40 anos do Brasil x França que parou o futebol na Copa do Mundo
Partida foi chamada de "jogo do século" por Pelé

Alguns jogos não terminam quando o árbitro apita o fim. Eles continuam sendo disputados na memória de quem os viu, nos vídeos que atravessam gerações e nas conversas de bar que nunca envelhecem. Brasil x França, em 21 de junho de 1986, é um desses casos. Neste domingo (21), a partida completa exatos 40 anos. E continua sendo lembrada como uma das maiores da história das Copas do Mundo. Para Pelé, o "jogo do século".
➡️Além de Robertson, em quem o Brasil deve ficar de olho da Escócia?
No Estádio Jalisco, em Guadalajara, diante de 65 mil pessoas e sob um calor de quase 40 graus, duas das seleções mais talentosas já reunidas protagonizaram um espetáculo de 120 minutos que misturou genialidade, drama, reviravoltas e uma disputa de pênaltis eterna.
Ao fim, a França venceu por 4 a 3 nas penalidades, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, eliminando a equipe de Telê Santana e encerrando uma das histórias mais fascinantes do futebol brasileiro. Mas há um detalhe pouco lembrado: Pelé, aposentado havia nove anos, cogitou voltar para jogar justamente aquela Copa.
O Brasil de Telê e a França do "Quadrado Mágico". A Copa de 1986 reunia duas escolas de futebol em seu auge. De um lado, o Brasil ainda carregava boa parte dos craques que encantaram o mundo em 1982. Sócrates, Zico, Júnior e o técnico Telê Santana buscavam a redenção quatro anos depois da traumática eliminação para a Itália.
O elenco havia mudado, mas continuava brilhante. Careca vivia o auge da carreira, Josimar era a revelação da Copa e a Seleção chegava às quartas de final invicta, com quatro vitórias e nenhum gol sofrido.
Além disso, havia um fator emocional. O Jalisco era praticamente uma segunda casa da Amarelinha. Foi ali que o Brasil construiu parte do tricampeonato em 1970. E em 1986 repetiu a rotina: venceu Espanha, Argélia, Irlanda do Norte e Polônia no estádio de Guadalajara. Eram nove vitórias consecutivas no local.
Do outro lado estava a melhor geração francesa até então. Campeã da Euro de 1984, a França tinha Michel Platini, tricampeão consecutivo da Bola de Ouro, além de Alain Giresse, Jean Tigana e Luis Fernández, formando o lendário "Carré Magique", o Quadrado Mágico. Muitos consideravam aquele confronto uma final antecipada.
Décadas depois, o goleiro Joël Bats resumiu o sentimento:
— Sempre achei que comemoramos esse jogo emocionalmente demais porque o torneio não havia acabado. Talvez porque tivéssemos a impressão de que França x Brasil era a verdadeira final da Copa do Mundo. O "jogo do século".
A partida começou ao meio-dia. O calor passava dos 35 graus e a altitude de Guadalajara fazia a bola correr ainda mais rápido. Mesmo assim, o ritmo foi frenético. Logo aos 17 minutos, o Brasil abriu o placar numa jogada que parecia resumir o futebol de Telê Santana.
Müller e Júnior trocaram passes em velocidade, Careca apareceu livre na área e acertou uma bomba sem defesa para Joël Bats. Era o quarto gol do atacante na Copa. O Brasil dominava. Pouco depois, Müller acertou a trave e esteve perto de ampliar.
Mas aquela França não se abalava facilmente. Aos 40 minutos, Dominique Rocheteau cruzou rasteiro, Yannick Stopyra se chocou com o goleiro Carlos e a bola sobrou limpa para Platini empatar. Era aniversário de 31 anos do camisa 10 francês. Foi também seu último gol pela seleção.
O segundo tempo elevou ainda mais o nível do espetáculo. Jean Tigana arrancou do meio-campo e quase marcou um golaço. Careca acertou o travessão.
Então veio o lance que mudou a história. Zico, recuperando-se de uma grave lesão no joelho e começando no banco, entrou no segundo tempo. Poucos minutos depois, encontrou Branco com um passe magistral por elevação. O lateral driblou Bats e foi derrubado. Pênalti para o Brasil. O próprio Zico assumiu a cobrança. Bats defendeu.
O jogo seguiu para a prorrogação. Depois, para os pênaltis, com classificação francesa E Pelé, que acompanhava a Copa, cravou:
— Tenho orgulho de ter jogado Brasil x Inglaterra em 1970. Foi um jogo emocionante entre duas grandes equipes. Mas isso não foi nada comparado a este jogo. O ritmo era inacreditável. Foi o jogo do século.
A história poderia ter sido ainda mais surreal. Anos depois, Pelé revelou que se colocou à disposição para defender a Seleção em 1986. Aos 45 anos. Aposentado desde 1977, ele acreditava que poderia ajudar uma equipe que sofria com lesões e problemas físicos de seus principais craques.
— Uma semana antes fizeram a proposta. Eu teria uns 25 dias para treinar. Acho que daria para ajudar o Brasil. Talvez fosse, profissionalmente, uma das maiores besteiras que eu faria na vida.
A França eliminou o Brasil, caiu diante da Alemanha Ocidental na semifinal e terminou em terceiro lugar. A Argentina de Maradona conquistou o título. Mas, para muitos, a verdadeira final aconteceu oito dias antes.

O que vem por aí para Brasil e França?
A Seleção Brasileira entra em campo nesta quarta-feira (24) contra a Escócia, às 19h (de Brasília). O próximo jogo da França é na segunda-feira (22), contra o Iraque, às 18h (de Brasília).
💸 Novibet — bônus de aposta extra até R$100
É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
📲 De olho no Lance! e na Copa do Mundo. Todas as notícias, informações e acontecimentos em um só lugar.
Tudo sobre
Sugerida para você!






Mais LANCE!
















