Bastidores: o caos divertido por trás da zona mista do Brasil na Copa

Famoso local é um dos lugares mais curiosos do futebol e um dos mais caóticos

Enviados Especiais
26/06/2026 08:52
Atualizado há 2 minutos
Zona Mista da Seleção Brasileira na Copa lotada de jornalistas
Zona Mista da Seleção Brasileira na Copa lotada de jornalistas (Foto: Lance!)

MIAMI, FL (EUA) - Você assiste ao jogo, comemora os gols, vê a entrevista do craque na televisão e pensa: "Terminou". Para quem cobre a Seleção Brasileira, na verdade, é justamente aí que começa outra partida.

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A famosa zona mista é um dos lugares mais curiosos do futebol. Também um dos mais caóticos. E, acredite, muito menos glamouroso do que parece.

O roteiro é sempre parecido. O árbitro apita o fim da partida, os jogadores dão as entrevistas rápidas ainda no gramado e desaparecem pelo túnel. Do outro lado, dezenas de jornalistas começam uma espera que costuma durar uma hora e meia — às vezes quase duas.

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Enquanto isso, dentro do vestiário, a vida segue normalmente. Tem banho, massagem para quem precisa, lanche para repor as energias, tratamento médico, conversa com a comissão técnica, oração do grupo e as últimas orientações antes da liberação. Do lado de fora, porém, o relógio parece andar mais devagar.

É nesse intervalo que a ansiedade cresce. E as conversas sobre a partida ou qual pergunta fazer ao jogador A ou B com os colegas de profissão correm soltas. Afinal, ninguém sabe quem vai falar.

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A zona mista é, literalmente, um corredor cercado por grades. De um lado caminham os jogadores. Do outro, jornalistas de televisão, rádio, jornal, internet e assessorias dividem um espaço cada vez menor. Cada atleta escolhe onde quer parar. Pode conversar com um grupo específico, atender apenas uma emissora… ou simplesmente seguir reto, olhando para frente.

E quando alguém importante resolve falar, a calmaria acaba.

Foi exatamente o que aconteceu com Neymar após a vitória sobre a Escócia por 3 a 0, em Miami. Desde a apresentação da Seleção, em 25 de maio, na Granja Comary, o camisa 10 não concedia entrevistas. Bastou diminuir o passo para transformar o corredor em uma verdadeira correria.

Microfones surgiram de todos os lados. Câmeras foram levantadas acima das cabeças. Celulares apareceram como se brotassem do chão. Jornalistas se equilibravam na ponta dos pés, tentando encontrar um espaço entre ombros, mochilas e tripés. Em poucos segundos, mais de 20 profissionais estavam espremidos em um espaço que parecia pequeno até para metade desse número.

Nessas horas, não existe muito protocolo. Existe sobrevivência.

Quem consegue ficar na primeira fila comemora como se tivesse marcado um gol. Quem fica atrás tenta esticar o braço mais alguns centímetros. Vale levantar o celular, procurar um pequeno vão entre duas câmeras e torcer para que ninguém resolva atravessar justamente na hora da resposta mais importante.

No meio desse cenário, Neymar parou exatamente em frente à câmera do Lance!. Respondeu a duas perguntas da reportagem, falou com tranquilidade e, antes de seguir caminho, ainda cumprimentou os jornalistas que estavam ali. Um gesto simples, mas raro em um ambiente em que cada segundo de entrevista vale ouro (veja no vídeo acima).

Poucos minutos depois, o corredor voltou ao normal. Os jogadores restantes passaram, alguns conversaram rapidamente, outros seguiram direto para o ônibus. Os equipamentos começaram a ser desmontados, as mochilas voltaram para as costas e cada jornalista saiu correndo — dessa vez para escrever a matéria antes do fechamento.

Por que a zona mista tem esse nome? Ninguém sabe ao certo. Exige paciência para esperar quase duas horas, resistência para permanecer em pé durante todo esse tempo e reflexo suficiente para não perder a única entrevista que pode mudar toda a cobertura de uma noite.

No fim das contas, o torcedor leva poucos minutos para assistir à entrevista pronta. Por trás dela, quase sempre existe uma longa espera, alguns empurrões inevitáveis e uma boa história para contar nos bastidores.

Neymar em zona mista lotada da Seleção Brasileira (Foto: Márcio Iannacca/CBF)
Neymar em zona mista lotada da Seleção Brasileira (Foto: Márcio Iannacca/CBF)

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