Vexame inadmissível coloca à prova a ideia de continuidade do São Paulo
Diretoria pretende manter Fernando Diniz como treinador, mas eliminação para o Mirassol deixa a dúvida: qual será a prioridade de Leco para os últimos meses de sua gestão?

O São Paulo tinha no Campeonato Paulista uma grande oportunidade para acabar com a fila e começar a se recolocar nos eixos, mas conseguiu a proeza de ser eliminado em casa por um Mirassol remendado, naquele que já é considerado por muitos o pior dos vários vexames acumulados nos últimos anos.
É praticamente impossível encontrar uma justificativa plausível para a derrota por 3 a 2. Se o São Paulo foi prejudicado pelo hiato de quatro meses na competição, o que dizer do Mirassol, que perdeu 16 atletas no período e se reconstruiu do jeito que deu? Se o período sem futebol prejudicou o entrosamento entre os jogadores do Tricolor, como explicar o desempenho de Zé Roberto, inscrito na terça-feira e autor dos dois primeiros gols da equipe visitante no Morumbi?
Independentemente de qualquer contexto, uma comparação rápida entre os dois elencos já evidencia que esta eliminação é inconcebível. É claro que o Mirassol do promissor Ricardo Catalá tem muitos méritos, mas essa história é muito mais sobre incapacidade do São Paulo do que qualquer outra coisa.
Um papelão como este coloca em xeque a ideia de continuidade que o clube decidiu abraçar para 2020 após anos e anos de mudanças constantes e geralmente desastradas no elenco, na comissão técnica e, até a chegada de Raí em 2018, na diretoria de futebol, ainda mais se levado em conta que a gestão Leco termina em dezembro, não há mais como ganhar um título antes disso (todos os campeonatos, exceto o Estadual, invadirão 2021) e a situação financeira do clube é muito ruim.
Para onde o São Paulo será conduzido agora? A prioridade será tapar os buracos no caixa e entregar um clube mais saudável financeiramente ao próximo presidente, o que significaria desmontar o elenco com vendas de jovens valores, para encher o caixa, e saída de medalhões, para enxugar a folha? Ou a ideia será disputar Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil com foco no título, mantendo a base deste elenco? E, sendo assim, será que é possível almejar algum desses troféus sem contratar mais ninguém?
Quanto ao treinador, não parece haver muita dúvida. A diretoria mantém o seu respaldo a Fernando Diniz e não cogita substituí-lo neste momento, mas o fracasso retumbante dessa quarta-feira também coloca interrogações sobre seu trabalho - que era bom e promissor em 2020 até que as competições fossem paralisadas.
O primeiro gol do Mirassol é sintoma de equipe mal treinada. Zé Roberto se colocou na entrada da área para aguardar a cobrança de escanteio e avançou sem ser incomodado para cabecear. Não havia sequer um jogador posicionado para esperar um rebote, muito menos alguém preocupado em marcá-lo. O segundo gol escancara um problema que ficou bem evidente neste retorno do Paulistão: o São Paulo joga muito exposto aos contra-ataques e precisa correr atrás do adversário, o que pode ser fatal quando um de seus laterais é Juanfran, que não tem a velocidade como principal valência (aliás, que partida terrível do espanhol!).
Já o terceiro gol, uma trapalhada generalizada protagonizada principalmente por Volpi e Arboleda, veio logo depois da substituição que já está para lá de manjada: sai um zagueiro (no caso, Bruno Alves), entra um atacante (Everton, assumindo a ala esquerda) e Reinaldo vai para a zaga. Parece ser a única alternativa encontrada pelo técnico diante da ineficiência de suas opções mais imediatas no banco, como Helinho e Hernanes.
Ofensivamente, o São Paulo voltou da pausa sendo uma equipe menos intensa, mais fácil de ser marcada. No segundo tempo, o Mirassol se retraiu em seu campo e deixou a bola com o Tricolor, que não conseguiu ser agudo em nenhum momento.
Enfim, uma atuação bizarra que escancara fragilidades em praticamente todos os setores e deixa dúvidas: será que toda a evolução mostrada pelo São Paulo entre janeiro e março foi por água abaixo e será preciso trabalhar tudo de novo? O torcedor encontrará essas respostas no Brasileirão, a partir de 9 de agosto, se ainda tiver ânimo e paciência para acompanhar o time.

São Paulo
São Paulo pode mandar jogos no Pacaembu? Entenda o cenário
Há 1 hora
Futebol Nacional
Lesionados e suspensos da 20ª rodada do Brasileirão
Há 1 hora
São Paulo
São Paulo negocia com Ticketmaster; acordo divide opiniões
Há 5 horas
Futebol Nacional
Palmeiras e Flamengo 'invertem papéis', mas ampliam distância em Brasileirão equilibrado
Há 5 horas
São Paulo
São Paulo: chão do Morumbis cede e tomba carro do Choque
Há 20 horas
São Paulo
Moreira chega à pré-temporada do Al-Nasr e se aproxima de assinatura
Há 21 horasMais LANCE!

Primeiro turno do Brasileirão repete padrão de demissões de treinadores

Buta revela indicação de Mario Götze em apresentação no São Paulo

Reestreia de Arboleda: veja como foram os números do zagueiro do São Paulo

Histórico de lesões acompanha Tolói e põe futuro no São Paulo em dúvida

Diretor do São Paulo é acusado de falsidade ideológica

São Paulo atualiza quadro médico de Rafael Toloi

De charutos a grife: como Casares usou R$ 1 milhão do cartão do São Paulo

São Paulo corre com transfer ban para registrar Domingos Duarte

Serrana celebra vaga do São Paulo e projeta sonho na Copa do Brasil Feminina

'Trocaria pela vitória', diz Artur após gol de falta no São Paulo

De volta ao São Paulo, torcedores avaliam partida de Arboleda

Wendell lamenta São Paulo longe do Morumbis: 'Faz muita diferença'

Dorival resgata fórmula de 2023, mas São Paulo ainda esbarra em velhos problemas



