Atlanta 30 anos: trio de ouro fatura a prata no basquete
Hortência, Magic Paula e Janeth comandam time histórico nos Estados Unidos
Hortência, Janeth e Magic Paula. O trio que praticamente é a descrição do que é o basquete feminino brasileiro. Expoentes de uma geração que colocou o esporte no coração do torcedor em lugares antes impensáveis: os pódios olímpico e mundial. A prata nas Olimpíadas em Atlanta foi um marco nunca mais igualado.
Era apenas a segunda participação do Brasil em Olimpíadas. A estreia foi em Barcelona-1992, quando terminou no sétimo lugar. A Seleção levou dezesseis anos apenas para participar dos Jogos (o basquete feminino entrou no calendário olímpico em 1976). Mas quatro anos depois, chegava com o sonho de uma medalha. O time chegou aos Estados Unidos, com o status de campeã mundial, obtido em 1994, na Austrália. E se impôs durante toda a competição. Um a um, os adversários foram caindo até chegar a esperada decisão contra as donas da casa.

A equipe brigou, mas saiu derrotada por 111 a 87 na Phillips Arena - atual State Farm Arena. O lugar mais alto do pódio não veio, mas a sensação entre as atletas era de dever cumprido, devido ao histórico recente da equipe.
— A prata foi muito especial. Foi uma Olimpíada em que jogamos todos os jogos muito bem. A final, por si só, não foi um retrato do que fizemos ao longo da competição — afirmou Paula.
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Tanto na conquista do Mundial, quanto da prata nos Jogos Olímpicos, o trio foi protagonista. O quinteto titular contava ainda com Leila Sobral e Alessandra Santos. Ao lado delas, Hortência, Janeth e Paula levaram o Brasil aos maiores resultados da história no basquete feminino. Em quadra e fora dela, a relação entre elas era de muito profissionalismo e respeito, como destaca Paula.
— Sempre foi muito fácil jogar com elas. Nós três éramos atletas muito profissionais. A gente sabia que precisava se cuidar e se respeitar bastante. O que fazíamos fora da quadra, se refletia durante o jogo.
O entrosamento entre o trio era especial. Hortência, ala-armadora e maior pontuadora do basquete feminino brasileiro, funcionava como o "coração", sempre com muita vibração. Magic Paula era o "cérebro". A armadora era dona de uma ótima visão de jogo, que a permitia organizar o jogo com passes criativos. Por fim, Janeth - a mais vitoriosa jogadora da história da modalidade no país - era um "pulmão" em quadra, se destacando como uma ala que jogava bem tanto na defesa quanto no ataque.

Hortência: da aposentadoria à prata com o filho na arquibancada
Atlanta 1996 foi um marco para todas daquela equipe, mas teve um gosto a mais para Hortência. A jogadora já havia se aposentado, após o título do Mundial em 1994, mas decidiu voltar para ajudar seu time nas Olimpíadas. Nesse meio tempo, em fevereiro de 1996, nasceu João Victor, o primeiro filho da atleta. Apenas cinco meses depois, ela estava disputando uma partida olímpica.
— O que me levou a voltar à Seleção foi entender que meu time estava pronto para buscar uma medalha e eu não podia deixar de participar disso. E, durante os jogos, a minha maior motivação era ver meu filho de apenas cinco meses na arquibancada. O processo foi muito difícil, mas ainda bem que consegui ajudar minha equipe a subir no pódio!

Sem tempo de comemorar, mas por um bom motivo
"É melhor ganhar o bronze do que perder um ouro". É comum escutar essa frase no cotidiano do torcedor esportivo. No entanto, para a Seleção de basquete, isso não passou de uma falácia. Após a derrota para os Estados Unidos e a consequente conquista da medalha de prata, tudo o que se passava na cabeça das jogadoras era comemorar.

No entanto, Paula não teve muito tempo para isso, nem no vestiário nem na Vila Olímpica. Logo depois de sair do ginásio, ela foi informada pelo Comitê Olímpico do Brasil que havia sido escolhida para ser porta-bandeira na cerimônia de encerramento de Atlanta 1996, no mesmo dia da final.
— Foi um momento muito especial. Fiquei muito feliz por poder representar todos os atletas brasileiros, não só os que estavam nas Olimpíadas, mas também aqueles que não conseguiram se classificar e desejavam estar ali. Foi um momento tão especial quanto o pódio.
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