Lenda do basquete, Miguel Ângelo da Luz reflete antes de homenagem: 'Papel de incentivar sonhos'
Lenda do basquetebol brasileiro dedicou a vida ao incentivo do esporte

Miguel Ângelo da Luz gravou o seu nome na história do esporte brasileiro com o título mundial (Austrália-1994) e a medalha de prata olímpica (Atlanta-1996), conquistados no comando da seleção feminina de basquete. Mas a alcunha de treinador é pequena para definir o impacto do multicampeão, que também carrega com muito orgulho o papel de educador físico, profissão cujo dia nacional é celebrado nesta terça-feira (1º).
Por sua trajetória de uma vida dedicada à modalidade da bola laranja, do alto rendimento ao primeiro contato de crianças com o basquetebol, o técnico passará a ocupar a cadeira de número 18 da Academia Carioca de Educação Física (ACAEF), em cerimônia no próximo dia 25.
— Para mim, ser treinador e ser educador físico são títulos diferentes, mas profundamente ligados. O treinador é aquele que busca resultados, prepara equipes, toma decisões e vive a pressão das grandes competições. Foi nessa função que conquistei momentos muito importantes da minha carreira e que o público passou a me reconhecer. Mas, antes de ser treinador, eu sou educador físico. E esse título tem um significado muito especial para mim, porque representa a minha formação, os meus valores e a maneira como sempre enxerguei o esporte — refletiu em entrevista exclusiva ao Lance!.
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Educação Física: a escolha ousada de Miguel Ângelo da Luz
Miguel começou a jogar basquete na pré-adolescência e, aos 16 anos, já integrava a equipe profissional do Vasco. No entanto, a faculdade nunca deixou de fazer parte de seus planos. A expectativa do pai era de que optasse por Engenharia, mas a paixão pelo esporte falou mais alto e a escolha foi o curso de Educação Física. Inicialmente, o carioca se dividiu entre os estudos, a prática profissional e o papel de técnico de categorias juvenis do Cruz-Maltino, até que, motivado pelo sucesso precoce à beira das quadras, decidiu focar na carreira de treinador após se formar na universidade.
— O curso me deu muito mais do que conhecimento técnico sobre esporte. Ele me ensinou a compreender o ser humano, o processo de aprendizagem, a importância da disciplina, da liderança e, principalmente, da educação por meio do esporte. Como atleta, eu aprenderia muito sobre competição, superação e desempenho. Mas a Educação Física me ensinou a olhar para o indivíduo, para o grupo e para tudo aquilo que existe por trás de um resultado — acrescentou.
A ascensão meteórica não deixou dúvidas de que acertou em sua opção: em 1993, aos 34 anos, o técnico já assumia de forma surpreendente a Seleção Brasileira, apesar de ter a mesma idade que sua protagonista, Hortência. De maneira ainda mais extraordinária, conduziu a equipe à jornada histórica de medalhas e reconhecimento global.
Dentro e fora do país, em seleções e clubes, nas categorias masculina e feminina, Miguel Ângelo da Luz prosseguiu o trabalho no esporte de alto rendimento por mais duas décadas. Em 2014, porém, resolveu correr atrás do sonho de desenvolver um projeto social. O caminho foi longo. Depois de muitas recusas de financiamento, contudo, conseguiu fundar a "Academia de Basquete da Luz", presente em cinco locais do Rio de Janeiro, eleita a melhor escolinha da modalidade no país em 2024 pelo Troféu Guy Peixoto Jr. Por meio da iniciativa, o treinador orienta crianças e adultos, além de ajudar na capacitação de novos educadores físicos.
— Essas experiências foram fundamentais para a minha formação. Dar aula em escolinhas e colégios, trabalhar com crianças e jovens e acompanhar o desenvolvimento de cada um me ensinou coisas que nenhuma grande competição poderia ensinar. Na base, você aprende a ter paciência, a observar, a entender diferentes personalidades e, principalmente, a respeitar o tempo de cada pessoa. Você percebe que nem todo mundo vai ser um grande atleta, mas que todos podem evoluir, ganhar confiança, aprender a trabalhar em equipe e levar valores do esporte para a vida — destacou.

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Muito além do basquete: profissão que transforma vidas
No início dos seus 20 anos, o jovem Miguel tomou a decisão corajosa de deixar de lado as possíveis honrarias como jogador para contribuir com o seu conhecimento no desenvolvimento de mais talentos. Décadas depois, a continuidade da dedicação ao incentivo da prática esportiva mostra que o esporte realmente não foi um meio de ascensão à glória, mas uma missão de vida.
Prestes a ser reconhecido para representar os mais de 650 mil profissionais da área em atividade no Brasil, segundo números do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), o veterano deixa um recado para os colegas de profissão:
— Nunca se esqueçam da importância da missão que vocês escolheram. Ser educador físico é muito mais do que ensinar um esporte ou orientar uma atividade. É incentivar sonhos, desenvolver disciplina, ensinar respeito, promover saúde e, muitas vezes, transformar vidas. O resultado de um trabalho não está apenas nas medalhas que você conquista, mas nas pessoas que você ajuda a formar.
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