Análise: João Fonseca busca, contra Djokovic, subir de patamar
Contra o ex-líder do ranking, brasileiro tenta maior vitória da carreira

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Melbourne, 14 de janeiro de 2025, em sua estreia no Australian Open e em Grand Slams. Naquele dia, aos 18 anos, João Fonseca saboreou a maior vitória da carreira, a única até aqui sobre um top 10: o russo Andrey Rublev (9º, por 3 sets a 0). Nesta sexta-feira, o número 1 do Brasil tem a oitava oportunidade de derrubar um rival nesse seleto grupo. E, nesta sexta-feira, pela terceira rodada de Roland Garros, se eliminar o favorito e tricampeão sérvio Novak Djokovic, de 39 anos, 4º do mundo, mais que uma inédita vaga às oitavas de final, o carioca vai subir de patamar.
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Fora a irretocável atuação contra Rublev, após furar o qualifying, há pouco mais de 14 meses, na quadra rápida, o pupilo do técnico Guilherme Teixeira já mostrou potencial em outras partidas contra top 10. E, em duas das quatro derrotas para rivais desse quilate em 2026, ambas no saibro e em abril, o brasileiro forçou o set decisivo, mostrando que está no caminho certo para a tão sonhada subida de nível. Foi assim contra o americano Ben Shelton (6º), nas quartas de final do ATP 500 de Munique (6/3, 3/6 e 6/3) e, diante do alemão Alexander Zverev (3º), na mesma fase do Masters 1000 de Monte Carlo (7/5, 6/7 e 6/3).

Também na atual temporada, ambos em março e na quadra rápida, João Fonseca desafiou, pela primeira vez na carreira, os dois melhores do planeta. Contra o italiano Jannik Sinner, então vice-líder, nas oitavas do Masters 1000 de Indian Wells, o carioca chegou a ter três set points no primeiro tiebreak (dois deles no saque do adversário). Mas acabou superado por 7/6 (6) e 7/6 (4). Já em Miami, diante do espanhol Carlos Alcaraz (1º), a maior proeza do número 1 do Brasil foi ter tido três breaks, todos salvos pelo rival, que dominou a partida.
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Sinner elogiou João Fonseca
Após o duelo na Califórnia, o tenista da Itália não poupou elogios ao brasileiro:
— Acho que ele não tem medo. Ele gosta de arriscar. É muito agressivo. Tem uma mentalidade excelente. Sinto que ele está em ótimas mãos com sua equipe. Eles têm uma abordagem muito positiva em relação ao tênis, o que é muito importante, principalmente para jogadores jovens. Com certeza ele será muito, muito difícil de ser batido. Ele já é muito difícil de ser batido, mas no futuro será ainda mais. Definitivamente, é bom para o esporte tê-lo.
Uma das lições que, certamente, o carioca aprendeu, em jogos contra rivais desse porte, é que as poucas chances que surgem devem ser aproveitadas.
Da marcante vitória sobre Rublev para cá, João Fonseca vem mostrando maturidade, dosando melhor sua incrível força nos golpes e, por vezes, variando as potentes batidas com curtas e/ou subidas à rede. Há dois dias, na maior virada da carreira, a única após estar perdendo por dois sets a 0, sobre o croata Dino Prizmic (72º), o número 1 do Brasil mostrou tudo isso.
O único campeão de Slam vivo na chave
Aos 39 anos, Djokovic, recordista de títulos de Grand Slams (24) e de Masters 1000 (40), entre outras conquistas, obviamente, não está na mesma forma de outras temporadas. Mas, ainda assim, pela enorme experiência e coleção de troféus, costuma lutar até o final e não se entregar.

Com a surpreendente derrota de Sinner, que buscava o único Grand Slam que lhe falta, para o argentino Juan Cerundolo, só restou um ex-campeão de torneios desse nível: justamente Djokovic.
Não por acaso, as quatro últimas derrotas do sérvio em competições desse porte foram para a dupla Sinner e Alcaraz (desde Paris, em 2025). Como se sabe, o espanhol, lesionado no pulso, não disputou Roland Garros.
Alcaraz superou Djokovic na semifinal do US Open do ano passado e na mais recente decisão do Australian Open. Já Sinner levou a melhor sobre o sérvio nas semis de Paris e de Wimbledon, ambas na temporada passada.
Resta saber se João Fonseca vai frustrar essa busca do rival pelo 25º Slam, ou se o recordista vai dar um passo enorme para nova conquista.
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