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Lauter no Lance!: a sonhada conquista da vaga Olímpica, seus critérios e desafios

Início de segundo ano de ciclo traz definições dos critérios para obtenção de vaga olímpica

Alison dos Santos foi medalha de prata nos 400m com barreiras do Mundial de Tóquio (Foto: Philip Fong/ AFP)
imagem cameraAlison dos Santos foi medalha de prata nos 400m com barreiras do Mundial de Tóquio (Foto: Philip Fong/ AFP)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 03/02/2026
11:54

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É como se fossem estudantes do mundo inteiro, depois de passarem por 10, 12, 14 anos dando o máximo nas escolas, e enfrentassem um vestibular mundial, onde apenas 11 mil felizardos (e mais preparados), num universo de milhões de postulantes, conquistariam o direito de fazer parte da Família Olímpica. Uma enorme universidade do Esporte, que recebe os melhores atletas do mundo, de quatro em quatro anos, que submetidos a critérios extremamente rígidos, conquistam o direito de sonhar mais alto! Quem sabe o pódio olímpico, o ouro olímpico.

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O início de um segundo ano de ciclo olímpico traz as definições dos critérios para a obtenção de vaga olímpica. Seja por performance em competições internacionais, índices técnicos ou pelo ranking mundial, onde vão acumulando pontos, entre 2026 e 2028, via Circuitos Mundiais, ou etapas de Copa do Mundo e eventos designados. 

As vagas, em várias modalidades, alcançadas, são dos Comitês Olímpicos Nacionais, que selecionam os atletas em torneios seletivos (como as espetaculares seletivas dos EUA para Atletismo e Natação), que, algumas vezes, se tornam mais disputados do que as próprias finais olímpicas! Perto das seletivas quenianas, para os 3 mil com obstáculos, ou nas distâncias entre 800 e 10 mil metros, ou a seletiva americana das provas de velocidade, decatlo e arremesso de peso, costumam ser mais difíceis do que finais olímpicas!

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A partir de agora, vamos listar os esportes olímpicos em que poderemos ter algum protagonismo, descrever os critérios e citar alguns nomes de peso para LA 2028. Usaremos a ordem alfabética como critério de apresentação:

Atletismo

O esporte que gera o maior número de medalhas entre todos da família olímpica, com 48 conjuntos de medalhas (ouro, prata e bronze) é também o esporte com o maior contingente de atletas e de dias de provas.

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Os critérios de qualificação para o Atletismo ainda estão sendo finalizados pela World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) e pelo COI, mas irão se basear nas novas diretrizes aprovadas no final de 2025, e nos sistemas tradicionais já aplicados, como os índices de tempo para a Maratona, de 2h16'00 para os homens e 2h37 para as mulheres. Caso haja mais atletas com estes índices, a escolha acontecerá através de prova seletiva, ou escolha do CON (Comitê Olímpico Nacional).

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Métodos de vagas

Serão distribuídas em dois caminhos principais:

  • Índice Olímpico: atingindo a marca mínima definida pela World Athletics, em competição oficial
  • Ranking Mundial: pela pontuação alcançada em competições ( ranking "Road to LA28")

As datas do atletismo na grade de provas de LA28, mudaram. Normalmente, no cardápio Olímpico, a Natação abria com a 1ª semana, e o Atletismo fechava com os últimos 10 dias. Em Los Angeles, o Atletismo abre e fecha os Jogos, começando com as provas de pista de 15 a 24 de julho , e fechando com as provas de rua nos dias 27,29 e 30!

E o atletismo do Brasil, como será? Será quase o de sempre, na expectativa de alguma surpresa, mas com alguma consistência na marcha atlética, onde Caio Bonfim, nosso medalhista de prata e bronze, deve, sim, lutar pelo ouro.

Mas podemos esperar ótima apresentação de Viviane Lyra, que vem crescendo à cada temporada, e poderão aproveitar o Campeonato Mundial de Marcha, que acontece em abril, nas largas avenidas da capital federal.

Além da Marcha, nas provas de pista, podemos sempre contar com o - literalmente - gigante Alison dos Santos, nosso Piu, nos 400 com barreiras, a prova que conseguiu juntar os três melhores barreiristas longos de todas as gerações: além de Alison, Rai Benjamin - que correrá em casa -, o recordista mundial e viking por vocação, Karsten Warholm, da surpreendente Noruega, que, não satisfeita em dominar o mundo gelado das Olimpíadas de Inverno, vem crescendo a olhos vistos em esportes de verão, usando ciência e tecnologia de ponta em seus jovens talentos. E eles retribuem com... medalhas!

No mais, nos resta torcer pelo que temos, já indo para a terceira Olimpíada em busca de mais medalhas no atletismo. Sempre com eles, Caio, Vivi e Piu. Nada de novo no front!

Basquete

Tanto o tradicional, de cinco atletas, quanto o quase novato 3x3, já iniciaram um forte processo de renovação, e os critérios de classificação irão se basear numa classificatória, este ano, para a Copa do Mundo de Basquete em 2027. E também em Torneios Pré-Olímpicos mundiais.

A seleção feminina começou sua preparação para Los Angeles 2028, em agosto de 2024, participando de torneios pré-qualificatórios. Em agosto desse ano, acontecerá o Torneio Pré-Qualificatório Olímpico para seleções que não estiverem no Mundial de Basquete do ano corrente!

E, ufa, a etapa final de classificação será o Torneio Pré-Olímpico Mundial, em 2028 com 16 equipes.

Eu, sinceramente, acho que será mais fácil nossos bravos basqueteiros conquistarem as vagas jogando do que decifrar o criptografado texto aí de cima! 

Temos mais chances de classificação aos Jogos Olímpicos das meninas, que ora se encontram entre as 10 melhores seleções do Mundo (9º), e tem chances reais de classificação direta no Pré-Mundial deste ano, na China.

Já a equipe masculina acaba de ascender ao 10º lugar e, atualmente, segue disputando a Eliminatória das Américas para a Copa do Mundo. Ainda inconstante, o time vai ganhando forma.

Quanto à disputa das vagas para o 3x3, que contará com 12 países em LA28, também depende das vagas distribuídas pelo Ranking da FIBA e por Torneios Qualificatórios. Com o aumento no número de vagas, e pela melhora técnica dos dois times, temos, sim, chances de disputarmos os Jogos Olímpicos no Basquete 3x3, no 5x5 feminino, e até provavelmente, no masculino, sempre "com emoção"!

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Boxe

O Boxe olímpico brasileiro, que surgiu para o mundo nos Jogos de Londres 2012 de forma arrebatadora, quebrando, com três medalhas, um jejum que já durava 44 anos, vem mantendo um status de "esporte medalhista" a cada edição olímpica.

Apesar da frágil performance em Paris 2024, quando havia uma previsão de quatro a cinco medalhas, e a conquista de apenas um bronze, é notória a fome deste esporte pelo pódio olímpico em suas muitas categorias, e em ambos os gêneros. 

E as formas de obtenção de uma das 248 vagas (124 para cada sexo) são as seguintes:

  • Campeonato Mundial: onde os finalistas garantem vagas diretas, em 2027
  • Jogos Continentais: medalhistas em Jogos continentais e pan-americano
  • Torneios qualificatórios mundiais: acontecem nos primeiros meses de 2028

Pelo que fez em 2025, com muitas medalhas conquistadas em etapas da Copa do Mundo de Boxe, podemos imaginar uma colheita especial de medalhas em LA 2028. Com  a ajuda do técnico cubano Paco Garcia, e o surgimento dos "Novos Baianos", uma trinca de jovens ases boxeadores da Bahia, são ótimas as perspectivas quanto à pódio em LA208. O Boxe deve, sim, continuar a jornada iniciada em Londres 2012, colhendo medalhas para o Brasil.

Isaquias Queiroz vence a medalha de prata - Foto: Alexandre Loureiro/COB
Isaquias Queiroz vence a medalha de prata - Foto: Alexandre Loureiro/COB

Canoagem

A Canoagem brasileira vem ganhando destaque, a princípio nas provas de velocidade, a partir da Rio 2016, quando Isaquias Queiroz conquista três medalhas (2 pratas e 1 bronze). A partir de Tóquio 2021, também a Canoagem Slalom passou a ter uma atleta com perfil de pódio, ainda não confirmado. Ana Sátila, que no Mundial de Slalon conquistou um Top 10, foi oitava, vem crescendo e se consolidando como uma das melhores do mundo.

E quanto ao processo de qualificação para LA 2028?

Vamos lá, os critérios de qualificação, recém divulgados, são:

  • Campeonatos Mundiais: darão vagas diretas à LA 2028, provavelmente aos três primeiros
  • Campeonatos Continentais: vagas para vencedores
  • Ranking Mundial: as melhores posições (ainda não definiram quantas vagas), estas vagas deverão ser dos Comitês Olímpicos Nacionais, que usarão critérios técnicos para a distribuição

Futebol

Ah, o futebol olímpico, cheio de contradições e soberbas! Por muito pouco não saiu da grade de Esportes Olímpicos. Mas, respirou fundo, repensou, como falamos de futebol, baixou a bola, e aceitou a sua não hegemonia, mas suma importância, dentro de uma Olimpíada!

O futebol, que durante anos, tinha apenas uma restrição aos atletas participantes: que fossem TODOS amadores! Quanta desfaçatez! Os países socialistas e comunistas faziam a festa da hipocrisia! O leste europeu comandava a festa! A ideologia entrava em campo, e tornava amadores todos os futebolistas da finada "Cortina de Ferro" e adjacências. E o resto do mundo, sofria derrotas acachapantes, com seus meninos (sub 23 anos) inexperientes, e pouco afeitos a grandes disputas mundiais.

Fora o fato de que a 2ª Guerra Mundial ceifou a vida de milhões de jovens, que trocaram o campo de jogo, pelos campos minados, a bola pelas balas e o sorriso da vitória pelas lágrimas das ausências. Hoje, apenas a restrição de idade (apenas atletas sub 23 anos). 

E quanto à distribuição de vagas? Para Los Angeles 2028, sofrerá algumas mudanças na distribuição de vagas, afinal haverá um, belo e importante aumento no número de seleções femininas no torneio.

A distribuição de vagas é feita por classificação nos torneios Pré-Olímpicos Continentais oficiais. E o torneio de futebol em LA2028 terá 16 seleções, oriundas dos Pré-Olímpicos Continentais. Por exemplo: a região sul-americana terá direito a apenas duas vagas entre as 16 no total.

No feminino, que distribuía até Paris 2024 apenas 12 vagas para os Jogos de LA, agora equipara-se ao masculino, também com 16 vagas. Nada mais justo!

E como iremos em LA2028? A equipe feminina já garantiu uma das primeiras vagas e treina forte para o ouro inédito. Já a masculina, após ficar de fora de Paris 2024 (meu Deus, eu quase já havia esquecido esse vexame, a desclassificação no último pré-olímpico!) terá que passar pelo mesmo pré-olímpico de 2024, que acontecerá entre 2027 e 2028. 

Que tal levarmos mais a sério a preparação da nossa molecada? Cartas para a CBF!

Bem, fim do 2º TEMPO de um jogo duro, zero a zero sofrido e chorado. Bora pra prorrogação?

Na 3ª parte da trilogia contarei sobre os esportes que ainda não foram citados, mostrando os caminhos para as sonhadas vagas olímpicas, e também sobre nossas chances em cada um deles.

Como diria, Galvão, haja coração!

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