Análise: Alison dos Santos muda a hierarquia dos 400m com barreiras
Tricampeonato da Diamond League e recorde mundial mostram que o brasileiro saiu de "perseguidor" a referência

Alison dos Santos não precisava do tricampeonato da Diamond League ou do recorde mundial para provar que havia mudado de patamar, mas os resultados confirmaram uma transformação que vinha sendo construída ao longo da temporada. Em 2026, correr abaixo dos 47 segundos se tornou rotina, e Piu deixou de ser "perseguidor" para ocupar o posto de referência nos 400 metros com barreiras.
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O domínio do brasileiro pode ser traduzido em números. Ele venceu as seis provas que disputou pela Diamond League na temporada e em cinco delas correu abaixo dos 47 segundos. Mesmo excluindo o recorde mundial de 45s80, Alison teria uma média de 46s77 no circuito, ou seja: não se pode atribuir o resultado em Zurique a uma única prova perfeita do brasileiro.
Resultados de Alison dos Santos nos 400m com barreiras pela Diamond League 2026
| Etapa | Marca | Resultado |
|---|---|---|
Xiamen | 46s72 | 🥇 |
Estocolmo | 47s11 | 🥇 |
Oslo | 46s89 | 🥇 |
Silesia | 46s43 | 🥇 |
Zurique | 45s80 | 🥇 Recorde mundial |
Bruxelas | 46s70 | 🥇Final da temporada |
É importante destacar que três dessas vitórias vieram sobre o principal adversário de Alison, Karsten Warholm. Aos poucos, o norueguês viu a lógica se inverter e o brasileiro levar vantagem. Na etapa de Oslo, a diferença de Piu para o rival foi de 51 centésimos de segundo; na Silésia, caiu para apenas nove centésimos. Mas, em Zurique, Alison deu um baile: venceu com 89 centésimos de segundo de vantagem.
Essa diferença passa por uma mudança na estratégia de prova de Piu. Na prova em que estabeleceu o novo recorde mundial, o brasileiro largou forte e assumiu a liderança da prova já na quarta barreira, sustentando o ritmo até a linha de chegada. Na ocasião, o próprio Warholm admitiu a dificuldade de acompanhar o rival.
— Tenho que parabenizá-lo e lhe dar o respeito que ele merece, porque eu mesmo já quebrei a barreira dos 46 segundos, e isso é muito especial. A largada foi bem forte, mas senti ele chegando perto de mim ali pela altura do terceiro ou quarto obstáculo. É algo bem incomum para mim, e não tive a sensação de ter largado devagar - disse, em entrevista ao o Athletics Weekly.
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Mudança no trio dominante
Não é novidade que o trio Karsten Warholm, Rai Benjamin e Alison dos Santos tem dominado a disputa dos 400 metros com barreiras na última década. Os três ocuparam o pódio olímpico nas duas últimas edições, com apenas uma alteração na primeira posição: Warholm levou o ouro em Tóquio, e Benjamin, em Paris. Piu ficou com o bronze nas duas oportunidades.
A temporada de 2026, porém, apresenta um novo cenário. Primeiro, Rai Benjamin abriu mão de competir nos 400 metros com barreiras e se dedicou aos 400 rasos, deixando a disputa acirrada entre Alison e Warholm, mas, desta vez, é o brasileiro quem define o teto da prova.
Um fator que favorece Piu em relação aos rivais é a quebra do recorde aos 26 anos, em seu auge físico — o que pode ser bastante relevante pensando no ciclo olímpico rumo aos Jogos de Los Angeles 2028. Atualmente, mesmo fazendo marcas extremamente competitivas, Warholm e Benjamin estão mais distantes de seus recordes pessoais, ambos registrados em 2021.
Comparativo entre melhores marcas pessoas de Alison dos Santos, Karsten Warholm e Rai Benjamin
| Alison | Warholm | Benjamin | |
|---|---|---|---|
Idade | 26 | 30 | 29 |
PB | 45s80 | 45s94 | 46s17 |
Ano do PB | 2026 | 2021 | 2021 |
Melhor em 2026 | 45s80 | 46s52 | 46s67 |

Nova era dos 400m com barreiras?
Além da mudança no topo, vale olhar também para uma nova geração que vem pedindo passagem na prova. O nigeriano Ezekiel Nathaniel e o brasileiro Matheus Lima, ambos de 23 anos, têm travado um duelo particular. Terceiro colocado do ranking mundial dos 400 metros com barreiras, Nathaniel tem 47s31 como melhor marca da temporada; Matheus ocupa a sexta posição e correu para 47s26 neste ano.
Ainda é cedo para confirmar uma mudança definitiva no cenário da prova ou considerar Alison dos Santos como um favorito absoluto ao ouro olímpico. Mas uma coisa é certa: hoje, a meta é alcançar o brasileiro.

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