Pitaco do Guffo: por que o Flu já tem um modelo para brigar por tudo
O Fluminense de Zubeldía alterna caminhos sem perder a identidade

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Há quem torça o nariz para a Taça Guanabara, mas ela costuma ser um bom detector de duas coisas: competitividade e modelo. O Fluminense do Luis Zubeldía levantou a taça no estadual e nesta quinta-feira (12/02) venceu novamente o Botafogo, agora pelo Brasileirão.
Mas o que interessa mesmo é o recado das seis rodadas: 83% de aproveitamento no Carioca, 77% no Brasileirão, vitórias sobre Flamengo e Botafogo, rotação com reservas e sub-20 — e, principalmente, um time que começa 2026 sabendo exatamente como quer jogar.
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O Flu sempre foi um time de posse de bola com Zubeldía, mas a evolução mais clara neste início de ano está no comportamento sem bola. A equipe se organiza num 4-4-2 bem tradicional, e justamente por isso tão eficiente: linha compacta, tempo de salto coordenado e menos buracos entre meio e defesa. O detalhe que muda a rotação do motor está na primeira linha: se antes Canobbio e Serna ficavam sobrecarregados, agora Lucho Acosta e John Kennedy estão comprando a ideia de que o ataque começa defendendo.
Perde-pressiona melhor desenhado
E não é só "vontade": é sincronização. Lucho e JK lado a lado incomodam a saída rival com gatilhos mais claros, a segunda linha encurta no tempo certo e o Fluminense passa a pressionar alto com mais consistência. O cenário ideal é recuperar a bola lá em cima; mas, mesmo quando não recupera, o Flu tem conseguido forçar o chutão, ganhar a segunda bola e voltar a ter posse. O que, para um time que gosta do controle, já é uma vitória.
Esse mesmo ajuste aparece no perde-pressiona, agora mais bem desenhado. O Fluminense não aceita mais perder a bola e "voltar correndo" como reflexo automático: ele tenta sufocar por alguns segundos com superioridade local, e aí a contribuição do setor ofensivo vira diferencial. Quando os atacantes participam, a equipe protege melhor o meio, evita transições e transforma o adversário em um time que defende mais do que ataca.
Taça Guanabara valeu mais que o título
Com bola, o Fluminense alterna caminhos sem perder a identidade. Em muitos momentos, é um time que "joga do meio para a frente" com naturalidade: Otávio se arrisca em passes mais profundos, Ganso atua como um 10 tradicional — oferecendo pausa e solução por dentro — e Arana ganha liberdade para cruzar, finalizar e dar profundidade quando o lance pede. Isso é importante porque dá ao Flu duas rotas ofensivas: a construção curta para atrair e a bola mais vertical para atacar o espaço. No terço final, Zubeldía tem testado variações que dizem muito sobre a temporada. Lucho Acosta aparecendo como "falso 9" não é só improviso: é um jeito de criar superioridade entrelinhas, puxar zagueiro para fora e abrir corredor para quem ataca de frente. E quando Matheus Reis entra e tem chances, o recado é o mesmo: há alternativas sendo testadas, não apenas nomes ocupando espaço.

A Taça Guanabara também serviu como peneira de elenco. Jemmes e Arana mostraram que podem elevar nível; e as saídas por empréstimo (Lelê, Keno, Everaldo e Lima) indicam que o clube está afinando o grupo para o que o treinador realmente usa. A urgência maior, claro, está no centroavante: hoje é JK, enquanto Cano se recupera. E isso mexe no tipo de ataque: mais pressão, mais mobilidade e mais disputa do que no volume de posse.
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No fim, o título vale menos como taça e mais como diagnóstico: o Fluminense de 2026 já tem organização defensiva confiável, mecanismos de pressão alta e um jogo com bola que não depende de um único plano. Zubeldía não está apenas vencendo; está construindo um time repetível, daqueles que entram em abril sabendo o que fazer em outubro. Vale ficar de olho!
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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