Final da Copa de 2022: Sob a batuta de Messi, Argentina conquista o tricampeonato
Em final épica no Catar, Argentina bate França nos pênaltis e fatura o tri.

A vigésima segunda edição da Copa do Mundo, sediada no Catar em 2022, entregou ao planeta uma das competições mais imprevisíveis e emocionantes da história. Disputado pela primeira vez no final do ano e no Oriente Médio, o torneio caminhou para o seu grandioso encerramento no dia 18 de dezembro, no suntuoso Estádio de Lusail. O palco estava armado para um roteiro digno de Hollywood, colocando frente a frente a atual campeã França e a embalada Argentina, ambas em busca da cobiçada terceira estrela mundial. O Lance! relembra a Final da Copa de 2022.
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Final da Copa de 2022
O duelo representava muito mais do que um embate entre duas das melhores seleções do planeta. Era o choque de gerações entre o jovem fenômeno Kylian Mbappé, que buscava o seu segundo título mundial consecutivo aos 23 anos, e o lendário Lionel Messi, que aos 35 anos disputava o seu último jogo de Copa do Mundo, perseguindo a única glória que ainda faltava em sua imensa e quase irretocável galeria de troféus.
Sob o comando do técnico Lionel Scaloni, a Argentina desembarcou na final com um espírito de luta invejável. Após o choque de perder na estreia para a Arábia Saudita, a "Scaloneta" se reconstruiu jogo a jogo, unindo um sistema tático inteligente a uma devoção quase religiosa de seus jogadores para fazer de Messi um campeão. Do outro lado, Didier Deschamps confiava na força letal de sua equipe, que superou uma avalanche de lesões para chegar a mais uma decisão com um futebol frio, vertical e implacável.
O que se viu no gramado de Lusail foi unanimemente classificado por especialistas e torcedores como a maior final de Copa do Mundo de todos os tempos. Uma partida que teve o domínio absoluto sul-americano, uma reação assombrosa europeia nos minutos finais, uma prorrogação com requintes de crueldade e uma decisão por pênaltis que consagrou, de uma vez por todas, o lugar de Lionel Messi no Olimpo do esporte mundial.
O nó tático e o baile da Argentina no primeiro tempo
Lionel Scaloni surpreendeu a França ao escalar o experiente Ángel Di María aberto pela ponta esquerda. A estratégia desestabilizou completamente a defesa europeia. Dominando o meio-campo e anulando Mbappé, a Argentina tomou as rédeas da partida. Aos 23 minutos, Di María driblou Dembélé e foi derrubado na área. Pênalti. Com a habitual frieza, Messi deslocou o goleiro Lloris e abriu o placar.
O passeio sul-americano continuou e, aos 36 minutos, resultou em um dos gols mais bonitos da história das finais. Em um contra-ataque letal puxado com apenas cinco toques rápidos desde o campo de defesa, Mac Allister encontrou Di María entrando livre do lado esquerdo. O camisa 11 bateu na saída de Lloris, marcou o 2 a 0 e foi às lágrimas, deixando a França completamente nocauteada antes mesmo do intervalo.
O apagão albiceleste e o furacão Kylian Mbappé
O roteiro parecia definido até os 35 minutos do segundo tempo. A Argentina controlava a posse e a França não havia dado um único chute a gol. Foi então que o imprevisível talento francês mudou a história. O zagueiro Otamendi cometeu pênalti infantil em Kolo Muani. Kylian Mbappé foi para a cobrança e diminuiu o placar, acendendo uma faísca de esperança.
O que se seguiu foi um verdadeiro apagão albiceleste. Apenas 97 segundos depois do primeiro gol, Messi perdeu a bola no meio-campo, a França tabelou rapidamente e Mbappé emendou um voleio espetacular, de primeira, empatando a partida em 2 a 2. O Estádio de Lusail emudeceu e a França, ressuscitada, quase conseguiu a virada nos acréscimos do tempo normal, forçando uma dramática prorrogação.
Prorrogação insana e o milagre de Dibu Martínez
No tempo extra, as duas equipes, exaustas, trocaram golpes como pugilistas. Aos 3 minutos do segundo tempo da prorrogação, após rebote de Lloris em chute de Lautaro Martínez, Messi apareceu na pequena área para empurrar a bola, que cruzou a linha antes de ser cortada pelo zagueiro. O 3 a 2 parecia o fim, mas a resiliência francesa falou mais alto. Aos 13 minutos, um chute de Mbappé desviou no braço de Montiel. Pênalti. O craque francês converteu, anotou um histórico hat-trick e empatou em 3 a 3.
O momento mais infartante de toda a Copa, no entanto, ocorreu aos 123 minutos, no último lance do jogo. Kolo Muani saiu completamente sozinho, de frente para o gol argentino. O atacante francês soltou uma bomba, mas o goleiro Emiliano "Dibu" Martínez esticou a perna esquerda e operou o maior e mais importante milagre da história do futebol argentino, levando a decisão para a marca da cal.
A glória nos pênaltis e a coroação do Rei da Argentina
Na disputa por pênaltis, a genialidade e a especialidade de Dibu Martínez fizeram a diferença. Enquanto Messi e Mbappé converteram suas cobranças iniciais, o goleiro argentino defendeu o chute de Kingsley Coman e viu Aurélien Tchouaméni chutar para fora. Com 100% de aproveitamento (Dybala e Paredes também marcaram), coube ao lateral Gonzalo Montiel a batida decisiva.
Montiel deslocou Lloris e selou a vitória por 4 a 2 nos pênaltis. A explosão de alegria de uma nação inteira contrastou com a imagem de Lionel Messi, de joelhos, sendo abraçado por seus companheiros. A Argentina conquistava o sonhado tricampeonato após 36 anos de espera. Messi, o craque do torneio, ergueu a taça e encerrou qualquer debate, confirmando o seu legado eterno como um dos maiores gênios que o futebol já produziu.
Assista aos melhores momentos da grande final
Reviva o domínio argentino, a reação assustadora de Mbappé, a defesa milagrosa de Dibu Martínez e a dramática decisão por pênaltis que consagrou Lionel Messi. Confira abaixo os melhores momentos de Argentina x França:
Lance!
Ficha técnica da Final da Copa de 2022
ARGENTINA 3 (4) x (2) 3 FRANÇA
- Competição: Copa do Mundo FIFA de 2022 - Final
- Data: 18 de dezembro de 2022 (Domingo)
- Local: Estádio de Lusail, Lusail (Catar)
- Público: 88.966 espectadores
- Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)
- Auxiliares: Paweł Sokolnicki (Polônia) e Tomasz Listkiewicz (Polônia)
- Cartões Amarelos: Enzo Fernández, Acuña, Paredes e Montiel (Argentina); Rabiot, Thuram e Giroud (França)
- Gols:
- Argentina: Lionel Messi (23'/1ºT e 3'/2ºT da Prorrogação) e Ángel Di María (36'/1ºT)
- França: Kylian Mbappé (35'/2ºT, 36'/2ºT e 13'/2ºT da Prorrogação)
- Pênaltis:
- Argentina: Lionel Messi (G), Paulo Dybala (G), Leandro Paredes (G) e Gonzalo Montiel (G).
- França: Kylian Mbappé (G), Kingsley Coman (X - defendido), Aurélien Tchouaméni (X - para fora) e Randal Kolo Muani (G).
Escalações:
- ARGENTINA: Emiliano Martínez; Nahuel Molina (Gonzalo Montiel), Cristian Romero, Nicolás Otamendi e Nicolás Tagliafico (Paulo Dybala); Rodrigo De Paul (Leandro Paredes), Enzo Fernández e Alexis Mac Allister (Germán Pezzella); Lionel Messi, Julián Álvarez (Lautaro Martínez) e Ángel Di María (Marcos Acuña). Técnico: Lionel Scaloni.
- FRANÇA: Hugo Lloris; Jules Koundé (Axel Disasi), Raphaël Varane (Ibrahima Konaté), Dayot Upamecano e Theo Hernández (Eduardo Camavinga); Aurélien Tchouaméni e Adrien Rabiot (Youssouf Fofana); Ousmane Dembélé (Randal Kolo Muani), Antoine Griezmann (Kingsley Coman) e Kylian Mbappé; Olivier Giroud (Marcus Thuram). Técnico: Didier Deschamps.
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