Exclusivo: fisioterapeuta de João Fonseca fala da trajetória e desafios
Egídio Magalhães Jr., desde o início de 2024, viaja com a equipe do número 1 do Brasil

Quem acompanha, in loco ou pela televisão, o número 1 do Brasil, certamente, já viu Egídio Magalhães Jr.. Afinal, desde o início de 2024, o fisioterapeuta faz parte da 'família' que acompanha João Fonseca nos torneios ao redor do mundo. Na primeira parte da entrevista exclusiva ao Lance!, o profissional fala sobre sua trajetória e os desafios nos torneios com o carioca, de 19 anos. Nesta quarta, às 12h, o 27º melhor tenista do mundo, recuperado da lesão na coluna que o fez desistir de dois torneios no início do ano (Brisbane e Adelaide), estreia no Masters 1000 de Montreal, no Canadá, contra o grego Stefanos Tsitsipas (53º).
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O técnico Guilherme Teixeira e o preparador físico Emmanuel Jimenez, o Manolo, completam o trio de fiéis escudeiros do 27º melhor tenista do mundo nas viagens pelo circuito. O treinador argentino Franco Davin acompanha a equipe em torneios pontuais. O fisioterapeuta Duda Delorme, que trabalha com João Fonseca desde a infância, também integra o time do número 1 do Brasil e divide o trabalho, ficando mais no Rio de Janeiro.
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A equipe que cuida da saúde do número 27 do mundo ainda é composta pelos médicos, Dr. Felipe Malzac e Dr. João Felipe Franca, que é tio do João, e pela nutricionista Julia Engel.
No desafiador circuito mundial, com tantas viagens, o trabalho de Egídio depende do tamanho dos torneios. Nesta semana, em Montreal, por exemplo, há um intervalo de dois dias entre os jogos.
- Há os mais curtos, com menos tempo para descanso. Por outro lado, tem os Grand Slams, com margem de descanso maior, mas, ao mesmo tempo, podem ter partidas de cinco sets. É preciso entender essa fisiologia para programar o descanso, o treinamento, a fisioterapia. Geralmente começamos o dia com uma fisioterapia e 90% dos dias terminam com ela.

De uma maneira geral, jogar tênis, em alto nível, já exige bastante do corpo, alerta Egídio. E o fisioterapeuta aponta uma das partes mais sensíveis dos atletas:
- Não conheço tenista, por exemplo, que não tenha o tornozelo bastante rígido. Mas tem que trabalhar a mobilidade dessa parte do corpo. Caso contrário, o joelho e o quadril vão ser super solicitados para suprir a demanda do tornozelo.
Controle de carga
Os tipos de superfície também são uma preocupação. Vale lembrar que o tenista carioca jogou, no início de julho, em Wimbledon, na grama, enquanto o desafio em Montreal é na quadra rápida:
- Há troca de piso toda hora, muda a dinâmica do jogo, do movimento. Na grama, por exemplo, a bola não sobe tanto, então tem que jogar mais abaixado. Tudo isso interfere no entendimento de que tudo tem que estar bem ajustado. É preciso ter um controle de carga e atenção nas articulações do quadril, coluna, joelho, tornozelo, ombro e cotovelo.
O fisioterapeuta destaca que 'tudo é estudado para ele performar da melhor maneira possível'. E enumera a importância da fisioterapia nessa modalidade:

- O tênis tem várias especificidades, uma dinâmica muito diferente de todos os outros esportes. Tem a questão do trabalho com membros inferiores, superiores, muito tronco. Se você pegar outros esportes, não tem tantas demandas assim, e o tênis tem. Ele exige todo o seu corpo, as articulações têm que estar sinergicamente trabalhando para conseguir performar.
A tecnologia é uma aliada da fisioterapia no tênis. E Egídio sempre viaja com o melhor tenista do país levando duas malas com equipamentos:
- Hoje em dia você tem acesso a muitos dados, há bastante tecnologia envolvida. Então, é preciso entender todos esses dados e usá-los para conseguir determinar treino, descanso, dia após jogo, após treino, pré-treino, temporada, intertemporada. Hoje a fisioterapia, a preparação física e todos os demais membros da equipe de saúde de um atleta têm um papel fundamental. Primeiro, para performance e, também, para a longevidade.
Egídio cita Novak Djokovic, recordista de títulos de Grand Slams (24), aos 39 anos, como um grande exemplo de longevidade na modalidade, com a ajuda da fisioterapia. Aliás, foi contra o ex-número 1 do mundo sérvio (então quarto do ranking), na terceira rodada em Roland Garros, no final de maio, que João conquistou a maior vitória da carreira até aqui, a segunda contra um top 10.
- Você vê muitos tenistas que viajam com o preparador físico e fisioterapeuta, acho que hoje não dá para viver sem.

Campeão brasileiro no hóquei sobre grama
Nas voltas que o mundo e as profissões dão, Egídio prestou vestibular para Biologia, quase se formou em Administração e chegou a trancar a faculdade de Fisioterapia no sétimo período. Hoje com mestrado em Ciências da Reabilitação, além de especializações em Reabilitação Musculoesquelética, Desportiva e Osteopatia, Egídio abre o sorriso ao lembrar por que optou pela profissão:
- Eu sempre pratiquei atividade física, e foi a Fisioterapia que me escolheu. Naquela época de tentar descobrir o que fazer, procurei um monte de coisa, e tinha um cara que estava muito em evidência, o Nilton Petroni, o Filé (que ficou conhecido pelo trabalho de recuperação de Ronaldo Fenômeno para a Copa de 2002). Aí falei: é isso que quero.

Durante a primeira temporada na faculdade particular, Egídio se tornou pai (de Laura e Pedro), mas precisou interromper os estudos. Na empresa em que trabalhava na época, ele seria promovido, caso cursasse Administração. E, quando estava perto de se formar nesse novo curso, voltou atrás.
- Não é isso que eu quero, pensei na época, e voltei para a Fisioterapia, da qual nunca tinha me desvinculado, na verdade, e me formei.
Logo após conquistar o diploma, Egídio trabalhou na seleção brasileira de hóquei sobre grama, modalidade que ele também jogou e foi campeão brasileiro pelo Clube Sociedade Germânia, em 2009.
- Saí um pouco antes do ciclo olímpico para a Rio-2016. Naquela Olimpíada, trabalhei como fisioterapeuta da modalidade em Deodoro, foi uma experiência muito legal. Desde então, montei consultório, trabalhei com basquete, no Tijuca, com futsal, fut7 no Flamengo, no Vasco, no Olaria. Também trabalhei no projeto social da Cruzada São Sebastião, que é muito legal.
Foi por intermédio do fisioterapeuta Paulo dos Santos Carvalho, o Paulão, que o pai de Laura e Pedro conheceu, em 2018, Guilherme Teixeira.
- O Paulão é uma pessoa maravilhosa, ser humano diferenciado, me indicava alguns pacientes que jogavam tênis. A convite dele fui à Tennis Route e conheci o Gui. Anos depois, ele já estava no Country (em Ipanema), precisou de atendimento para um atleta e me chamou.
Reencontro com João Fonseca
Egídio conheceu o número 1 do Brasil quando o tenista carioca tinha de 13 para 14 anos. E foi reencontrá-lo anos depois:
- Quando o conheci, o João tinha quase a metade do tamanho de hoje. Anos mais tarde, após a pandemia, já estava grandão e sempre cuidando do corpo.
Certa vez, em 2023, o treinador de João ligou para Egídio, dizendo que precisaria dele na manhã seguinte em Mogi das Cruzes, onde o pupilo jogava um torneio. Como não havia voo em cima da hora, o jeito foi ir de ônibus, na madrugada. O trabalho deu certo, e João chegou à semifinal, perdendo para o gaúcho Orlando Luz. No final daquele ano, o fisioterapeuta recebeu o convite de Gui:
- Vamos começar a girar (o mundo), quer vir com a gente? Primeiro tentei conciliar com os atendimentos em consultórios, mas depois fechei tudo o que tinha e comecei a girar com o João. E a gente está aí até hoje.
Egídio aponta que o respeito e o cuidado com o outro são combustíveis que ajudam a explicar o sucesso não só de João Fonseca, mas como o da equipe e da academia, a Yes Tennis, no Itanhangá.
- A minha amizade com o Gui e o Manolo, assim como tudo que é natural, verdadeiro e duradouro, se construiu com uma relação quase familiar. Dessa maneira, nos possibilita curtir, cobrar, divergir e sermos felizes, mesmo longe de tudo que mais amamos. Somos amigos para a vida, por tudo o que estamos vivendo juntos.

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