Londres-2012 coroa Phelps e Bolt, e Brasil consegue melhora

Depois de Pequim-2008, quando a China, país-sede, ficou em primeiro no quadro geral de medalhas, Londres-2012 marcou a retomada dos Estados Unidos como principal potência olímpica. Dessa vez os chineses, que chegaram a ficar na ponta até os últimos dias de competições, não conseguiram bater os americanos. Os Estados Unidos tiveram seis pódios a menos que em Pequim (104), mas fizeram a diferença nos ouros. Foram dez a mais.
O Reino Unido também não decepcionou como anfitrião. Fez uma das melhores campanhas de sua história com 65 pódios, 18 a mais que na capital chinesa. O Brasil, entre surpresas e decepções, termina Londres-2012 com o maior número de pódios de sua história (17). Mas sem ainda conseguir bater o número de ouros de Atenas-2004 (5). Agora é aguardar o Rio-2016...
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Um total de 85 países ganharam pelo menos uma medalha em na Olimpíada de Londres. E sete países estrearam no quadro de medalhas nesta edição: Guatemala, Bahrein, Botswana, Chipre, Gabão, Granada e Montenegro.
Um dos atletas americanos que ajudaram, e muito, sua nação a voltar a dominar o quadro de medalhas é Michael Phelps. O nadador conquistou em Londres mais seis medalhas (quatro ouros e duas pratas), totalizando 22 em três edições olímpicas, superando a marca de 18 medalhas da ex-ginasta soviética Larissa Latynina. Phelps, que nadou sua última Olimpíada, ainda mantém o recorde de medalhas de ouro (18) e de títulos em uma mesma edição dos Jogos (oito), em Pequim-2008.
Além de Phelps, a natação americana apresentou ao mundo sua nova estrela, a jovem Missy Franklin, de 17 anos, ganhadora de quatro ouros e um bronze em Londres. Feito de gente grande. No Rio, em 2016, certamente ela será uma das protagonistas dos Jogos.
Thiago Pereira e Cielo e as duas medalhas do Brasil na natação (Foto: Divulgação/Rio 2016)
Na delegação brasileira, Cesar Cielo, cotado como favorito para conquistar o bicampeonato olímpico nos 50m livre e subir ao pódio nos 100m livre, ficou apenas com o bronze nos 50m. A surpresa foi Thiago Pereira, que superou até Phelps nos 400m medley para garantir a prata. No mais, o esporte não teve bons resultados para o Brasil.
No atletismo, o grande destaque foi o jamaicano Usain Bolt, que repetiu o feito de Pequim e levou a medalha de ouro nos 100m, nos 200m e no revezamento 4x100m, nesta última com recorde mundial para o país (36s84). A Jamaica, por sinal, dominou o pódio dos 200m rasos, com Bolt, Yohan Blake e Warren Weir.
Assim como Bolt, a americana Alyson Felix conquistou os três ouros que disputou em Londres, nos 200m e nos revezamentos 4x100m e 4x400m. Nos 4x100m, as americanas bateram o recorde mais antigo que restava. A antiga marca havia sido estabelecida pela extinta Alemanha Oriental há 27 anos.
Bolt, Blake e Weir dominaram o pódio dos 200m rasos (Foto: Francisco Leong/AFP)
Enquanto isso, o Brasil decepcionou sem uma medalha sequer no atletismo, o que não acontecia desde os Jogos de Barcelona-1992, há 20 anos. Candidatas a subir ao pódio, Maurren Maggi nem chegou à final do salto em distância para defender seu título olímpico. Fabiana Murer, no salto com vara, teve problemas com o vento e também não se classificou para decisão, assim como Mauro Vinícius, o Duda, no salto em distância, e o revezamento 4x100m masculino. O melhor papel ocorreu apenas no último dia, com o quinto lugar de Marilson Gomes dos Santos na maratona, seguindo por Paulo Roberto de Almeida Paula, em oitavo, e Franck Caldeira, em 13º.
Se no atletismo falhou e na natação apenas duas medalhas foram conquistadas, o judô e o boxe surpreenderam positivamente. Sarah Menezes conquistou o primeiro ouro do judô feminino brasileiro. Além dela, Felipe Kitadai, Mayra Aguiar e Rafael Silva ficaram com o bronze, fazendo o judô ultrapassar a vela no número total de medalhas olímpicas conquistadas. Agora são 19 contra 17 da vela, que teve em Robert Scheidt/Bruno Prada o único pódio em Londres: bronze na classe Star.
Já o boxe quebrou o jejum de 44 anos sem medalhas olímpicas com logo três. A primeira, o bronze de Adriana Araújo, logo na estreia da modalidade feminina nos Jogos. Depois, com os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão. Esquiva ficou com a prata e Yamaguchi, com o bronze, fazendo o esporte voltar a subir ao pódio olímpico.
Sem disputar uma Olimpíada há 16 anos, a Seleção masculina de basquete reviveu os bons momentos com vitórias importantes em Londres. Mas a derrota para a Argentina nas quartas de final tirou a equipe de Rubén Magnano da disputa por medalhas. A Seleção feminina, por outro lado, repetiu o fiasco de Pequim e conseguiu apenas uma vitória, quando já estava eliminada na primeira fase.
E, como esperado, as equipes de basquete dos EUA dominaram completamente os Jogos, sem terem um derrota sequer. O time masculino alcançou o recorde de mais pontos anotados em uma partida ao vencer a Nigéria por 156 a 73. A equipe feminina também levou o ouro e ampliou sua sequência de vitórias nos Jogos, que já dura desde Atlanta-1996.
No futebol, a Seleção masculina viu o favoritismo ir para o espaço com mais uma derrota na final: 2 a 1 para o México e mais uma prata amarga no peito. No feminino, Marta, Cristiane & Cia. pararam nas campeãs mundiais japonesas nas quartas de final. Mas a atacante Cristiane se tornou a recordista de gols em Olimpíadas, com 12.
No vôlei e vôlei de praia, quatro medalhas conquistadas. A surpresa foi a superação do grupo de José Roberto Guimarães para bater as favoritas americanas na decisão. E a decepção ficou para o time masculino, que, vencendo a Rússia por 2 sets a 0 e tendo dois pontos do título, sofreram a virada, com uma atuação magistral do gigante Muserskiy, de 2,18m. Foi a despedida de Giba da Seleção, que também pode perder outros jogadores da geração dourada do Brasil. Na praia, prata com Emanuel e Alison e bronze com Juliana e Larissa.
Outra boa surpresa brasileira foi Arthur Zanetti, ouro nas argolas, dando a primeira medalha à ginástica nacional em Olimpíadas.
Fechando o quadro de medalhas do Brasil, o bronze de Yane Marques no pentatlo moderno foi um prêmio pela dedicação da atleta, no último dia de competições.
Em Londres, o Brasil superou a sua melhor marca olímpica, com 17 medalhas. Mas, se o Brasil quiser fazer um bonito papel nos Jogos do Rio, muito ainda precisa ser feito. Até 2016!
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