Atlanta 30 anos: a medalha da paz de Xuxa
Em sua primeira participação olímpica, o nadador subiu ao pódio com o bronze no peito

1996 foi o ano que marcou a natação brasileira. Até hoje, é a melhor campanha nacional nas piscinas olímpicas. Duas medalhas foram conquistadas por Gustavo Borges. Uma, por Fernando Scherer. O bronze de Xuxa que "abriu o portal" o portal para as muitas conquistas que viriam depois nos 50m livre. Em 2008, Cielo conquistaria o ouro. O mesmo Cielo foi bronze em 2012, mesmo feito de Bruno Fratus, em 2020. Mas, para isso, foi preciso pagar um preço alto. Nos meses que antecederam a conquista, a cabeça de Scherer precisou conviver com fantasmas.
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Xuxa chegou a Atlanta "pressionado". Era a sua primeira participação em Jogos Olímpicos, com apenas 21 anos. Mas ele já sentia que devia subir ao pódio. Uma cobrança tão grande que mal conseguiu curtir a conquista,
— Aquele bronze teve gosto de realização e de paz. Paz de ter conseguido tirar um peso por ter prometido tanto para mim e para todos, em todas as entrevistas que dei ao longo do ano, que traria uma medalha olímpica. Foi mais um alívio de uma grande cobrança interna e de um peso que carregava, sem nem ao menos saber o que havia produzido isso.
Aos 21 anos, a preparação de Xuxa para a estreia em Olimpíadas foi intensa. O nadador treinou um volume de 12 a 16 km por dia. Entrava 2 vezes na água por dia, além de passar também por sessões de musculação e fisioterapia.

E a recompensa foi à altura, apesar de ter sido alcançada após um caminho conturbado. Nas eliminatórias, Xuxa ficou em sétimo, com o tempo de 22.68, empatado com mais dois atletas (apenas oito se classificavam). Com isso, teve que passar por um desempate para avançar à final. Com 22.71, fez o melhor tempo entre os três e avançou para a final.
Minutos antes da final, ansiedade e nervosismo passavam na cabeça do atleta. Mas no momento em que entrou na água, era como se nada disso existisse.
— Não passa nada pela cabeça, tudo fica silenciado. Foi um momento que nem sei o que aconteceu, apenas aconteceu, e só fui perceber o resultado ao tocar na borda e olhar o placar eletrônico com o tempo e a colação que me dava o terceiro lugar nas Olimpíadas.
Na prova, Xuxa melhorou muito o tempo das classificatórias e, com 22s29, bateu o recorde sul-americano. O brasileiro ficou a três centésimos da medalha de prata, conquistada pelo norte-americano Gary Hall Jr.
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As portas que a medalha abriu para Xuxa
Trinta anos depois, ao relembrar a subida ao pódio em Atlanta 1996, Xuxa reflete sobre a importância daquela medalha para sua vida. Para ele, significou um divisor de águas. E os impactos são sentidos desde então.
— Até hoje sou conhecido por ser medalhista olímpico. Abre portas onde quer que eu vá. Hoje vivo mais leve e em paz, e é isso que busco trazer. Posso ter alta performance como obtive no passado, só que com menos cobrança interna e peso, gerando menos ansiedade e estresse. Demorei muito tempo para encontrar a equação interna para se viver uma vida próspera, abundante, porém em paz interior.

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