Comissão de Ética do São Paulo rejeita expulsão de Dedé e propõe suspensão

Dedé comandava o clube social do São Paulo até o começo deste ano

PorIzabella GiannolaSão Paulo (SP)
01/07/2026 17:10
Dedé na época que estava no São Paulo
Dedé foi julgado pela comissão de ética (Foto: Divulgação)

A Comissão de Ética do São Paulo ganhou um novo capítulo no processo que apura a conduta do conselheiro vitalício e ex-diretor geral do Clube Social Antonio Donizeti Gonçalves, o Dedé. Em voto parcialmente divergente, o conselheiro José Edgard Galvão Machado se posicionou contra a eliminação do associado do quadro social e defendeu a aplicação de uma suspensão de 120 dias. Dedé também era ex-presidente do clube social.

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O Lance! teve acesso a todos os documentos na íntegra que explicam a decisão. Segundo o voto, os autos comprovam que a FGOAL atuou no clube social sem um contrato formal específico e que Dedé prestou uma declaração posteriormente utilizada pela empresa em ações judiciais movidas contra o São Paulo.

No entanto, Dedé afirma em sua defesa que não há comprovação de enriquecimento pessoal, desvio de recursos, má-fé, vantagem indevida ou prejuízo patrimonial diretamente atribuível ao ex-dirigente, requisitos que, em sua avaliação, seriam necessários para caracterizar gestão temerária e justificar a eliminação do quadro associativo.

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A Comissão de Ética, formada por cinco integrantes, teve maioria contrária ao enquadramento por gestão temerária e à pena de eliminação do quadro associativo. José Edgard Galvão e Marcelo Nelli Soares votaram por uma suspensão de 120 dias por dano à imagem do clube, enquanto o presidente Antônio Maria Patino defendeu apenas uma advertência por escrito.

Já Luiz Braga e Milton José Neves Júnior votaram pela expulsão de Dedé por entenderem que houve gestão temerária e dano à imagem do São Paulo.

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Carlomagno, Dedé e Casares
Carlomagno, Dedé e Casares deixaram o clube neste ano (Foto: Reprodução)

Entenda como fica a questão no quadro do São Paulo

Apesar de afastar a punição máxima, o voto considera que houve violação aos deveres institucionais. Na avaliação do conselheiro, ao prestar uma manifestação individual sobre um assunto interno que acabou sendo utilizada por uma empresa em litígio contra o clube, Dedé provocou dano à imagem institucional do São Paulo.

Com base nisso, Dedé terá que enfrentar um quadro de suspensão. A pena sugerida é a suspensão mínima de 90 dias, acrescida de um terço pelo fato de o representado ser conselheiro vitalício, totalizando 120 dias de suspensão. O voto também afasta qualquer indenização, por considerar que não há prejuízo material comprovado nos autos.

Relembre a situação envolvendo Dedé e a FGoal

O São Paulo anunciou, por meio de uma nota oficial que rompeu unilateralmente o contrato com a empresa FGoal, responsável por prestar os serviços de alimentos e bebidas ao clube em dia de jogos em fevereiro deste ano.

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O comunicado explica que o clube teve conhecimento a partir da análise de in formações disponibilizadas pela Zig Pay, empresa responsável pela operação dos sistemas das máquinas de pagamento utilizadas pelo São Paulo na comercialização de alimentos e bebidas nos dias das partidas no clube social do Tricolor. O nome de Dedé estaria por trás destas intermediações.

O São Paulo afirma que a FGoal realizou saques indevidos na plataforma das maquininhas no clube sem a autorização da equipe e do departamento financeiro são-paulino e que os valores não tinha ligação com o serviço prestado pela empresa, o que justificaria a notificação para a rescisão de contrato sob justa causa.

Vale destacar que o nome de Dedé também está sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, que apuram possíveis casos de corrupção dentro do setor social do Tricolor.

Além do voto parcialmente divergente, a Comissão de Ética também conta com posicionamentos que defendem desde uma advertência até a eliminação de Dedé do quadro associativo. A decisão final dependerá da maioria formada entre os integrantes do colegiado.

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