São Paulo cria, mas volta a repetir roteiro que preocupa Dorival
Tricolor levou a virada mais uma vez na competição

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O São Paulo tem repetido roteiros, algo que ficou ainda mais explícito na derrota por 2 a 1 contra o Grêmio, neste sábado (8), na Arena do Grêmio. É um time que consegue construir a vantagem no primeiro tempo, mas não consegue sustentar o resultado depois do intervalo. E a resposta para isso segue sendo uma incógnita, tanto para Dorival Júnior quanto para os próprios jogadores.
Antes de analisar a partida contra a equipe gaúcha, é preciso entender a estratégia por trás da formação escolhida para o jogo. A escalação apresentou mudanças importantes em relação ao time que vinha sendo utilizado, principalmente pela ausência de Artur e pela escolha de Ferreira como ponta.
A principal alteração estava no ataque. Sem Artur, Ferreira ocupou o lado do campo, função que potencializava sua velocidade, o um contra um e a capacidade de atacar os espaços. Do outro lado, Luciano teve mais liberdade para se aproximar de Calleri e aparecer por dentro. No meio-campo, a aposta foi em Marcos Antônio, que acabou sendo um dos principais nomes da equipe e assumiu diferentes funções ao longo da partida.
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São Paulo sofre virada e é derrotado pelo Grêmio no Brasileiro

No início, o Grêmio parecia ter mais controle, mas o São Paulo rapidamente conseguiu equilibrar o jogo. A principal fragilidade aparecia pelo lado esquerdo, onde os gaúchos encontravam espaços para avançar. Até boa parte do primeiro tempo, porém, poucas chances realmente perigosas haviam sido criadas. A melhor do São Paulo saiu em uma cabeçada de Luciano.
Rafael, por outro lado, foi novamente importante quando exigido. O goleiro fez grandes defesas e manteve o São Paulo no jogo em momentos em que o Grêmio conseguiu chegar com mais perigo.
O gol são-paulino também nasceu de uma jogada confusa. Luciano avançou pela linha de fundo e cruzou para Marcos Antônio, que desviou. Weverton defendeu, mas Calleri apareceu no rebote para abrir o placar. A vantagem levada para o intervalo parecia colocar o São Paulo em uma situação confortável.
Mas é justamente aí que entram os roteiros repetidos.
Mais uma vez, o São Paulo voltou do intervalo sem a mesma concentração e não conseguiu administrar a vantagem. A equipe passou a cometer erros, perdeu controle de alguns setores e permitiu que o Grêmio crescesse na partida.
O primeiro sinal veio na bola parada. Após escanteio, Carlos Vinícius ajeitou de cabeça e Wallace apareceu na área para superar Arboleda e empatar. O zagueiro são-paulino já havia cometido um erro importante no primeiro tempo, quando foi salvo por Rafael, e voltou a ficar envolvido diretamente em um lance decisivo na etapa final.
Depois, veio o golpe definitivo. Em uma cobrança de falta, Pavón bateu rasteiro, por baixo da barreira. A bola passou pelo meio dos jogadores e Rafael não conseguiu chegar a tempo. Um erro de posicionamento que acabou sendo o lance capital da partida e definiu a virada.
Além dos erros individuais, as mudanças de Dorival Júnior também deixaram dúvidas. O São Paulo teve dificuldade para reagir depois que perdeu a vantagem, enquanto algumas oportunidades criadas não foram aproveitadas. O time conseguiu chegar ao ataque, mas não encontrou a mesma eficiência que teve no momento em que abriu o placar.

No fim, fica novamente a sensação de uma partida que estava nas mãos do São Paulo e escapou por detalhes. Uma falha na bola aérea, com Arboleda envolvido, gerou o empate. Uma falha na barreira abriu caminho para a virada. Dois erros diferentes, mas que apontam para o mesmo problema: a dificuldade de concentração do time nos momentos que decidem os jogos.
O resultado aumenta ainda mais a pressão sobre o São Paulo. São oito jogos consecutivos sem vencer no Campeonato Brasileiro, um jejum que já ultrapassa os 100 dias. Mais do que a sequência negativa, o que preocupa é a repetição do roteiro: o time cria, consegue competir, abre vantagem, mas não consegue proteger o próprio resultado.
Os números da partida e a preocupação de Dorival Júnior
Os números ajudam a mostrar que a derrota por 2 a 1 para o Grêmio não veio de um São Paulo completamente dominado. Pelo contrário, o time teve mais posse, finalizou mais e criou mais grandes chances, mas voltou a falhar justamente nos momentos decisivos.
O São Paulo terminou com 52% de posse de bola, contra 48% do Grêmio, e teve 19 finalizações, sete a mais que o adversário. Também criou cinco grandes chances, enquanto o Grêmio teve três.
O problema esteve na eficiência. Mesmo com 19 chutes e cinco grandes chances, o São Paulo marcou apenas uma vez. O Grêmio, por outro lado, aproveitou melhor as oportunidades que teve e transformou duas delas em gol. É justamente aí que os números conversam com a análise da partida: o São Paulo conseguiu construir, mas não conseguiu transformar seu volume em segurança no placar.
Isso se tornou preocupação para Dorival Júnior, que tratou com essa exata palavra durante a coletiva de imprensa após a derrota.
- O que tem nos tirado de melhores situações são justamente os erros que temos cometido. Eles vêm se repetindo com certa frequência, e isso preocupa demais, porque a equipe não deixa de criar, não deixa de buscar, não deixa de ter posse de bola, não deixa de jogar com intensidade e força. Só que, no momento de finalizar, nas conclusões das jogadas e nos momentos decisivos das partidas, acabamos tendo muita dificuldade. E isso está nos gerando uma grande preocupação - disse o treinador.
Outro dado que chama atenção é o número de passes. Foram 466 passes do São Paulo, contra 423 do Grêmio, reforçando a ideia de uma equipe que teve mais controle territorial e circulação de bola. O São Paulo também teve ligeira vantagem nos desarmes, 8 a 7.
Por outro lado, a partida foi bastante faltosa para o time de Dorival Júnior: foram 19 faltas cometidas pelo São Paulo, contra 12 do Grêmio. Isso também ajuda a explicar o peso que as bolas paradas tiveram no jogo. O empate saiu justamente após um escanteio, enquanto a virada aconteceu em uma cobrança de falta.
E existe uma diferença interessante nos escanteios: 7 para cada lado. Ou seja, o São Paulo não ficou apenas trocando passes longe da área, também conseguiu chegar a situações de ataque e pressionar o Grêmio. Todos os dados são do Sofascore.
Próximos desafios do São Paulo
O caminho segue árduo. Se no começo do ano, o time estava assegurado por várias rodadas entre os primeiros colocados, agora perde posições jogo a jogo. O Tricolor paulista está na 12ª colocação, com 26 pontos somados.
A sequência sem vitórias do São Paulo no Brasileirão de 2026 já entrou para uma lista negativa do clube. Com oito jogos consecutivos sem vencer, o Tricolor igualou a terceira maior sequência do time em uma mesma edição do campeonato. O recorde pertence a 2013, com 12 partidas, seguido por 2011, 2017 e 2021, com nove. As oito partidas de 2026 também igualam a marca registrada em 2005 e 2023. Os dados são do "Anotações Tricolores".
Na terça-feira, o São Paulo viaja até a Bolívia. Lá, encara o Bolívar pelo jogo de ida da Copa Sul-Americana. A competição não deve ser deixada de lado. No dia 15, enfrenta a Chapecoense, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Agora, todo ponto importa.
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