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Bósnia x Itália: duelo entre europeus terá clima de Libertadores; entenda

Tensão do duelo envolve suspeita de espionagem

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 31/03/2026
09:34
Moise Kean celebra gol da Itália sobre a Irlanda do Norte
imagem cameraMoise Kean celebra gol da Itália sobre a Irlanda do Norte (Foto: Alberto Pizzoli/AFP)

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Bósnia e Itália farão um duelo típico dos grandes jogos da América do Sul, nesta terça-feira (31). Buscando uma vaga na Copa do Mundo de 2026, as seleções se enfrentam no estádio Bilino Polje, em Zenica, em um confronto que vale o retorno da Azzurra ao Mundial após 12 anos de ausência – ou a segunda participação da Bósnia na história. O cenário escolhido para a decisão tem tudo para lembrar mais uma noite de Libertadores do que um playoff europeu: gramado irregular, público reduzido por punição, clima hostil e uma tensão que já tomou conta dos bastidores.

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O estádio Bilino Polje, em Zenica, cidade de pouco mais de 115 mil habitantes a 70 quilômetros de Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, não tem nada dos gramados impecáveis que costumam receber as grandes seleções europeias. Com capacidade para 15 mil torcedores, terá apenas 9 mil ingressos liberados – punição imposta pela Fifa após incidentes racistas e confusões na partida contra a Romênia em novembro. O tamanho reduzido, porém, não diminui a intensidade. Kerim Alajbegovic, da Bósnia, ilustrou isso:

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O gramado, alvo de críticas dos italianos desde a chegada da delegação, também virou tema. A neve que caiu no fim de semana e a previsão de chuva com temperaturas abaixo de zero no dia do jogo completam o cenário hostil. Gennaro Gattuso, técnico da Azzurra, tentou minimizar o impacto, mas reconheceu o cenário adverso.

– Não devemos pensar no campo. O campo é um álibi. Se está ruim, está ruim para nós e ruim para eles. Mas é preciso jogar. Se ficarmos lá pensando se o campo é bonito ou feio, vamos perder o foco no que realmente importa – afirmou o treinador.

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Bósnia x Itália - Eliminatórias Euro
Itália e Bósnia em ação nas Eliminatórias da Copa de 2022 (Foto: Divulgação/Itália)

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Espionagem, alfinetadas e um histórico de gratidão

Se as condições do palco já lembram as noites mais quentes da Libertadores, os bastidores elevam a tensão a outro patamar. A Federação Bósnia denunciou um suposto caso de espionagem na última segunda-feira: um soldado italiano teria sido flagrado filmando um treino fechado da seleção bósnia no centro de treinamento de Butmir, próximo à base da EUFOR em Sarajevo. A entidade local formalizou queixa, enquanto a versão italiana nega qualquer ligação do militar com a comissão técnica de Gattuso.

A polêmica se soma à provocação que tomou conta das vésperas do jogo. Vídeos de jogadores italianos comemorando a vitória da Bósnia sobre o País de Gales na semifinal viralizaram. Entre eles, o lateral Dimarco foi flagrado vibrando com o resultado que definia o adversário. A resposta bósnia veio rápida e afiada, com Edin Dzeko, o veterano de 40 anos que é a principal referência do time.

– Se uma seleção quatro vezes campeã tem medo de jogar em Gales… algo não funciona. Eles têm muito em jogo após duas Copas fora, quer dizer que têm medo. Não vão nos subestimar. Não têm mais um Totti ou Del Piero – disparou o atacante.

Dimarco, por sua vez, explicou que não houve desrespeito. Gattuso, ao responder, preferiu exaltar o rival.

– Aos 40 anos ele ainda faz gols e diz palavras assim. Está anos-luz à frente como profissional. É um grande campeão e grande homem – disse o treinador italiano.

Por trás da troca de farpas, há uma história de gratidão que poucos lembram. A primeira seleção a visitar Sarajevo após a sangrenta guerra de independência da Bósnia foi a Itália, em 1996. O amistoso, vencido pelos bósnios por 2 a 1, simbolizou o retorno do país ao cenário esportivo internacional. Dzeko não esqueceu.

– Talvez muitos não se lembrem e não saibam, mas a Itália foi a primeira a vir aqui. Por isso, seremos sempre gratos. Durante 90 minutos, certamente haverá uma guerra, mas depois disso, amigos como antes. Assim é o futebol – declarou.

Vida ou morte em campo entre Itália x Bósnia

O peso do confronto é imenso para os dois lados. A Itália, tetracampeã mundial, não disputa uma Copa desde 2014 e amarga eliminações nas repescagens de 2018 (para a Suécia) e 2022 (para a Macedônia do Norte). A terceira ausência consecutiva seria um desastre de proporções históricas. A Bósnia, por sua vez, busca apenas sua segunda participação em Copas – a primeira foi justamente no Brasil, em 2014. Para o país que declarou independência em 1992, uma vaga no Mundial tem sabor de afirmação definitiva no mapa do futebol. Miralem Pjanić, ídolo aposentado, resumiu o que Zenica espera para esta terça.

– Será um evento histórico. A Bósnia vai parar por algumas horas: três milhões de pessoas empurrando o nosso time. Vai ser uma atmosfera nunca vista no estádio. Vocês vão se chocar com a nossa paixão. Vamos ferver o ambiente. Não será nada agradável para os italianos estarem lá, acredite – afirmou.

A bola rola às 15h45 (de Brasília), com transmissão do SporTV. Quem vencer estará na Copa do Mundo. Quem perder, terá que esperar pelo menos mais quatro anos.

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