De volta aos EUA, Wesley destaca peso da Seleção e celebra ida à Copa
Lateral fala da adaptação ao futebol italiano e de como pode ajudar a equipe

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MORRISTOWN (EUA) — Há um ano, Wesley desembarcava nos Estados Unidos com a camisa do Flamengo para disputar o Mundial de Clubes. Agora, em 2026, o cenário é outro. O lateral-direito retorna ao país como jogador da Seleção Brasileira na reta final de preparação para a Copa do Mundo. E, para ele, a diferença entre os dois momentos é evidente.
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Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (4), no hotel onde a delegação brasileira está hospedada em Nova Jersey, o jogador destacou o tamanho da responsabilidade de defender o Brasil em uma Copa do Mundo e admitiu que o ambiente da competição traz uma pressão natural para todas as seleções.
— Flamengo é muito grande. Mas estamos falando de uma Seleção em uma Copa do Mundo. A responsabilidade é muito maior. Clima muito bom, clima tenso, podemos mudar para uma coisa boa para nós. São todos que estão tensos, todos vão estar. Quem aproveitar mais as oportunidades vai sair com a vitória e espero que seja a gente — afirmou.
A presença na Copa representa mais um capítulo de uma trajetória marcada por obstáculos. Revelado pelo Flamengo, Wesley enfrentou momentos de contestação e chegou a conviver com dúvidas sobre seu futuro na carreira. Por isso, a convocação para o Mundial é encarada pelo jogador como uma recompensa por toda a caminhada até aqui.
— Minha história todos conhecem. É um sonho de estar aqui, mas era um sonho distante. Nada dava certo. Era um sonho distante, mas eu consegui dar uma volta por cima. Não é que daqui para frente vai ser só coisa boa. Estarei preparado. Agora é manter tudo o que está acontecendo. E estar numa Copa do Mundo é algo para premiar tudo o que eu fiz. Agora é manter o foco e continuar assim. Se voltar a acontecer coisas ruins, de não dar certo, eu vou voltar para melhorar como já foi e vou fazer isso quantas vezes for preciso.
Outro tema recorrente da entrevista foi sua primeira temporada no futebol italiano. Após deixar o Flamengo, Wesley rapidamente conquistou espaço na equipe comandada por Gian Piero Gasperini, marcou cinco gols e chamou atenção por atuar diversas vezes pelo lado esquerdo do campo, mesmo sendo lateral-direito de origem.
O jogador explicou que a adaptação exigiu mudanças importantes em seu jogo e revelou conversas com companheiros experientes para entender melhor o novo desafio.
— Um aprendizado. Conversei com o Danilo sobre isso, que é um pouco estranho. Quando você ia para a direita você não sentia jogando do outro lado. Eu sentia. Joguei mais jogos pela esquerda do que pela direita. Comentei com o Juan (coordenador da Seleções da CBF) até porque eu preciso treinar ajuste de corpo. Mas acho que agregou ao meu futebol porque eu posso jogar dos dois lados. Mas pelo lado esquerdo sou mais forte e mais ofensivo. Estou feliz que está dando tudo certo, que continue assim. Se for jogar pela esquerda ou direita, que eu esteja dentro das quatro linhas.
A mudança também trouxe evolução defensiva. Wesley destacou que chegou ao futebol italiano já adaptado a diferentes conceitos de marcação graças ao trabalho realizado no Flamengo, mas precisou se adequar rapidamente às exigências específicas de Gasperini.
— Confesso que a marcação individual eu já fazia no Flamengo com o Filipe Luís. Saí do Flamengo adaptado. Sei marcar por zona também porque o Filipe fazia isso. O Gasperini pede marcação individual. Quando estou ali penso que não vou deixar passar. Ele pede para correr, marcar. Consegui me adaptar.
Entre os convocados da Seleção, oito jogadores possuem experiência no futebol italiano. Wesley ressaltou a importância de dividir o dia a dia com atletas mais experientes, especialmente nomes como Danilo e Alex Sandro.
— Temos que respeitar os mais velhos. Estou aprendendo agora. Pergunto muito para o Danilo e para o Alex Sandro, que são grandes marcadores. Se você não estiver bem na marcação isso pode te ajudar. É importante ter esses jogadores de marcação.
Ainda sobre sua adaptação à Itália, o lateral admitiu que segue trabalhando detalhes técnicos relacionados ao posicionamento corporal.
— Vou te falar que é uma coisa que fico batendo cabeça. Quando domino e ajusto o meu corpo está automatizado de eu virar para a esquerda. Tenho que melhorar, mas o que estou fazendo está me ajudando.
A poucos dias da estreia brasileira na Copa do Mundo, o lateral vive um momento que parecia distante durante os períodos mais difíceis de sua trajetória. Agora, consolidado no futebol europeu e integrado ao grupo de Carlo Ancelotti, Wesley tenta transformar a história de superação em protagonismo dentro de campo.
O Brasil estreia na Copa do Mundo no dia 13, contra o Marrocos, em Nova Jersey. A equipe está no Grupo C e ainda terá pela frente Haiti e Escócia.

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