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Análise Tática do Guffo: o que a Recopa revela sobre o Flamengo

Rubro-negro foi derrotado nos dois jogos da decisão

Filipe Luís e Bruno Henrique lamentam a derrota do Flamengo na Recopa (Foto: Jorge Rodrigues/ Agif/Gazeta Press)
imagem cameraFilipe Luís e Bruno Henrique lamentam a derrota do Flamengo na Recopa (Foto: Jorge Rodrigues/ Agif/Gazeta Press)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 28/02/2026
11:21

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O Flamengo perdeu a Recopa para o Lanús no Maracanã, na prorrogação, e o placar dói menos do que o processo. Porque, em 180 minutos, o Rubro-Negro não teve identidade, não teve controle e, no fim, escolheu o atalho mais pobre para um elenco que deveria fazer o jogo parecer mais simples: bola longa, cruzamento e "seja o que Deus quiser". Isso não é só uma noite ruim. É um alerta sobre o trabalho e, principalmente, sobre a leitura do Filipe Luís.

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Taticamente, a derrota tem um roteiro bem claro. O Flamengo até tentou sustentar a saída com três em alguns momentos, mas faltou o "miolo" do time: cadê os meias, cadê a associação curta, cadê a ocupação de entrelinhas para atrair e desmontar o bloco do Lanús? O que apareceu foi o contrário: cinco na área, laterais por dentro ou improvisações (como Cebolinha terminando de lateral direito), e um volume absurdo de tentativas diretas. Nas duas partidas contra o Lanús, foram 46 bolas longas (lançamentos de mais de 40 metros - ver imagem). Para um elenco com Paquetá, Jorginho, Bruno Henrique e Pedro, é um desperdício de repertório.

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Não é apenas perder o jogo

O Lanús, por sua vez, fez o que times organizados fazem contra time ansioso: baixou bloco quando precisava, escolheu os momentos de acelerar e atacou o espaço nas transições. E aí entra o problema estrutural do Flamengo do Filipe: quando a ideia vira pressão alta mais jogo direto, você perde o controle do ritmo e aumenta a exposição. Se o ataque é rápido demais e mal escolhido, a bola volta rápido demais, e a defesa passa a viver de corrida para trás em um cenário em que erro individual vira sentença.

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Esse é o ponto mais duro para o Filipe Luís como treinador: não é só "perder". É perder com a sensação de que o time não tem um plano A funcional. A troca de peças durante o jogo não mudou a lógica do que estava acontecendo. O Flamengo trocou nomes, mas não mudou o comportamento. E quando o modelo não se sustenta, a partida vira um somatório de improvisos (e improviso, em decisão, é loteria).

O futuro de Filipe Luís, portanto, passa menos por ter coragem e mais por ter clareza. Ele precisa decidir qual Flamengo quer ser: um time que domina por associação curta (o que o elenco sugere) ou um time que acelera por fora e vive de volume na área (o que o jogo mostrou). Se for a primeira opção, falta desenho para colocar os melhores no lugar certo e, principalmente, para garantir que sempre exista alguém entre as linhas para conectar. Se for a segunda, então não dá para insistir sem o centroavante de ofício desde cedo e sem uma estrutura de cobertura para as perdas.

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Parecia que o Flamengo já tinha uma identidade

O lado "bom" — se é que dá para chamar assim — é que o calendário ainda permite correção sem que a temporada esteja perdida. O Carioca encaminhado dá uma janela de treino e ajuste que o Flamengo precisa usar para reconstruir mecanismos: saída limpa, ocupação de meio, rotas de progressão e, sobretudo, controle emocional quando o jogo pede paciência. O Flamengo não pode ser um time que cruza por desespero aos cinco minutos. Isso não é identidade; é ansiedade.

E é aqui que eu separo o Filipe Luís do "personagem": como ideia, ele tem futuro. Talvez possa ser o melhor técnico do Brasil em poucos anos. Como trabalho, ele precisa dar sinais imediatos de evolução, porque o Flamengo não é laboratório, é pressão diária. O que a Recopa revela sobre o Flamengo é a necessidade de escolher prioridades e executar bem, reduzir a dependência de bolas longas, recuperar o jogo de associação e transformar o elenco caro em time funcional. Se fizer isso, o tropeço vira cicatriz útil. Se não fizer, a temporada vira um ruído permanente, e aí nenhum nome — por maior que seja — sustenta.

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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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