Final da Copa de 2014: Outra vez, a Alemanha impede Argentina de ser tricampeã
Com gol de Götze na prorrogação, a Alemanha vence a Argentina e fatura o tetra.

A vigésima edição da Copa do Mundo, sediada no Brasil em 2014, foi celebrada globalmente como a "Copa das Copas". Marcada por um futebol extremamente ofensivo, surpresas gigantescas e placares elásticos, a competição caminhou para um desfecho monumental no dia 13 de julho. O palco escolhido para a coroação não poderia ser mais lendário: o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que recebeu quase 75 mil espectadores para o encerramento do maior espetáculo da Terra. O Lance! relembra a Final da Copa de 2014.
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Final da Copa de 2014
O confronto decisivo colocou frente a frente, pela terceira vez na história das finais (após 1986 e 1990), a Alemanha e a Argentina. Os alemães desembarcaram no Rio de Janeiro como a grande força do futebol mundial. Sob o comando de Joachim Löw, a equipe coroava um longo projeto de reestruturação do futebol nacional e chegava com a confiança nas nuvens após aplicar o histórico e assombroso 7 a 1 sobre o Brasil nas semifinais. Era uma máquina coletiva perfeita, que mesclava posse de bola, força física e transições letais.
Do outro lado, a Argentina do técnico Alejandro Sabella apostava em uma defesa incrivelmente sólida, na raça do volante Javier Mascherano e, acima de tudo, na genialidade de Lionel Messi. O craque do Barcelona estava a apenas um passo de igualar o feito de Diego Maradona e trazer o aguardado tricampeonato para Buenos Aires. A equipe albiceleste havia chegado à final superando a Holanda em uma dramática disputa de pênaltis, provando ter os nervos necessários para a decisão.
O que o mundo assistiu no gramado do Maracanã foi uma verdadeira batalha de xadrez tático, repleta de tensão, imposição física e chances claríssimas desperdiçadas por ambos os lados. Em um roteiro dramático, o jogo foi decidido apenas no segundo tempo da prorrogação, quando o talento de um jovem que saiu do banco de reservas frustrou o sonho argentino e colocou a Alemanha no merecido e inédito topo de tetracampeã mundial.
O equilíbrio no Maracanã e as chances desperdiçadas
A Alemanha sofreu um duro golpe antes mesmo de a bola rolar, quando o volante Sami Khedira se lesionou no aquecimento, sendo substituído pelo jovem Christoph Kramer (que acabaria sofrendo uma concussão no jogo e também precisaria ser substituído por André Schürrle). Com a bola rolando, a Argentina adotou uma postura cautelosa, fechando os espaços e apostando em contra-ataques fulminantes puxados por Ezequiel Lavezzi e Lionel Messi.
Aos 20 minutos do primeiro tempo, ocorreu um dos lances mais marcantes da decisão. O meia alemão Toni Kroos recuou a bola de forma bizarra, de cabeça, e deixou o centroavante argentino Gonzalo Higuaín completamente livre, de frente para o goleiro Manuel Neuer. O atacante se precipitou e chutou torto, perdendo uma chance de ouro. Pouco depois, Higuaín chegou a balançar as redes, mas o lance foi anulado por claro impedimento. A Alemanha respondeu nos acréscimos, quando o zagueiro Benedikt Höwedes testou firme após cobrança de escanteio e a bola explodiu na trave argentina.
O drama na etapa final e o choque de Neuer
Logo no segundo minuto da etapa final, foi a vez de Lionel Messi assustar o Maracanã. O camisa 10 foi lançado em profundidade nas costas da zaga alemã, invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado, mas a bola caprichosamente passou raspando a trave de Neuer. O jogo tornou-se cada vez mais físico e truncado, marcado por uma forte dividida entre Neuer e Higuaín dentro da área alemã que gerou muita reclamação por parte dos sul-americanos.
Com o cansaço batendo em ambas as equipes e as defesas superando os ataques, o zero a zero permaneceu teimoso no placar, empurrando a decisão para a extenuante prorrogação. No tempo extra, a Argentina teve mais uma chance de ouro: Rodrigo Palacio recebeu livre na área, tentou encobrir Neuer, mas a bola saiu pela linha de fundo, aumentando a angústia dos milhares de torcedores argentinos presentes.
A estrela de Götze e o inédito tetra europeu
Quando a temida disputa de pênaltis parecia um destino certo, Joachim Löw colocou em prática a força do seu banco de reservas. Ele já havia lançado a campo o habilidoso Mario Götze no lugar do veterano Miroslav Klose, dizendo ao jovem: "Mostre ao mundo que você é melhor que o Messi e decida o jogo". A profecia do treinador alemão se cumpriria de forma espetacular.
Aos 8 minutos do segundo tempo da prorrogação (113 minutos de jogo), Schürrle arrancou pela ponta esquerda e cruzou na medida. Mario Götze dominou a bola no peito com extrema categoria e, sem deixá-la cair no chão, emendou um lindo voleio de perna esquerda, estufando as redes do goleiro Sergio Romero. A Argentina ainda tentou um último suspiro em uma cobrança de falta de Messi que foi por cima do gol, mas o apito final consagrou o 1 a 0. A Alemanha faturava o tetracampeonato e fazia história como a primeira equipe europeia a erguer a Copa do Mundo nas Américas.
Assista aos melhores momentos da grande final
Reviva a tensão do Maracanã, as chances perdidas, a forte imposição física e o gol histórico de Mario Götze na prorrogação. Confira no vídeo abaixo os melhores momentos de Alemanha 1 x 0 Argentina:
Lance!
Ficha técnica da Final da Copa de 2014
ALEMANHA 1 x 0 ARGENTINA
- Competição: Copa do Mundo FIFA de 2014 - Final
- Data: 13 de julho de 2014 (Domingo)
- Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (Brasil)
- Público: 74.738 espectadores
- Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália)
- Auxiliares: Renato Faverani (Itália) e Andrea Stefani (Itália)
- Cartões Amarelos: Schweinsteiger e Höwedes (Alemanha); Mascherano e Agüero (Argentina)
- Gol: Mario Götze (Alemanha - 8'/2ºT da Prorrogação)
Escalações:
- ALEMANHA: Manuel Neuer; Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Mats Hummels e Benedikt Höwedes; Christoph Kramer (André Schürrle), Bastian Schweinsteiger e Toni Kroos; Thomas Müller, Miroslav Klose (Mario Götze) e Mesut Özil (Per Mertesacker). Técnico: Joachim Löw.
- ARGENTINA: Sergio Romero; Pablo Zabaleta, Martín Demichelis, Ezequiel Garay e Marcos Rojo; Javier Mascherano, Lucas Biglia e Enzo Pérez (Fernando Gago); Ezequiel Lavezzi (Sergio Agüero), Lionel Messi e Gonzalo Higuaín (Rodrigo Palacio). Técnico: Alejandro Sabella.
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