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Análise tática do Guffo: Cruzeiro de Tite campeão

A Raposa está virando um time chato de enfrentar

Cruzeiro campeão mineiro
imagem cameraJogadores do Cruzeiro celebram a conquista do título do Campeonato Mineiro de 2026 (Foto: Rodney Costa/Zimel Press/Gazeta Press)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 09/03/2026
21:45

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O Cruzeiro foi campeão mineiro vencendo o Atlético por 1 a 0 e, honestamente, prefiro focar no que aconteceu com a bola rolando do que na pancadaria generalizada. O jogo não foi bonito e nem fluído. Foi um clássico travado, de disputa e de detalhe. E quando um time de Tite começa a ganhar assim, sem precisar estar "inspirado", ele costuma dar um passo importante rumo à consistência na temporada.

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A partida foi uma fotografia clara do que o Cruzeiro quer ser em 2026: bloco compacto, transição do adversário bloqueada e uma agressividade bem coordenada na pressão pós-perda. O Atlético teve dificuldade para respirar por dentro e quase sempre foi forçado a rifar ou a jogar em zonas laterais sem sequência. O Cruzeiro não precisou "amar" a bola, mas soube encurralar o rival, ganhar a segunda bola e manter o jogo perto do campo do Galo na base da mordida, do duelo e do balanço rápido.

Laterantes: os laterais volantes de Tite

Com a bola, o Cruzeiro mostrou um caminho bem definido para suprir a ausência de pontas agudos: transformar Kaiki em atacante de lado. É ele quem dá profundidade e desafogo quando Christian e Gerson oferecem mais presença por dentro. O time cria suas melhores chegadas na dobradinha pelo corredor, com ultrapassagem, cruzamento e ocupação de área com quatro jogadores pisando no último terço. 

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A saída de bola também ajuda a explicar o controle do jogo. Em muitos momentos, Lucas Romero baixa para formar uma saída em três, liberando os laterais para espetarem e serem válvula no corredor interno. E isso conversa com uma característica central do Tite: segurança antes de risco. O Cruzeiro não se expõe à toa. Se não tiver o passe limpo por dentro, gira, estica, disputa e recomeça. Parece simples, mas esse "não perder o jogo" é uma arma enorme em mata-mata e em campeonato de regularidade. Como quando William joga por dentro, e Kaiki troca de posição com Gerson (veja foto abaixo).

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O gol do Kaio Jorge nasce exatamente desse roteiro: pressão, segunda bola, terceira bola, encurralamento. O Cruzeiro foi empilhando sobras, empurrando o Atlético para trás e cansando o rival física e psicologicamente, até que a jogada combinada aparecesse e o cruzamento encontrasse a área em vantagem. É uma vitória com cara de equipe que entendeu o que o jogo pedia: não era para enfeitar, era para sobreviver e decidir.

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O que esperar do Cruzeiro em 2026

Para a sequência da temporada, o recado é forte: o Cruzeiro está virando um time chato de enfrentar. E time chato pontua. A melhora física, que parecia uma preocupação no começo do ano, aparece como base para o melhor traço do Cruzeiro: intensidade para morder, errar a pressão e ainda assim consertar rápido, balançando de um lado ao outro sem abrir o corredor central. Se isso se sustentar, Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores viram campeonatos mais "jogáveis" do que pareciam semanas atrás.

O desafio do Cruzeiro de Tite campeão é elevar o teto sem mexer na base. O que falta é repertório para quando o adversário fechar o lado do Kaique e o jogo pedir um contra um de ponta, alguém que quebre a linha sem depender só de lateral por dentro ou como ponta. Esse é o tipo de peça que muda o Cruzeiro de "organizado" para "perigoso" com frequência.

Sobre a briga no fim, fica o registro: foi lamentável, rouba o foco do que aconteceu nos 90 minutos e passa um exemplo terrível para a sociedade. Quando jogadores milionários decidem atuar como crianças mimadas, quem perde é o futebol. Espero que ambas equipes sofram as devidas punições para se entender que, violência e futebol não combinam.

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