Jane Karla já mira medalha na Paralimpíada de Tóquio-2020
Arqueira não subiu ao pódio, mas ficou satisfeita com a campanha nos Jogos Paralímpicos do Rio e dedicou a participação à mãe, falecida em 2012 durante a edição de Londres

- Nunca desista dos seus sonhos. Se não conseguir de um jeito, tente de outro que você vai conseguir.
Com essa frase, Jane Karla Rodrigues Gögel, atleta da seleção de tiro com arco, encerrou sua participação nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, após ser eliminada nas quartas de final do arco composto pela chinesa vice-campeã mundial, Yueshan Lin. Mas, o que poderia ser o motivo para desânimo virou um ponto de partida para a atleta.
Apesar de Jane Karla ter no currículo uma bagagem de duas Paralimpíadas, já que disputou os Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012 no tênis de mesa, esporte praticado até o fim de 2014, esta é a primeira participação paralímpica como atleta do tiro com arco. Há menos de dois anos a brasileira precisou tomar uma decisão importante: para continuar treinando com a seleção paralímpica de tênis de mesa, Jane precisaria se mudar para São Paulo.
À época, a escolha não foi fácil, mas a atleta optou por manter a base familiar em Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás. Desta maneira, logo foi atrás de outro desafio no esporte e, assim, descobriu o tiro com arco. Se apaixonar pela nova modalidade não foi tarefa difícil e Jane se dedicou intensivamente aos treinos para chegar ao Rio 2016.
Mesmo sem o pódio, o desempenho da atleta da casa em sua estreia na modalidade foi considerado muito bom diante do pouco tempo que teve para se preparar.
- O sentimento de chegar tão pertinho da medalha e não conseguir alcançar é dolorido. Agora é renovar as forças para seguir em frente e me preparar bem para Tóquio, pois vou ter um ciclo completo de treinamento pela frente - disse Jane Karla.
A morte da mãe, vítima de câncer de mama, durante os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, veio em forma de saudade ao deixar a prova. Jane e a mãe passaram pelo mesmo problema de saúde e as duas lutaram juntas contra a doença.
- Eu sinto muito a falta dela porque a minha mãe sempre me deu muito apoio. E hoje esse sentimento bateu forte porque descobrimos o câncer de mama praticamente no mesmo período e fizemos o tratamento juntas, só que o dela foi muito mais agressivo. Eu consegui me recuperar. Ela, não - contou.

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