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Uefa declara boicote à Copa do Mundo e rompimento com a Fifa

Entidade europeia faz duro pronunciamento contra decisão de Infantino

PorJoão BrandãoRio de Janeiro (RJ)
30/07/2026 13:23
Presidente da Uefa, Ceferin em evento da entidade europeia
Presidente da Uefa, Ceferin em evento da entidade europeia (Foto: Predrag MiloSavlJevic/AFP)

A Uefa e suas 55 associações fizeram um duro pronunciamento contra o projeto de criação do FIFA Forward Enterprise (FFE). Em nota, a entidade declarou rompimento com o órgão que rege o futebol mundial por conta dos interesses comerciais da entidade.

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A FIFA Forward Enterprise é empresa avaliada em US$ 20 bilhões que concentraria os ativos comerciais da Fifa, incluindo os direitos da Copa do Mundo, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes. A entidade pretende vender cerca de 20% da companhia para investidores privados e levantar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, mantendo o controle acionário da nova estrutura.

Em nota, a Uefa afirmou que o futebol "não pode ser tratado como um produto de investimento" e afirmou que a Fifa colocou as federações nacionais em situação delicada em uma atitude antidemocrática. Diante desse cenário, a entidade europeia fez uma reunião emergencial com suas associações para discutir o tema.

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- Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada. Ninguém deve ter dúvidas: a UEFA e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação. Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda.

Com esse comunicado, a Uefa coloca em dúvida a participações de seleções europeias na Copa do Mundo Feminina, que é organizada pela Fifa. Em outubro, as Eliminatórias da Europa para o Mundial do Brasil possuem jogos marcados para os dias 9 e 13. No entanto, não há certeza se as partidas ocorrerão nessas datas diante do forte comunicado da Uefa sobre os planos da Fifa.

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Veja o comunicado da Uefa na íntegra

A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da FIFA para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

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É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com os responsáveis ​​pela gestão do esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Esta não é uma "decisão democrática", mas sim uma governança pela intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial.

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Mas a nossa oposição vai muito além dos processos.

No momento em que investidores externos adquirem participações acionárias em competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser guiada pelo que é melhor para o esporte e passa a ser guiada pelo que é melhor para os acionistas.

Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cuja principal obrigação é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem ser subordinados ao retorno dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em busca de lucro.

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A posição da Europa é clara. Jamais daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que simplesmente detém em custódia para a próxima geração.

Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.

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Ninguém deve ter dúvidas: a UEFA e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação.

Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos.

Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda.

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O que é a Fifa Forward Enterprise?

A decisão da Fifa de colocar parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo nas mãos de investidores privados deixou de ser apenas uma proposta financeira para se transformar em uma disputa política que ameaça aprofundar o maior racha institucional do futebol mundial desde a chegada de Gianni Infantino ao poder, em 2016. Em poucos dias, a iniciativa desencadeou uma reação coordenada de confederações, ligas, sindicatos de jogadores e dirigentes, enquanto a própria entidade elevou a pressão sobre suas 211 associações filiadas ao estabelecer um prazo para que decidam se aderem ao novo modelo.

O projeto prevê a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa avaliada em US$ 20 bilhões que concentraria os ativos comerciais da Fifa, incluindo os direitos da Copa do Mundo, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes. A entidade pretende vender cerca de 20% da companhia para investidores privados e levantar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, mantendo o controle acionário da nova estrutura.

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A operação seria liderada pela Thrive, empresa fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elo que acabou ampliando um componente político que já acompanhava a gestão de Infantino desde a realização da última Copa do Mundo.

O presidente da Fifa apresentou o projeto como uma oportunidade para aumentar os recursos distribuídos às federações nacionais. Em carta enviada às associações, prometeu acesso imediato a US$ 20 milhões para quem aderir ao novo modelo, além de novos aportes nos ciclos seguintes. Ao mesmo tempo, deixou claro que quem rejeitar a proposta continuará recebendo apenas os valores já previstos pelo programa tradicional de desenvolvimento da entidade.

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Na prática, a diferença financeira transformou a votação em um teste de fidelidade política. As federações terão até 19 de setembro para decidir se aceitam participar do novo sistema de financiamento.

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