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O resgate da primeira medalha paralímpica do Brasil, 50 anos depois

Brasil celebra a primeira medalha enquanto mira 500º pódio em Los Angeles

PorBeatriz Pinheiro•São Paulo (SP)
06/08/2026 15:50
•Atualizado em 06/08/2026 18:08
1ª medalha paralímpica, uma prata conquistada no lawn bowls por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa nos Jogos Paralímpicos de Toronto 1976
1ª medalha paralímpica, uma prata conquistada no lawn bowls por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa nos Jogos Paralímpicos de Toronto 1976 (Foto: Alessandra Cabral/ CPB)

O Brasil ainda estava longe de se tornar uma potência quando, em 1976, Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa, o Curtinho, conquistaram a primeira medalha do país nos Jogos Paralímpicos. A dupla foi prata na disputa de duplas do lawn bowls, modalidade extinta e semelhante à bocha. Desde o pódio em Toronto, porém, as duas medalhas não eram reunidas. Apenas agora, 50 anos depois, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) conseguiu colocar os dois símbolos históricos, juntos, em seu acervo.

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A princípio, apenas uma das medalhas, que até então, acreditava-se ser de Robson, estava em posse do CPB. Porém, após um esforço de pesquisa e organização de acervo, descobriu-se que a medalha era, na verdade, de Curtinho. O foco da busca passou a ser outro: encontrar os familiares de Robson e completar a dupla.

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É assim que Noemia Almeida entra na história. Sobrinha de Robson e criada como filha pelo atleta, ela herdou a medalha de prata e a preservou com muito capricho. Foi até elogiada pelo grupo de pesquisadores contratados pelo CPB pelo estado de conservação do item.

— A honra toda vem da minha mãe, a esposa de Robson. Ela guardou por muitos anos essa medalha, muito bem guardada, com muito carinho, e em vida, ela deixou comigo. Hoje, se tem a história inteira dos Jogos. Teve toda uma trajetória, medalhas de ouro, mas faltava essa parte, do primeiro momento da Paralimpíada, e hoje se tem. É o resgate da história - contou.

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Paulo Robson Almeida, irmão de Noemia e sobrinho do primeiro medalhista paralímpico, também doou itens como arquivos e documentos históricos para o acervo do CPB. Os dois estiveram presentes no CT Paralímpico, em São Paulo, na manhã desta quinta-feira (6), para uma homenagem póstuma em celebração aos 50 anos da conquista.

Noemia e Paulo Robson, sobrinhos de Robson Sampaio de Almeida, primeiro medalhista paralímpico brasileiro
Noemia e Paulo Robson, sobrinhos de Robson Sampaio de Almeida, primeiro medalhista paralímpico brasileiro (Foto: Beatriz Pinheiro/ Lance!)

As primeiras medalhas

A delegação brasileira foi aos Jogos Paralímpicos de Toronto 1976 para competir no basquete em cadeira de rodas mas, na época, era permitido que os atletas competissem em mais de um evento. Foi assim que Robson e Luiz Carlos experimentaram o lawn bowls, modalidade semelhante à bocha, disputada na grama.

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Os brasileiros chegaram à final no Etobicoke Lawn Bowling Club, em Toronto, para conquistar a medalha de prata. O ouro ficou com os australianos Magennis e Thwaite, enquanto os britânicos Avis e McCreaisie conquistaram o bronze. A edição no Canadá marcou a primeira vez que atletas com deficiência visual e atletas amputados participaram dos Jogos Paralímpicos.

A conquista materializou um avanço do movimento paralímpico brasileiro, que começou muito antes dos Jogos de Toronto. Em 1958, Robson fundou o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro, considerado o marco do esporte adaptado no país. A iniciativa surgiu após Robson sofrer um acidente nos Estados Unidos, ficar paraplégico, e conhecer o basquete em cadeira de rodas.

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— Naquele tempo, as pessoas escondiam os deficientes. O Clube do Otimismo veio para resgatar e valorizar vidas, para tirar essas pessoas de dentro de casa, que eram tidos como pessoas inválidas pela sociedade - contou Paulo Robson.

— Nós crescemos em meio a atletas, no meio do Clube do Otimismo - completou Noemia.

A medalha inédita de Robson e Curtinho marcou o início de uma trajetória de sucesso. Era apenas a segunda participação do Brasil no evento, antes mesmo da criação do Comitê Paralímpico. Cinquenta anos depois, o país alcançou a marca de 462 medalhas na história dos Jogos Paralímpicos.

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De 1 a 500

Enquanto celebra a conquista da primeira medalha, o Brasil busca alcançar o pódio de número 500 na história dos Jogos Paralímpicos. Desde sua estreia no evento, o país apenas deixou de conquistar medalhas em duas edições, e se mantém no top-10 do quadro de medalhas desde Pequim 2008.

Entre os Jogos de Londres 2012 e Rio 2016, o Brasil teve um salto de 43 para 72 medalhas em uma mesma edição. Como anfitrião, o país levou sua maior delegação da história, com 278 atletas em todas as 22 modalidades, o que impulsionou a posição no quadro de medalhas.

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A data também marcou a inauguração do CT Paralímpico, em São Paulo, um dos principais legados do evento. A estrutura tem instalações esportivas que abrigam treinamentos e competições para 20 modalidades, além de alojamento. De acordo com o CPB, cerca de duas mil pessoas passam pelo local por semana, desde os projetos de iniciação esportiva até o alto rendimento.

— O processo de renovação é uma preocupação nossa, e o primeiro passo é oportunizar as pessoas à prática esportiva. Também temos trabalhado com pesquisa e com as universidades para produzir mais ciência sobre os esportes paralímpicos - explicou Jonas Freire, diretor técnico do CPB.

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O objetivo para Los Angeles, além do pódio de número 500, é consolidar o quinto lugar no quadro de medalhas, alcançado nos Jogos de Paris 2024. Com 88 medalhas, o Brasil teve seu melhor desempenho da história. Para alcançar essa marca, o vice-presidente do COB Yohansson Nascimento aposta em uma gama ampla de modalidades.

— Além do atletismo e natação, eu posso citar o judô paralímpico, que conquistou nos últimos Jogos quatro medalhas de ouro. Quem sabe o tricampeonato do (Fernando) Rufino, na canoagem, e o parataekwondo, que não podemos deixar de fora - projetou.

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