
Rio 2016: estreia olímpica moldou carreira de Hugo Calderano
Aos 20 anos, o carioca repetiu o melhor resultado do Brasil no tênis de mesa
Quando criança, Hugo Calderano adorava acompanhar os Jogos Olímpicos pela televisão. Apaixonado por esporte, chegava a acordar de madrugada para não perder nenhum evento. Tempos depois não só não perderia nada, como faria parte da festa. Aos 20 anos, foi presenteado com um destino reservado a poucos: fez sua estreia olímpica em casa, nos Jogos Rio 2016.
Ao longo daquele ciclo, Hugo já despontava como uma das principais promessas do tênis de mesa mundial. Dois anos antes, em 2014, ele conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim, um feito inédito para um brasileiro. Foi a primeira vez que Calderano colocou a bandeira de seu país no pódio ao lado de potências como Japão e China — uma amostra do que estava por vir na carreira do carioca.
— Talvez tenha sido um dos melhores resultados do tênis de mesa mundial. Foi quando acreditamos que podíamos competir com os melhores. Apesar de ser uma competição juvenil, ali estavam os melhores do mundo. O Fan Zhendong, que foi campeão, era o número três do ranking adulto — relembrou Paco Arado, treinador de Hugo Calderano.
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Foi nesse ritmo que, aos 20 anos, o brasileiro chegou aos Jogos Rio 2016 para repetir o melhor resultado do país no tênis de mesa olímpico. Aclamado pela torcida, Hugo Calderano somou vitórias sobre o cubano Andy Pereira, o sueco Pär Gerell, o honconguês Tang Peng, e só parou nas oitavas de final diante do japonês Jun Mizutani, que terminou com a medalha de bronze.
— Tive muita sorte de o Rio ter sido escolhido como sede em 2016. Lembro até hoje daquela sensação. Eu não tinha o nível ainda para brigar por uma medalha e chegar tão longe, mas tive um desempenho fantástico na época, cheguei às oitavas de final, com chances de chegar às quartas — relembrou Hugo.

Mudança de patamar na carreira
Ao alcançar as oitavas de final, Hugo Calderano repetiu o melhor resultado de um brasileiro no tênis de mesa olímpico em 20 anos. Até então, apenas Hugo Hoyama, em Atlanta 1996, havia alcançado esta etapa do torneio. Além do marco histórico para a modalidade no país, ele deu um salto no ranking mundial e ganhou bagagem para a sequência da carreira.
— Na época, eu estava por volta do número 50 do ranking mundial e, alguns meses depois, consegui entrar no top-20. Com certeza, as Olimpíadas me deram um "boost", não só de confiança, mas de nível. Aprendi muito com aquela experiência — completou Calderano.
Desde então, o carioca nunca deixou de representar o Brasil em Jogos Olímpicos. Presente em Tóquio 2021 e Paris 2024, Hugo Calderano foi batendo seus próprios recordes. Na capital japonesa, alcançou as quartas de final; na França, terminou com o quarto lugar e se tornou o primeiro atleta de fora da Ásia e da Europa a disputar a semifinal.
Antigo detentor dos recordes brasileiros do tênis de mesa olímpico, Hugo Hoyama foi técnico da seleção brasileira feminina nos Jogos Rio 2016 e acompanhou de perto o desempenho do "xará". Com seis edições de Olimpíadas no currículo, o mesatenista destaca a consistência de Calderano no topo do ranking e acredita em uma carreira longeva do principal brasileiro da modalidade.
— Vê-lo subindo de nível e de posição no ranking mundial mostra que, fazendo um trabalho bem feito, é possível aguentar por muito tempo lá no topo, como ele vem fazendo. A garotada tem que colocar esse sonho na cabeça, esse grande objetivo de estar presente em várias edições. Foi como eu fiz, participei de seis olimpíadas por causa disso, tinha sempre esse objetivo de ter uma próxima — opinou Hoyama.

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