Eliminação da França em 2026 reacende memória de timaços sem Copa do Mundo

Franceses entram para a galeria de gigantes que marcaram época sem a taça

PorPedro BernardoRio de Janeiro (RJ)
15/07/2026 17:05

Supervisionado porAlessandra Ferreira,
O atacante francês número 10, Kylian Mbappé, reage durante a partida semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre França e Espanha, no Estádio Dallas, em Arlington.
Mbappé e o badalado elenco francês dão adeus ao sonho do título na semifinal de 2026, entrando para a galeria dos grandes esquadrões que pararam pelo caminho (Foto: Franck Fife / AFP)

A queda da França na semifinal da Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona uma velha máxima do futebol: nem sempre os elencos mais brilhantes e dominantes terminam com a taça nas mãos. Ao serem parados antes da grande decisão, os badalados franceses se juntaram a uma seleta e melancólica galeria de seleções históricas que revolucionaram o esporte, encantaram gerações, mas acabaram batendo na trave na hora de conquistar o troféu da Copa do Mundo.

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Abaixo, o Lance! relembra os maiores esquadrões da história que marcaram época, mas ficaram sem o título mundial.

Hungria (1954)

A Hungria de 1954 é o principal exemplo de equipe revolucionária que acabou sem a coroa. Conhecido como "Magiares Mágicos", o time comandado pelo técnico Gusztáv Sebes quebrou os padrões táticos da época (o engessado sistema WM: um esquema tático do futebol estruturado no desenho de três defensores, dois volantes, dois meias-atacantes e três atacantes) ao adotar uma movimentação fluida de atletas — o embrião do esquema 4-2-4. O elenco contava com lendas como Ferenc Puskás, o artilheiro Sándor Kocsis, o inovador "falso nove" Nándor Hidegkuti e o goleiro Gyula Grosics, pioneiro ao jogar adiantado, ajudando na construção de jogadas desde a defesa.

"Batalha de Berna": final da Copa do Mundo de 1954 teve a Alemanha Ocidental vitoriosa sobre a Hungria
"Batalha de Berna": final da Copa do Mundo de 1954 teve a Alemanha Ocidental vitoriosa sobre a favorita Hungria (Foto: Acervo Lance!)

Após aplicar goleadas acachapantes na fase de grupos — incluindo um 9 a 0 na Coreia do Sul e um 8 a 3 na Alemanha Ocidental —, os húngaros superaram o Brasil por 4 a 2 nas quartas, na violenta partida que ficou conhecida como a "Batalha de Berna", e despacharam o Uruguai pelo mesmo placar na semifinal.

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Na finalíssima, diante da mesma Alemanha Ocidental que havia goleado antes, a Hungria abriu 2 a 0 logo aos oito minutos, com gols de Puskás e Czibor. Contudo, os alemães reagiram rapidamente, empataram o confronto e, aos 84 minutos, Helmut Rahn marcou o gol da virada por 3 a 2, sacramentando a zebra histórica apelidada de o "Milagre de Berna".

Holanda (1974)

Apelidada de "Laranja Mecânica", a Holanda de 1974 assombrou o planeta com o chamado "Futebol Total", modelo de jogo em que os atletas não guardavam posições fixas e pressionavam o adversário de forma asfixiante. Liderada em campo pelo craque Johan Cruyff, a seleção construiu uma campanha irretocável na Alemanha.

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Holanda perdeu a final da Copa do Mundo de 1974 para a Alemanha Ocidental
Holanda perdeu a final da Copa do Mundo de 1974 para a Alemanha Ocidental (Divulgação/Fifa)

Na primeira fase, os holandeses venceram o Uruguai (2 a 0), empataram com a Suécia (0 a 0) e golearam a Bulgária (4 a 1). Na fase seguinte, atropelaram a Argentina por 4 a 0, passaram pela Alemanha Oriental (2 a 0) e eliminaram o então campeão Brasil por 2 a 0. A única derrota dos comandados de Rinus Michels aconteceu justamente na final, quando os anfitriões da Alemanha Ocidental conseguiram neutralizar o esquema revolucionário e venceram de virada por 2 a 1. Quatro anos mais tarde, em 1978, a Holanda retornaria à final, sendo superada novamente pelos donos da casa — desta vez, a Argentina, por 3 a 1.

Brasil (1982)

Considerada por muitos uma das melhores seleções que o futebol brasileiro já produziu, a "Seleção de Ouro" de 1982, dirigida por Telê Santana, reuniu uma constelação de meio-campistas geniais como Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo. O futebol vistoso, ofensivo e baseado no toque de bola rápido encantou o mundo na Espanha.

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Rossi comemora gol marcado contra o Brasil na Copa do Mundo de 1982
A Itália eliminou o Brasil na conhecida "Tragédia do Sarriá" na segunda fase da Copa do Mundo de 1982 (Foto: Acervo / Lance!)

Na fase de grupos, o Brasil sobrou: bateu a União Soviética por 2 a 1, goleou a Escócia de Kenny Dalglish por 4 a 1 e passou fácil pela Nova Zelândia por 4 a 0. Na segunda fase, os brasileiros venceram a rival Argentina por 3 a 1, em tarde marcada pela expulsão de Maradona. No entanto, a caminhada rumo ao tetra parou de forma dramática diante da Itália de Paolo Rossi, na célebre "Tragédia do Sarriá", onde a Azzurra venceu por 3 a 2 e avançou, deixando o Brasil de luto após um jogo inesquecível.

Dinamarca (1986)

Em sua primeira participação em Mundiais, a Dinamarca de 1986 entrou para a história como a "Dinamáquina". Sob a batuta do treinador Sepp Piontek, a equipe dinamarquesa praticava um futebol moderno, alegre e agressivo, servindo de vitrine para astros do calibre de Michael Laudrup e Preben Elkjaer.

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Dinamarca encantou na primeira fase em 1986
Com um estilo ofensivo e envolvente de Laudrup e Elkjær, a Dinamarca surpreendeu gigantes no México antes da eliminação precoce nas oitavas (Foto: Reprodução/Twitter)

Mesmo caindo em um dos grupos mais complexos do torneio no México, a Dinamarca sobrou: estreou vencendo a Escócia por 1 a 0, humilhou o Uruguai com um histórico 6 a 1 e bateu a forte Alemanha Ocidental por 2 a 0. Apontada como grande candidata ao troféu, a equipe acabou sofrendo um apagão tático logo nas oitavas de final, sendo impiedosamente goleada pela Espanha por 5 a 1, jogo em que o espanhol Emilio Butragueño brilhou anotando quatro gols.

França (2026)

O capítulo mais recente dessa lista de gigantes frustrados foi escrito pela França. Recheada de talentos individuais de nível mundial como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise, a seleção francesa desembarcou nos Estados Unidos com o status de principal favorita a erguer a taça, credenciada pelo título de 2018 e pelo vice-campeonato de 2022.

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O atacante francês número 10, Kylian Mbappé, reage após a derrota na semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre França e Espanha, no Estádio Dallas, em Arlington
Mbappé e o badalado elenco francês dão adeus ao sonho do título na semifinal de 2026, entrando para a galeria dos grandes esquadrões que pararam pelo caminho (Foto: Franck Fife / AFP)

Os franceses passearam na fase de grupos e avançaram com autoridade nas etapas de mata-mata. Contudo, nas semifinais, o favoritismo e o retrospecto positivo ruíram diante da organização tática da Espanha. Apesar da qualidade de suas estrelas, os Bleus foram dominados pelo time espanhol liderado por Lamine Yamal e acabaram eliminados com uma derrota por 2 a 0, repetindo o drama histórico de ver um dos elencos mais brilhantes de sua geração cair sem alcançar a grande final.

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