No centenário, Santos evita loucuras, 'pechincha' e só contrata por empréstimo

– Quando vai negociar com o Santos dá até raiva. Tenho que sentar à mesa com um lenço, de tanto que os caras (diretores) "choram". Não querem pagar nada.
A frase acima, dita por um empresário de jogador que negociou com o Santos, que não quis se identificar, retrata a postura adotada pela diretoria alvinegra para contratar nesta temporada. Com poucos recursos para investir, o clube "pechincha" e investe apenas em reforços baratos. Ou melhor, de graça.
Se ano passado o Peixe investiu alto em nomes como Henrique, Diogo e Ibson (contratação mais cara da história do clube, por cerca de R$ 9 milhões), em 2012 a equipe adquiriu jogadores apenas por empréstimo. Depois de trazer Juan, Fucile e Gerson Magrão, na última sexta-feira foi a vez do time de Vila Belmiro acertar com Bernardo, meia do Vasco.
Além de não fazer "loucuras" nas negociações, o Santos tenta diminuir ao máximo os valores de salários, luvas e comissões a agentes de jogadores. Tudo isso por conta da alta folha salarial do clube, que é de cerca de R$ 5,4 milhões mensais.
O "aperto" financeiro do Peixe se intensificou no segundo semestre do ano passado, quando, além de trazer jogadores com altas remunerações, casos de Borges e Ibson, por exemplo, o clube ofereceu um robusto aumento salarial para Neymar ficar na Vila Belmiro até a Copa de 2014.
– Quando vamos contratar, a parte financeira é o fator prioritário. Afinal, precisamos ter dinheiro para comprar o atleta e honrar os salários – comentou Felipe Faro, superintendente de esportes do Alvinegro.
Gerson Magrão também chegou por empréstimo (Foto: Ivan Storti)
Assim, a diretoria santista tem de desdobrar para atender aos pedidos do técnico Muricy Ramalho. Apesar de compreender a realidade do clube, o treinador pressiona para que o elenco seja reforçado. Segundo ele, o Santos não pode cometer o mesmo erro do ano passado, quando sentiu muito as perdas de jogadores machucados e à serviço da Seleção.
Apesar de já ter feito quatro contratações, o Peixe continua atento ao mercado. Reforçar a lateral direita e a zaga está na pauta. A "pechincha" é focada principalmente em clubes do interior. Se o jogador for bom e barato, entra na mira!
Bate-Bola com Felipe Faro, superintendente de esportes do Santos, ao LANCENET!
A política do Santos é contratar apenas sem custos ou o clube também está disposto a investir para se reforçar, caso necessário?
Todo clube quer ter bom jogador e pagar o menos possível. Isso acontece em qualquer ramo de atividade. O Santos persegue isso. Nem sempre conseguimos, como foi ano passado, com Henrique, Ibson e outros, por motivos diversos. Eram jogadores importantes e decidiu-se investir. Também estamos dispostos a gastar, depende do negócio. Cada caso é um caso e vamos analisar as situações sob diferentes prismas.
Quais prismas?
Primeiro observamos a parte financeira, depois o futebol, o talento do jogador, e, por fim, a valorização e rendimento futuro que ele pode trazer para o Santos. Se amanhã tiver que "colocar" dinheiro em algum jogador e julgarmos que um bom investimento, vamos fazer.
Por que tanta "pechincha"?
Pois temos responsabilidade, honramos salários, sempre em dia. Isso nos dá credibilidade.
Então valor é prioridade?
Sim, mas junto temos de saber se o atleta tem o perfil do Santos. Com isso, tentamos diminuir o risco das contratações ao máximo.
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