Ana Marcela Cunha bate recorde sul-americano na travessia do Canal da Mancha

Campeã olímpica completa os 42,9 km e supera marcas masculina e feminina do continente

PorJoanna ColaçoRio de Janeiro (RJ)
22/07/2026 14:45

Supervisionado porThiago Fernandes,
Inglaterra. 22/07/2026 – A atleta maratonista aquática Ana Marcela Cunha durante a travessia do Canal da Mancha, estreito que separa a costa sul da Inglaterra do norte da França e é considerado um dos maiores desafios da maratona aquática mundial. A atleta quebrou o recorde sul americano na prova. Foto: Jonne Roriz/COB
Inglaterra. 22/07/2026 – Ana Marcela Cunha durante a travessia do Canal da Mancha, estreito que separa a costa sul da Inglaterra do norte da França e é considerado um dos maiores desafios da maratona aquática mundial. A atleta quebrou o recorde sul americano na prova. Foto: Jonne Roriz/COB

A brasileira Ana Marcela Cunha escreveu mais um capítulo em sua carreira nesta quarta-feira (22). A campeã olímpica atravessou o Canal da Mancha em 8h25m29s, estabelecendo o novo recorde sul-americano da prova entre homens e mulheres. A nadadora percorreu os 42,9 quilômetros que separam Dover, na Inglaterra, de Calais, na França, registrando ainda o melhor tempo do mundo desde 2022.

➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico

A tentativa fazia parte de uma janela de travessias entre os dias 20 e 29 de julho. Ana Marcela iniciou o percurso nas primeiras horas da manhã, enfrentando água a cerca de 19°C e temperatura ambiente próxima de 23°C.

continua após a publicidade

Com o resultado, a brasileira superou os recordes sul-americanos que pertenciam a Ana Mesquita, autora da melhor marca feminina (9h40min), registrada em 1993, e a Adherbal de Oliveira, que havia completado o desafio em 8h49min, em 2015.

➡️ Ana Marcela se prepara para atravessar Canal da Mancha: 'Tranquila'

Sonho de infância da nadadora

Mais do que um recorde, a travessia representou a realização de um objetivo antigo para Ana Marcela. Considerado um dos maiores desafios da natação em águas abertas, o Canal da Mancha exige dos atletas resistência física e mental para enfrentar correntes marítimas, mudanças de maré, intenso tráfego de embarcações e condições climáticas imprevisíveis.

continua após a publicidade

Após concluir o percurso, a campeã olímpica destacou o significado pessoal da conquista.

— Acredito que, óbvio, a medalha olímpica é uma conquista muito profissional e no auge do atleta é a maior conquista que você pode ter na vida. Mas acho que quando você realiza sonhos, mesmo não sendo uma medalha olímpica, vale muito. É o caso de hoje, algo que eu sempre quis também. Para mim vale tanto quanto. Não é só o ouro olímpico, não são somente as 17 medalhas em mundiais. Sei que tudo isso está na história. Mas essa travessia era um sonho muito pessoal, de criança. Ter atravessado e ter realizado esse sonho é de extrema importância para minha vida. Estou muito, muito feliz.

Inglaterra. 22/07/2026 – A atleta maratonista aquática Ana Marcela Cunha durante a travessia do Canal da Mancha, estreito que separa a costa sul da Inglaterra do norte da França e é considerado um dos maiores desafios da maratona aquática mundial. A atleta quebrou o recorde sul americano na prova. Foto: Jonne Roriz/COB
Inglaterra. 22/07/2026 – Ana Marcela Cunha durante a travessia do Canal da Mancha, estreito que separa a costa sul da Inglaterra do norte da França e é considerado um dos maiores desafios da maratona aquática mundial. A atleta quebrou o recorde sul americano na prova. Foto: Jonne Roriz/COB

Como foi a preparação da Ana Marcela

Durante toda a travessia, Ana Marcela foi acompanhada por um barco de apoio com seu técnico Kafu, o guia brasileiro especializado no Canal da Mancha Igor de Souza, além do comandante da embarcação, um árbitro responsável pela homologação da prova, um representante do Guinness World Records e um videomaker.

Embora houvesse um representante do Guinness a bordo, a tentativa não tinha como objetivo o recorde mundial absoluto. A melhor marca feminina pertence à tcheca Yvetta Hlavácová, que completou o percurso em 7h25min, em 2006. Entre os homens, o recorde é do alemão Andreas Waschburger, com 6h45min, estabelecido em 2023.

continua após a publicidade

Para atender às regras de homologação, que proíbem o uso de roupas térmicas, a nadadora utilizou uma camada de lanolina sobre o corpo. O produto, extraído da lã de ovelha, ajuda no isolamento térmico, reduz o atrito com a água e oferece proteção contra o frio.

A preparação incluiu um simulado de 12 horas de natação, com aproximadamente 42 quilômetros percorridos durante a noite na Represa Billings, em São Paulo, além de sessões de adaptação ao frio em uma piscina do Sesc Petrópolis, onde treinou em água com temperatura próxima de 17°C.

continua após a publicidade

Dona do ouro olímpico em Tóquio e de 16 medalhas em Campeonatos Mundiais, Ana Marcela afirmou que viveu a travessia de forma tranquila, mesmo diante das dificuldades do percurso.

— Foi um momento de curtição. Independente de todos os fatores, de onda que teve, de umas três caravelas que eu peguei, mas graças a Deus não foi nada que me prejudicou, só uns encontros ali bem tranquilos. Nada demais. Já tinha experiência de nadar provas longas. Isso me trouxe bastante tranquilidade, de conhecer bastante o mar, saber para onde eu estava indo, sentir a correnteza. Acho que isso me deixou mais tranquila. Estou cansada, mas muito feliz e realizada.


Tudo sobre
Sugerida para você!

Mais LANCE!