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Encontro de gerações leva Brasil ao ouro nos Jogos Sul-Americanos

Gabriel Machuco e Etiene Medeiros quebram recordes e, em exclusivas, exaltam troca de experiências na Seleção Brasileira

PorDavi Caldas•São Paulo (SP)
26/09/2026 17:09

Supervisionado porThiago Fernandes,
Com trocas de experiências, Etiene Medeiros e Gabriel Machuco, do SESI-SP, ganham ouros e quebram recordes nos Jogos Sul-Americanos (Foto: Reprodução/SESI-SP)
Com trocas de experiências, Etiene Medeiros e Gabriel Machuco, do SESI-SP, ganham ouros e quebram recordes nos Jogos Sul-Americanos (Foto: Reprodução/SESI-SP)

Com 19 anos e a primeira convocação para a Seleção Brasileira adulta, o nadador Gabriel Machuco conquistou uma medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos de 2026 e bateu o recorde da competição nos 200 metros medley. A conquista, em Santa Fé, na Argentina, ilustra um fenômeno ainda mais amplo que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) identificou como uma marca da edição: 36% dos atletas brasileiros participam pela primeira vez de um evento multiesportivo.

O torneio, iniciado no dia 12 de setembro e que se encerrará neste sábado (26), é tratado pelo COB como uma plataforma de transição para jovens promessas que miram os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Além desta prova, Gabriel também conquistou a medalha de ouro no revezamento 4x100m livre.

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Em entrevista exclusiva ao Lance!, o nadador destacou a própria convivência entre veteranos e estreantes dentro da Seleção como um dos maiores ganhos do evento. Machuco descreveu o ambiente como uma sala de aula informal, na qual as trocas aconteceram nos dois sentidos.

— É um motivo de orgulho estar estreando na minha primeira Seleção Brasileira absoluta. Estar com os mais velhos é muito gratificante. Principalmente conquistar a medalha de ouro e bater o recorde do meu ídolo Thiago Pereira, que eu admiro bastante — afirma Gabriel Machuco. 

Para ele, a convivência com nomes como Etiene Medeiros e João Gomes foi tão formativa quanto a competição em si. "Eu, com 19 anos, estando na mesma seleção com pessoas que já marcaram o nome na natação brasileira várias vezes. Tive bastante troca de experiência. Aprendi muito com eles e eles aprenderam um pouco comigo, porque a geração está evoluindo, é diferente", disse o atleta.

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Etiene Medeiros, do outro lado do espelho geracional, também brilhou nas piscinas de Santa Fé. A veterana voltou à Seleção Brasileira e conquistou o ouro nos 50 metros costas, além de estabelecer um novo recorde da competição. 

Para ela, a lógica da transmissão de conhecimento entre gerações parte de um princípio aprendido ao longo de mais de uma década no SESI-SP, equipe da qual os dois atletas fazem parte. Em outra exclusiva, a campeã mundial comenta: "Aprendi muito com a pedagogia do exemplo. Muitas vezes a gente ensina mais pelas nossas atitudes do que pelas palavras. Quando eu era mais nova, observava muito os atletas mais experientes. Como treinavam e se comportavam, e como lidavam com a pressão e com os momentos difíceis. Isso fez parte da minha formação."

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— A experiência ajuda muito, principalmente nas situações que a gente só aprende vivendo. Uma competição internacional, uma derrota, uma lesão, a pressão por resultado, os momentos de dúvida. Quem está há mais tempo já passou por muita coisa e pode ajudar quem está começando a lidar melhor com esses momentos — explica Etiene Medeiros.

Hoje, a nadadora reconhece que ocupa esse papel para quem está chegando e afirma que tenta compartilhar tudo o que aprendeu durante os vários anos de carreira, mas recusa a ideia de que a relação seja de mão única. "A nova geração também chega com muita energia, novas ideias e outra forma de enxergar o esporte. Eu aprendo com eles também. Quando existe essa troca, todo mundo cresce", complementa.

Etiene Medeiros conquistou o título do Paulista com a melhor marca do dia na final (Foto: Satiro Sodre/SSPress)
Antes dos Jogos Sul-Americanos, em abril, Etiene Medeiros conquistou o título do Paulista com a melhor marca da final (Foto: Satiro Sodre/SSPress)<br>

Um ouro com outro peso

O saldo emocional do torneio para Etiene Medeiros vai além do recorde e da medalha. Mãe do Kalel, a nadadora descreveu uma transformação no significado de vestir a camisa do Brasil ao longo dos anos.

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"Na minha primeira convocação, existia a emoção daquela menina que estava realizando o sonho de representar o Brasil. Hoje continuo sendo atleta, continuo tendo meus sonhos e meus objetivos, mas também sou mãe do Kalel. Então esse momento da minha carreira tem um significado diferente", disse. 

A nadadora ainda relatou que, apesar das mudanças, cada nova convocação, competição e medalha carrega tudo o que ela viveu para continuar no esporte até os dias atuais. "Esse último ouro foi especial por isso. Hoje eu consigo olhar para trás, lembrar de tudo que já vivi dentro da natação e, ao mesmo tempo, perceber que ainda tenho coisas para conquistar. E agora tenho o Kalel fazendo parte dessa história também", afirma.

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— Vestir a camisa do Brasil nunca se tornou algo comum para mim. A emoção muda com o tempo, mas continua sendo muito especial — conclui Etiene Medeiros.

Investimento federal em expansão no Brasil

O volume de estreantes reflete um ciclo de crescimento nos investimentos públicos no esporte olímpico. Segundo o estudo Placar Brasil, produzido pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE) em parceria com os ministérios do Esporte e Ciência, a média anual dos recursos federais destinados à categoria Desporto e Lazer saltou de R$ 767,1 milhões, no período 2019-2022, para R$ 1,75 bilhão entre 2023 e 2026, alta de 128,16%.

Na infraestrutura esportiva, o crescimento segue a mesma curva. O valor médio anual investido em obras e equipamentos passou de R$ 254,9 milhões para R$ 530,9 milhões, avanço de 108,29%. O número de projetos cresceu 30,59%, e o valor médio por projeto subiu 59,50%.

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Parte central desse ecossistema está nos clubes. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, 89% dos 277 atletas brasileiros presentes foram formados em agremiações. O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) atua no fortalecimento dessas estruturas, com ginásios, equipamentos e competições voltadas para as categorias de base.

Só no primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, o CBC destinou R$ 38,8 milhões ao apoio dos Campeonatos Brasileiros Interclubes (CBI), por meio do Eixo Competições do Programa de Formação de Atletas. O valor representa crescimento de quase 92% em relação ao mesmo período de 2025, quando o investimento foi de R$ 20,2 milhões.

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"Os Jogos Sul-Americanos são um evento importante para preparar jovens atletas para as principais competições do ciclo olímpico. É uma etapa fundamental para colocar à prova, em uma competição internacional, o trabalho realizado pelos clubes, que são a principal base de formação do esporte olímpico brasileiro", destaca Paulo Maciel, presidente do CBC.

Para muitos dos estreantes, a participação em Santa Fé também tem consequência direta na renda. O programa Bolsa Atleta, gerenciado pelo Ministério do Esporte, estrutura o apoio financeiro a atletas de alto rendimento em seis categorias: Atleta de Base, Estudantil, Nacional, Internacional, Olímpico/Paralímpico/Surdolímpico e Pódio. Quem sobe ao pódio nos Jogos Sul-Americanos migra da categoria Nacional para a Internacional e passa a receber o dobro do benefício anterior. 

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Gabriel Machuco sintetizou, à sua maneira, o que os Jogos Sul-Americanos representam para quem está começando: "É mais uma competição internacional na sua carreira, em que você consegue evoluir mais e adquirir o máximo de informação possível, absorver o máximo, para que você possa aprender e evoluir nas próximas." Com Los Angeles no horizonte, o tempo dirá até onde essa absorção vai levá-lo.

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