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Cacau defende Vini Jr e reflete sobre racismo na Alemanha: 'Conscientes da história'

Ex-atacante brasileiro se naturalizou alemão e vive na Europa há mais de 25 anos

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Pedro Werneck
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 25/02/2026
06:50

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O ex-atacante Cacau, nascido no Brasil e naturalizado alemão, defendeu Vinícius Júnior na luta contra o racismo e refletiu sobre o cenário na Alemanha, onde mora há mais de 25 anos. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o ex-jogador da seleção alemã elogiou as posturas de Kylian Mbappé, companheiro de Vini no Real Madrid, e Vincent Kompany, treinador do Bayern de Munique, diante do último caso de suposta injúria racial contra o brasileiro.

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O astro francês defendeu o parceiro de time em campo imediatamente após relato de ofensa do rival. Já o técnico belga fez longa reflexão em entrevista coletiva sobre o caso, destacando que o atacante da Seleção Brasileira não poderia ser responsabilizado pelo racismo sofrido. Para Cacau, o apoio de outras grandes figuras do futebol é tão importante quanto as denúncias de Vini Jr.

— Eu fico feliz que duas figuras importantes no mundo do futebol deram suas opiniões. Primeiro, o Mbappé, que deixou claro a sua posição e a defesa do Vini logo depois do acontecimento. Depois, o Kompany, que cravou sua opinião para todos os segmentos, com clareza e respeito, sem margens para interpretação. Aqui na Alemanha, como em outras partes da Europa, muitos usam o estilo irreverente do Vini, a maneira de jogar, as provocações trocadas com adversários e torcidas, para minimizar o que ele passa. Isso dá margem para se dizer: "Se ele provoca, merece a discriminação". A entrevista do Kompany matou esse argumento. Achei muito importante, porque também é a minha opinião. O estilo de jogo nunca pode ser motivo para o racismo — opinou.

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O ex-atacante chegou à Alemanha aos 18 anos e escolheu continuar vivendo lá após a aposentadoria. Em sua experiência, considera o país consciente atualmente acerca de questões raciais.

— É um tema muito falado aqui desde que cheguei, as pessoas são respeitosas, claras e conscientes da história da Alemanha. A minha experiência pessoal é que fui menos discriminado aqui na Alemanha do que no Brasil. Eu procuro falar, porque muita gente não conhece a Alemanha e acha que isso acontece em toda esquina. Também existe aqui, principalmente nos últimos cinco ou dez anos, mas não chega perto do que passei no Brasil. O trabalho de conscientização deve ser diário, devemos lutar o tempo todo para que isso acabe e a gente possa falar das coisas positivas no futebol e na sociedade — relatou Cacau.

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Vini Jr relata injúria e é apoiado por Mbappé e Kompany

Em jogo entre Real Madrid e Benfica pela Champions League, no último dia 17, Vini Jr marcou um golaço, que garantiu a vitória dos espanhóis por 1 a 0 no Estádio da Luz, em Lisboa. Na comemoração, dançou em frente à bandeirinha de escanteio, virado para os torcedores da equipe portuguesa, e foi punido com cartão amarelo pelo árbitro François Letexier.

A partir de então, se iniciou discussão intensa entre o brasileiro e Gianluca Prestianni. Em determinado momento, o argentino colocou a camisa por cima da boca para falar. Vinícius, então, correu imediatamente na direção de Letexier para fazer a denúncia de injúria racial. Para acionar o protocolo, o juiz sinalizou um "X" com os braços e paralisou a partida, conforme previsto pela regra, conversou com os atletas, mas reiniciou o jogo sem qualquer punição.

Em entrevista à "TNT Sports" após o confronto, o francês Mbappé, companheiro de Vini no Real Madrid, detalhou o que o jogador do Benfica teria falado.

— No momento de tensão, o camisa 25 do Benfica usou palavras inaceitáveis. Ele colocou a camisa na boca para que as câmeras não captassem o que dizia e chamou Vini Jr de macaco cinco vezes. Eu, Vini e outros jogadores do Real Madrid perdemos o controle. Não queríamos voltar a jogar. Isso é inaceitável. Somos vistos por muitas crianças, muitas pessoas nos assistem, então precisamos dar exemplos — explicou o atacante.

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Mbappé discute com José Mourinho durante duelo entre Real Madrid e Benfica (Foto: Patricia de Melo Moreira / AFP)

Em entrevista coletiva na última sexta-feira (20), o técnico Vincent Kompany aproveitou questionamento para fazer longo desabafo sobre a situação de Vini Jr. Primeiro, o belga disse que a reação do brasileiro foi genuína, pois não teria nenhum motivo para inventar a injúria racial. Depois, também criticou fortemente a declaração de José Mourinho, treinador do Benfica, que citou o jeito provocativo do astro do Real Madrid ao comentar o episódio.

— Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança. Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini... — disparou o ex-zagueiro.

Na última segunda-feira (23), a Uefa suspendeu preventivamente o atacante Prestianni por uma partida em competições internacionais, conforme anunciado pelo Departamento de Controle, Ética e Disciplina da entidade. Com isso, o argentino está fora do jogo de volta dos playoffs da Champions League, nesta quarta-feira (25), no Santiago Bernabéu.

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