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Árbitros de futsal sofrem atentado a tiros por jogo infantil

Suspeito se revoltou com decisão da arbitragem em jogo de futsal sub-10 e foi preso em flagrante com arma calibre 38 e 43 munições

PorDavi CaldasSão Paulo (SP)
30/08/2026 15:51

Supervisionado porThiago Fernandes,
Momento em que homem atira no carro com os três árbitros de futsal (Foto: Imagens de segurança)
Momento em que homem, pai de uma das jogadoras, atira no carro com os três árbitros de futsal (Foto: Imagens de segurança)

Um homem de 41 anos atirou contra o carro em que estavam três árbitros de futsal em Criciúma, Santa Catarina, após se revoltar com uma decisão da equipe de arbitragem durante uma partida. O crime ocorreu na noite de sexta-feira (28). O suspeito foi preso em flagrante ainda no bairro Michel, onde aconteceu o jogo.

A partida integrava a Copa Lud de Futsal Sub-10, organizada pela Liga Urussanguense de Desportos (LUD), e opôs o Colégio Michel ao Colégio Marista. Os três árbitros não se feriram, mas relataram estado de choque. Na tarde de sábado (29), a prisão do autor foi convertida em preventiva durante audiência de custódia.

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Confusão dentro e fora do ginásio

O jogo foi paralisado aos sete minutos após um dos árbitros identificar que a goleira de uma das equipes usava brinco. Após isso, um homem passou a ofender a arbitragem e precisou ser retirado do ginásio. Ele retornou ao local, mas foi retirado por outras pessoas. Na súmula, a arbitragem registrou que ele era pai de uma das atletas no banco de reservas e que consumia bebida alcoólica durante o jogo.

Após ser expulso, o suspeito foi até sua casa buscar a arma e voltou ao local para aguardar os árbitros do lado de fora, afirmando que os mataria. Apesar dos tiros e do estado de choque, nenhum dos três profissionais se feriu. A Polícia Militar localizou o suspeito ainda no bairro Michel, quando ele tentava trocar de veículo. Com resistência e tentativa de fuga, os agentes conseguiram abordar o homem e apreenderam uma arma calibre 38, 43 munições e R$ 7 mil em dinheiro.

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O homem foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil junto com a arma e as munições e segue preso. O caso foi registrado como tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. Apesar de possuir registro para a arma, ele estava autorizado apenas a mantê-la em casa, sem direito ao porte.

Momento em que homem atira no carro com os três árbitros de futsal (Foto: Imagens de segurança)
Momento em que homem atira no carro com os três árbitros de futsal (Foto: Imagens de segurança)

Repúdio das entidades de futsal

O Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Santa Catarina (Sinafesc), a Federação Catarinense de Futebol de Salão (FCFS) e a Associação Catarinense de Árbitros de Futsal (ACAFS) repudiaram o episódio. Em nota, o Sinafesc declarou que "quando a violência tenta calar o apito, todo o esporte perde" e cobrou "apuração rigorosa dos fatos, responsabilização dos envolvidos e medidas imediatas para reforçar a segurança das equipes de arbitragem antes, durante e, principalmente, após as partidas". A entidade também afirmou ser "inadmissível que profissionais saiam de casa para trabalhar e retornem temendo pela própria vida".

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A FCFS afirmou receber a notícia "com total estarrecimento" e declarou que acompanhará as investigações. A federação anunciou ainda que realizará consulta jurídica e adotará medidas administrativas e disciplinares para impedir que o responsável frequente ginásios em competições por ela chanceladas, respeitado o devido processo legal.

A ACAFS também fez um apelo a clubes, dirigentes, atletas, pais, familiares e torcedores, principalmente nas categorias de base. "O esporte deve ser um espaço de educação, formação, respeito e segurança. O exemplo dos adultos é levado pelas crianças para dentro e para fora das quadras", exclamou em nota.

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A LUD, organizadora da Copa, também repudiou o caso e afirmou que "considera inadmissível que a violência ultrapasse os limites das quatro linhas". A entidade acrescentou que "divergências quanto à arbitragem fazem parte do esporte e devem ser tratadas exclusivamente pelos meios previstos nos regulamentos e na legislação, jamais por meio de ameaças, intimidações ou qualquer forma de violência."

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