estipular horários. Faz tempo que a psicóloga não aparece, um mês e meio, mais ou menos – disparou.
O atacante, porém, diz que isso não o atrapalha em campo.
– Acho que quando você quer vencer na vida, não deve olhar o que pode atrapalhar. Tudo o que aparecer deve se passado por cima, e é isso o que procuro fazer – disse.
O treinador do time principal, Waldemar Lemos, também fez duras críticas à estrutura do clube.
– É decepcionante. De 2009, quando eu estive no clube, para cá, nada mudou. São problemas de todos os tipos – disse o comandante.
Segundo o supervisor das categorias de base, Vinicius Almeida, o Náutico não dispõe de recursos suficientes para a reforma no local:
– Não temos verba suficiente, mas as pessoas estão querendo ajudar. Aguardamos o repasse da diretoria. A situação do alojamento dos juniores não é boa. Mas em breve as obras serão finalizadas. No projeto, queremos até uma sala de jogos.
Alguns juniores têm contrato profissional. Os jogadores das categorias inferiores recebem ajuda de custo: os infantis (14 e 15 anos), R$ 100; os juvenis (16 e 17), R$ 200; e os
juniores, sem contrato, R$ 300. Além de alimentação e estudo.
Alguns sócios do Náutico chegaram a doar armários, aparelhos de ar-condicionado e televisores.
E mais! Clique aqui e veja as imagens do alojamento dos meninos do Náutico.
Bate-Bola - Philip Luis, atacante do Náutico
Como está a situação dos alojamentos da base, em geral?
A situação no alojamento não foge muito do que é falado, mas as coisas estão melhorando. Começaram uma reforma, as coisas vão mudar. Muito do que falam é mentira, as coisas boas não falam. Há cinco anos, não tinha muito na concentração, agora tem.
De quem é a culpa, então?
Vemos que a diretoria está fazendo de tudo para nos ajudar, mas não basta apenas cobrar. Sabemos que a diretoria precisar investir. Mas também temos de cuidar do local. Precisamos ser mais organizados, porque se você come algo e joga no chão, claro que o
ambiente vai ficar sujo. Então, não adianta apenas cobrar a limpeza do lugar na diretoria, também temos de ter consciência.

(Foto: Pedro Paulo Catonho)
Dificuldades também no profissional
Não é apenas no futebol amador que o Náutico enfrenta dificuldades. Os jogadores da equipe profissional têm sofrido com os atrasos de salários. A diretoria do clube alega que o baixo público nos últimos jogos na Série B do Campeonato Brasileiro não paga a folha salarial dos atletas, que gira em torno de R$ 600 mil mensais.
Com os salários atrasados, o lateral-direito Rodrigo Heffer se envolveu em uma polêmica, depois de criticar a diretoria e discutir com alguns torcedores através do Twitter.
Além da questão financeira, o Alvirrubro enfrenta problemas na Justiça. Na última semana, o meia Bruno Meneghel conseguiu uma liminar na Justiça do Trabalho e se desligou do clube, após ser afastado do grupo pelo técnico Waldemar Lemos.
Dentro de campo, a situação do Náutico é menos conturbada. O clube está na nona colocação da Série B, com oito pontos conquistados. Em cinco partidas, o time soma duas vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Hoje, encara o Paraná, em casa.
Os problemas
Acesso
Degraus que dão acesso ao alojamento mostram paredes pretas de sujeira e cobertas de mofo. Da entrada do local é possível ver a falta de higiene no banheiro.
Superlotação
Os quartos deveriam acomodar seis pessoas. No entanto, o número chega a até oito jogadores dividindo as beliches. Um varal tem de ser improvisado para pendurar as roupas.
Saneamento básico
Falta bebedouro para água potável. Além disso, jogadores reclamam da falta de limpeza. A higiene é feita por apenas um funcionário.
Orientação
Jogadores também dizem que poderia haver um funcionário do clube que passasse mais tempo com eles, olhando por eles. Cobram, ainda, presença mais ativa da psicóloga.
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