Análise tática do Guffo: o que esperar de Leonardo Jardim no Flamengo
Técnico, por mais inteligente e adaptável que seja, tem um eixo inegociável

Carregando conteúdo exclusivo...
O técnico português Leonardo Jardim é muito bom. Muito mesmo. Nível A para o futebol brasileiro, com carreira que não precisa de defesa: títulos em ligas distintas, projeto histórico no Monaco, repertório de gestão, variação de estrutura e uma comissão que trabalha detalhes como bola parada com seriedade. O problema é que o Flamengo não avalia só competência. O Flamengo avalia identidade, e isso muda tudo quando a cadeira em questão vem na sequência de um técnico que deixou marca, títulos e um jeito que virou exigência.
O "Planeta Flamengo" engole mais por cultura do que por futebol. A torcida, a mídia e, muitas vezes, a própria diretoria não aceitam um time que negocie domínio, que aceite ser reativo, que ganhe com menos posse e com menos tempo de bola no pé. E aqui começa o conflito: o Jardim, por mais inteligente e adaptável que seja, tem um eixo inegociável. Ele gosta do ataque rápido em campo aberto e de um bloco compacto em altura média ou baixa, fechando corredor central e induzindo o rival para os lados. Afinal, o que esperar de Leonardo Jardim no Flamengo?
Leonardo Jardim não é um treinador romântico
Na fase ofensiva, Jardim não romantiza a posse: quer chegar rápido ao campo rival, com saídas sustentadas em 4+2, aproximação curta quando há apoio limpo e, se não houver, bola longa direcionada para o lado para ganhar campo e atacar a segunda bola. O ataque posicional existe, mas não é uma liturgia paciente; é uma ponte para a bola chegar nos extremos, com laterais atacando simultaneamente e muita gente pisando na última linha para decidir por dentro ou por fora.
➡️Análise tática do Guffo: leia todas as colunas
O Flamengo, por outro lado, tem um elenco montado — e uma arquibancada treinada — para outra coisa. Um grupo com meias e atacantes que pedem bola no pé, que gostam de controlar o ritmo, que se sentem confortáveis amassando o adversário e atacando por associação. Quando você coloca esse elenco num modelo que acelera cedo, que simplifica a decisão e que aceita defender em bloco médio, você corre o risco de criar um time "nem lá, nem cá": sem a posse dominante que o torcedor exige e sem a verticalidade natural que o modelo do Jardim precisa para ser letal.

Na fase defensiva, o português é ainda mais fiel às convicções: marcação por zona, bloco compacto em 4-4-1-1 ou 4-4-2, distância curta entre linhas, pouca pressão na saída, saltos mais controlados no portador. É um futebol de ordem. E a ordem, para o a torcida do Flamengo, costuma ser confundida com conservadorismo, principalmente se, em um Maracanã impaciente, o time vencer e o pós-jogo virar debate de "por que o adversário teve mais posse?".
O homem certo na hora errada?
O ponto mais delicado não é a prancheta, é o vestiário. Jardim mostrou no Cruzeiro que banca decisões, inclusive com estrela no banco, se achar necessário. Isso exige respaldo total. E o histórico recente do Flamengo pós-Jorge Jesus mostra que quem mais sobreviveu foi quem soube dialogar, convencer e blindar o ambiente: Ceni, Dorival e Filipe Luís. Jardim pode até fazer isso, mas chega num momento em que o clube parece querer resposta imediata, e resposta imediata no Flamengo quase sempre vem com uma palavra: domínio dos jogos.
Ainda assim, dá para enxergar um encaixe "funcional" se o clube comprar o projeto com coragem. Um Flamengo mais objetivo pode, sim, fazer sentido: atacar mais rápido, encurtar decisões, tornar o jogo menos ornamental. E bola parada bem trabalhada em mata-mata ganha campeonato. Mas para isso virar virtude, e não crise, o Mister Jardim precisaria alinhar três coisas desde o primeiro mês: uma rota ofensiva clara (quem acelera, de onde acelera, como ocupa a área), um bloco defensivo que não pareça "recuo" e, principalmente, uma gestão de hierarquias que não vire guerra civil após duas vaias da torcida.
O que esperar de Leonardo Jardim no Flamengo? No fim, é isso: pode ser ótimo e ainda assim não ser o homem certo para este Flamengo. Não por incapacidade, mas por choque entre cultura, expectativa e elenco. O campo vai dizer, mas a política do clube costuma falar mais alto. E no "Planeta Flamengo", você não treina só o time. Você treina o ambiente.

Futebol Nacional
Regra dos 12 jogos no Brasileirão e times B entram na mira de CBF e clubes
Há 3 horas
Seleção Brasileira
Seleção Brasileira: o que esperar das novidades da lista de Ancelotti após a Copa do Mundo
Há 3 horas
Flamengo
Flamengo critica limite de estrangeiros no Brasileirão: 'Não engrandece'
Há 3 horas
Futebol Nacional
Dos clubes à Seleção: os impactos da redução do limite de estrangeiros no Brasileirão
Há 4 horas
Futebol Internacional
OPINIÃO: série 'Adriano Imperador' só confirma o que todo mundo já sabia dele
Há 10 horas
Flamengo
Análise: Saúl ganha força no Flamengo e surge como 'reforço' para momento decisivo
Há 16 horasMais LANCE!

Torcida do Flamengo brinca com Arrascaeta após vídeo: 'Passou do ponto'

Dallas Cowboys vai dividir o Ninho com o Flamengo antes de jogo da NFL no Maracanã

Clubes aprovam redução de estrangeiros no Brasileirão

Copa do Brasil terá aumento de premiação, mas parte do valor terá destino obrigatório

Flamengo confirma lesão de Ayrton Lucas e atualiza situação de Gonzalo Plata

Conmebol define datas e horários de Flamengo x Estudiantes pela Libertadores

Conmebol define datas e horários das semifinais da Libertadores

Flamengo: dublador revela discussão entre Pedro e Jardim

Sóbis eleva o tom sobre atitude de Pedro, do Flamengo: 'Não tinha o direito'

Veja e simule os 10 jogos restantes de Flamengo e Palmeiras no Brasileirão

Análise: Flamengo chega à Data Fifa como líder, forte e com margem para evoluir

Saúl se destaca em vitória do Flamengo e questiona tratamento: 'Quando não jogo, sou caro'

Jardim comenta insatisfação de Pedro na vitória do Flamengo e nega rusgas: 'É normal'

