Infinito para um rei, finito para um humano: LeBron desafia os limites do corpo aos 41
Em exclusiva ao Lance!, especialista detalha desafios da estrela nesta fase

Aos 41 anos, LeBron James inicia um novo capítulo da carreira diante do desafio de seguir atuando em alto nível. Após deixar o Los Angeles Lakers e acertar com o Philadelphia 76ers, o astro chega à nova equipe com a expectativa de buscar mais um título da NBA, que pode ser sua última oportunidade de ampliar o legado na liga. A mudança, no entanto, levanta questionamentos sobre sua capacidade física para suportar uma rotina intensa de jogos.
Na temporada passada, LeBron enfrentou uma lesão no nervo ciático que o afastou das quadras por mais de um mês. O período de recuperação acendeu um alerta sobre a condição física do astro, que acumula mais de duas décadas no basquete profissional.
Em entrevista exclusiva ao Lance!, o ortopedista Dr. Allan Ono, do Hospital Ortopédico AACD, explica que o risco de recorrência depende, principalmente, da causa da dor ciática e do tratamento realizado. Entre os fatores mais comuns estão problemas na região lombossacra da coluna, como hérnia de disco, espondilolistese e estenose do canal vertebral.
— A taxa de recidiva muitas vezes é alta. Isso vai depender da patologia causal, que não foi divulgado se foi uma hérnia de disco simples ou outro tipo de lesão na coluna. Outra causa de dor ciática são as lesões no glúteo, que também podem recidivar — explicou o médico.
O nervo ciático é formado por um conjunto de nervos que se origina na região lombar da coluna e percorre os glúteos e a parte posterior das pernas. Quando há compressão ou irritação nessa estrutura, o atleta pode sentir dor ao longo desse trajeto, além de formigamento e limitação dos movimentos. No basquete, sintomas desse tipo podem comprometer ações como corrida, saltos e mudanças de direção.
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Idade aumenta atenção com a recuperação
A idade é outro fator que merece atenção. De acordo com o especialista, as hérnias de disco apresentam maior incidência entre os 35 e 50 anos. Atletas mais velhos costumam enfrentar um processo de recuperação mais lento após lesões.
— Os pacientes acima dos 35 anos já vão ter uma capacidade regenerativa menor, às vezes uma velocidade de recuperação menor. É lógico que isso depende da genética de cada um e de uma série de outros fatores, do tratamento que foi adotado, mas os atletas mais velhos sentem uma dificuldade maior na recuperação das lesões — afirmou.
O retorno precoce às atividades pode aumentar o risco de uma nova ocorrência. Por isso, uma recuperação adequada, com fisioterapia, alongamentos e, quando necessário, uso de medicamentos, é importante para reduzir as chances de o quadro voltar.
Sequência de jogos aumenta desgaste
O calendário também pode ser um fator determinante para atletas de alto rendimento. Em uma liga como a NBA, com uma temporada regular extensa e partidas frequentes, o tempo de recuperação entre os compromissos se torna ainda mais importante. De acordo com o especialista, a sequência de jogos sem descanso adequado aumenta o estresse mecânico sobre músculos e articulações, o que pode elevar o risco de lesões.
— Jogos sequenciais, sem o devido descanso, sem a fase de regeneração, podem aumentar a recorrência desses sintomas. Quanto mais velho o atleta, maior é a necessidade desse processo de recuperação pós-jogo — expôs.
Na análise, o trabalho regenerativo ocupa papel essencial na rotina. Atividades como exercícios em piscina aquecida, alongamentos e repouso ativo podem contribuir para a recuperação da musculatura após as partidas.
Preparação precisa acompanhar a idade
Além disso, LeBron chamou atenção durante as férias por manter uma rotina intensa de preparação física. Embora a manutenção do condicionamento seja fundamental, segundo o especialista, a carga de treinamento precisa ser ajustada às necessidades de um atleta de 41 anos.
— O ideal para evitar mais lesões, principalmente nos atletas já de idade um pouco mais avançada, é primeiro reduzir a frequência de jogos e também a intensidade, o período pelo qual o jogador está exposto ao estresse da partida — disse Allan.
A longevidade do atleta é um dos principais exemplos de como o controle da carga pode ser determinante para prolongar a trajetória de um atleta. Manter-se em alto rendimento aos 41 anos é algo fora da curva, mas exige planejamento, adaptação e cuidados físicos ao longo de toda a carreira.
— Para prolongar a vida esportiva do alto rendimento, é fundamental que haja uma atenção desde a juventude do atleta, diminuindo o risco de lesões dos jovens atletas, tendo a carga controlada dos treinos, jogos e repouso — explicou.
O astro disputa sua 24ª temporada na NBA e segue entre os jogadores de maior impacto da liga. Desde sua estreia, em 2003, o jogador já disputou mais de 1.600 partidas entre temporada regular e playoffs, com uma carga de minutos em quadra muito superior à da maioria dos jogadores de sua geração.
Novo desafio no 76ers
A chegada de LeBron ao 76ers acrescenta outro elemento ao cenário. Com a expectativa de assumir papel relevante na equipe, o atleta pode enfrentar uma carga elevada de minutos e responsabilidades em quadra.
Para o especialista, porém, o protagonismo não necessariamente precisa significar uma exposição excessiva. O controle depende de uma atuação conjunta entre departamento médico, fisioterapeutas e comissão técnica. O médico ressalta que a comunicação entre as diferentes áreas é fundamental para evitar que o jogador ultrapasse seus limites físicos.
— Um atleta como o LeBron James é sempre um destaque, sempre vem para uma condição de protagonismo. Mas uma boa assessoria de médicos, fisioterapeutas e uma boa relação entre o time de saúde e o técnico podem fazer com que haja uma preservação e mais alguns anos de rendimento do atleta.
— É importante que toda comissão técnica trabalhe com a comissão esportiva e a comissão médica de um time para que haja um acordo de não levar o atleta ao limite, o que pode às vezes até pôr fim à carreira de um grande nome como ele — completou.
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