Análise tática do Guffo: como Ancelotti deve escalar a Seleção
Seleção vai enfrentar França e Croácia em amistosos

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A convocação de Carlo Ancelotti para os amistosos contra França e Croácia, a última antes da lista final da Copa, tem uma mensagem bem direta: agora é menos sobre teste e mais sobre afinar o time que vai ao Mundial. O italiano foi transparente ao priorizar quem está "100% de condição física", e isso explica ausências pesadas como Militão, Bruno Guimarães e Estevão, além da ausência de Neymar, que até apareceu na pré-lista, mas não entrou no corte final. O recado é simples: faltando tão pouco para a Copa, Ancelotti quer intensidade, resposta imediata e menos aposta em jogador que ainda está no meio do caminho físico.
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Olhando para os nomes chamados, a espinha dorsal da Seleção fica cada vez mais fácil de enxergar. Alisson parece o titular mais natural no gol. Na zaga, a tendência é de Marquinhos e Gabriel Magalhães, com Bremer como concorrente forte e opção de jogo mais físico. Nas laterais, o cenário é menos consolidado, mas Alex Sandro e Wesley hoje parecem sair na frente pela combinação de experiência e momento. No meio, sem Bruno Guimarães, Ancelotti deve se apoiar em Casemiro como referência de equilíbrio e em um segundo homem com mais chegada ou condução, e aí entram Andrey Santos, Gabriel Sara e até Danilo como peças de encaixe diferentes.
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Allez les Canarinhos
Contra a França, eu imagino um Brasil mais conservador e mais preocupado em proteger a zona central. Um provável time seria: Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Andrey Santos e Gabriel Sara; Raphinha, Vinicius Junior e Matheus Cunha. Aqui, a ideia faz sentido tático: Casemiro guarda posição, Andrey dá perna e ida à área, Sara ajuda a conectar por dentro e sustenta a pressão sem bola. Na frente, Cunha pode funcionar como o atacante que sai da referência para abrir espaço para as diagonais de Vini e Raphinha (que pode também fazer função de meia por dentro). Contra uma França que costuma ser muito forte em transição, faz todo sentido um Brasil menos "solto" e mais coordenado.

Já diante da Croácia, adversário que tende a oferecer mais controle e um jogo mais pensado, o Brasil pode até usar um time um pouco mais associativo. Eu não descartaria João Pedro como titular na frente para dar mais jogo entrelinhas, ou mesmo Igor Thiago se Ancelotti quiser testar mais presença de área e ataque direto ao espaço. Uma formação possível seria: Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Gabriel Sara e Andrey Santos; Raphinha, Vinicius Junior e João Pedro.
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Construindo um grupo saudável
O dado mais interessante dessa lista, para mim, está na escolha dos novatos e das reposições. Leo Pereira, Gabriel Sara, Igor Thiago e Rayan não entram apenas para "completar grupo"; entram porque Ancelotti quer entender, como ele mesmo disse, "como se incorporam no nosso ambiente". Isso é muito de treinador experiente: ele já conhece o futebol dos caras, mas quer ver se eles funcionam dentro da lógica da Seleção. E isso pesa muito em uma convocação final de Copa. Às vezes a última vaga não vai para o melhor nome isolado, mas para o jogador que se encaixa melhor no comportamento coletivo.
O parágrafo do Neymar precisa ser separado porque ele é, ao mesmo tempo, ausência técnica e tema emocional. O fato de estar na pré-lista mostra que Ancelotti ainda considera o jogador no radar. O fato de ficar fora agora, mostra que hoje ele está atrás do próprio corpo. A chance de Neymar ir à Copa existe, porque talento e peso específico ele ainda tem de sobra. Mas, neste momento, ela passa menos por prestígio e mais por algo muito objetivo: ter condição física, sequência e minutos reais. Se isso não vier rápido, o debate sentimental perde espaço para a necessidade competitiva.
Como Ancelotti deve escalar a Seleção? O principal agora é transformar essa boa matéria-prima em um time mais letal nos jogos grandes. E é aí que França e Croácia importam tanto. Não são só amistosos; são ensaios de quartas e semifinal, o tipo de jogo que o Brasil vai precisar saber vencer na Copa. Se Ancelotti sair dessa Data Fifa com um meio-campo mais definido, um ataque com funções mais claras e uma leitura mais objetiva sobre as últimas vagas, a convocação de hoje terá cumprido exatamente o papel que precisava cumprir.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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