Joanna Maranhão analisa momento da natação brasileira: 'Treina muito mais'
Brasil passou em branco na modalidade em Paris 2024; ex-nadadora enxerga um gargalo na geração atual

Um dos grandes nomes da natação brasileira, Joanna Maranhão segue próxima ao esporte nos bastidores. Ela atua como coordenadora de Networking da Sport & Rights Alliance, organização que luta pelos direitos humanos dos atletas, e, durante o 3º Fórum Esporte Seguro do Comitê Olímpico do Brasil (COB), analisou o momento da modalidade no Brasil, tendo em vista que a delegação verde-amarela passou em branco na última Olimpíada, em Paris 2024.
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As últimas medalhas do Brasil em Jogos Olímpicos foram em Tóquio 2020, com os bronzes de Fernando Scheffer nos 200m livre e de Bruno Fratus nos 50m livre. Desde então, novos nomes despontaram, como Guilherme Caribé, e atletas experientes voltaram a ser esperança, como Nicholas Santos (46) e Etiene Medeiros (35). Para Joanna, a delegação brasileira passa por uma lacuna semelhante à que viveu na sua primeira Olimpíada, em Atenas 2004.
Aquela edição foi a última de Gustavo Borges e Fernando Scherer, que, juntos, durante a caminhada olímpica, renderam seis medalhas para o Brasil. Em 2004, assim como vinte anos depois, a delegação verde-amarela não subiu ao pódio nenhuma vez na natação. Mas, em compensação, conquistou os melhores resultados da natação feminina até então: 5ª colocação de Joanna nos 400m medley, 7º lugar no revezamento 4x200m livre e 8ª posição de Flávia Delaroli nos 50m livre.
— É normal que essas lacunas aconteçam, principalmente porque o Brasil não é uma potência na natação. O que a gente tem são alguns atletas extraordinários que conquistam medalhas. A gente precisa falar, homens no caso, e a Etiene, lógico, que é uma fora de série, a melhor de todas. Mas, de um modo geral, a gente depende desses atletas fora de série.
Segundo Joanna, para além do esforço e foco dos atletas, que, segundo ela, "treinam muito mais que os gringos", a natação brasileira depende também de uma ideia consolidada de projeto. A ex-nadadora comparou a estruturação da modalidade das águas com o judô, esporte que mais rendeu medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos.
— Eu acho que a natação brasileira nunca vai ser uma referência, como é o judô brasileiro, por exemplo. O judô brasileiro vai estar sempre chegando de jeito bom, porque a nossa base é muito boa, a gente é tecnicamente muito bom no judô. Na natação não se trata do mesmo jeito, e o Brasil precisa ter um projeto voltado para a natação. Isso sempre faltou e, pelo que eu estou vendo, infelizmente, segue faltando. Dito isso, não é incompetência de quem está lá, não; tem pessoas muito boas. E os atletas nadadores do Brasil, eles treinam muito mais do que muitos gringos. Eu acho que, quando a gente não vê medalha, a gente não percebe isso.
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Os feitos de Joanna Maranhão dentro e fora das águas
Joanna Maranhão é um dos maiores nomes da história da natação brasileira. A ex-atleta representou o país em quatro edições dos Jogos Olímpicos - Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016. Seu maior feito esportivo ocorreu logo na estreia, quando conquistou o 5º lugar nos 400m medley.
Com o resultado, a então jovem de 17 anos igualou a marca de Piedade Coutinho nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, e encerrou um jejum que perdurava há 68 anos. Ao longo de sua carreira, acumulou oito medalhas em Jogos Pan-Americanos e registrou 40 recordes brasileiros em piscina longa (50m) e curta (25m).

Além das piscinas, Joanna virou uma figura pública central na luta pelos direitos humanos. Em 2008, a nadadora revelou ter sido vítima de abusos por parte de um ex-treinador na infância. Desde então, tornou-se uma das principais vozes na luta contra a violência sexual e a pedofilia.
Sua atuação inspirou a origem da "Lei Joanna Maranhão", sancionada em 2012 e que dispõe sobre crimes de pedofilia. Atualmente, Joanna é coordenadora da organização Sport & Rights Alliance, que advoga por direitos humanos no esporte.
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