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Análise tática do Guffo: Mbappé pode ser um problema para a França?

Mudanças de função e encaixe em campo levantam debate sobre o impacto do astro

Kylian Mbappé (#10) reage a uma chance perdida durante a partida entre Espanha e França
imagem cameraKylian Mbappé (#10) reage a uma chance perdida durante a partida entre Espanha e França (Foto: Javier Soriano/AFP)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 15/05/2026
15:03
Atualizado há 21 minutos

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A grande pergunta antes da próxima Copa não é se Mbappé ainda é um dos jogadores mais decisivos do planeta; isso ele é. A questão é outra, mais incômoda e mais importante: o Mbappé de 2026, do Real Madrid, pode ser um problema para a própria França? E a resposta, olhando para o que ele tem produzido na Espanha, não é tão simples quanto parece.

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O primeiro ponto é entender que o Mbappé do PSG e o Mbappé do Real Madrid são jogadores diferentes. No PSG, ele fazia parte de um ecossistema que girava para servi-lo. Ele era o ponto focal de um modelo que dependia de ações individuais, ataque em transição e pouca recomposição. O trio Messi-Neymar-Mbappé entregava brilho, mas cobrava um preço tático altíssimo: o PSG defendia com sete jogadores e atacava com lampejos, sem coordenação coletiva. Era um time partido e, por isso, frágil no mata-mata.

Um cenário diferente em Madri

No Real Madrid, o cenário era o oposto. Carlo Ancelotti construiu um time baseado em ocupação racional de espaços, pressão coordenada e altíssima mobilidade dos atacantes. Vinícius era absoluto na esquerda, Bellingham invadia como elemento surpresa e Rodrygo circulava como falso 9 inteligente. A chegada de Mbappé, porém, quebrou esse equilíbrio. Ele ocupava a exata zona de impacto de Vinícius, e ao ser deslocado para jogar como 9, perdeu seu maior diferencial: o arranque vindo de frente, com campo para atacar.

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O resultado foi um Real Madrid menos intenso na pressão inicial, mais vulnerável na transição e com dois jogadores disputando o mesmo ecossistema. O encaixe não funcionava porque o time deixou de ser um organismo único para virar uma soma de estrelas que se sobrepõem. E isso se repetiu com Xabi Alonso e com Arbeloa.

E claro que esse tipo de impasse estoura no vestiário. A relação entre Mbappé e Arbeloa azedou justamente por causa desse conflito: o técnico cobra participação sem bola; Mbappé responde com apatia defensiva e desconforto no papel tático exigido. O vestiário sente, o ambiente pesa e o Real Madrid perde identidade, algo que nunca acontece impunemente em clubes desse tamanho.

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Deschamps entendeu o recado

E o que isso diz sobre a França? Muito. Deschamps já entendeu que a seleção não pode repetir o erro do Real Madrid: não pode colocar Mbappé na função que ele não quer fazer e que não sabe fazer mais. O caminho tem sido outro: centralizá-lo, sim, mas com a função de segundo atacante móvel, protegido pelos operários de lado: Olise, Dembélé, Doué, Barcola. Esses pontas dão profundidade, recomposição e intensidade. Carregam peso tático para que Mbappé possa ser o que ele ainda é melhor que todos: o definidor que ataca espaço curto e finaliza com brutalidade.

Posicionamento da seleção francesa com Kylian Mbappé no campo de ataque (Foto: Arte/Sportsbase)
Posicionamento da seleção francesa com Kylian Mbappé no campo de ataque (Foto: Arte/Sportsbase)

Por outro lado, se a França aceitar que Mbappé é um "9 de liberdade", não um centroavante clássico, e cercá-lo de intensidade por todos os lados, Deschamps transforma uma possível fraqueza em vantagem. Os novos pontas franceses são agressivos, fortes, jovens e energéticos, ideais para equilibrar um astro que não vai defender com consistência.

Mbappé pode ser um problema para a França? Se o time for moldado para ele. Mas não será problema nenhum se ele for moldado para o time. A França de Deschamps só precisa entender o que o Real Madrid ainda não entendeu: Mbappé não é estrutura, é finalização. Não é sistema, é ruptura. Não entrega equilíbrio, entrega gol. E em Copa do Mundo, gol ainda é a última palavra.

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